domingo, 27 de setembro de 2015

Japa!

Há algum tempo, um ou dois anos, quiçá três, passando por Vila Velha, república vizinha a Vitória, ouvi uma japinha cantando. Visceral, encanta a platéia - eu, incluso. Fominha, sem pedir licença, toquei com o grupo. Desde então, sempre que possível, vou vê-la e ouvi-la. Seu nome: Yumi Hirose. Pitonisa do oráculo de São Roquenrou.

Aqui, meu tributo à musa:



Dexter Gordon - The Panther!







Dexter Gordon é um dos tenoristas que mais me agradam. Seu sopro expressivo, rascante, guarda um certo lirismo que me impressiona (outros há com esse traço - Rollins, por exemplo). Enquanto escrevo, estou ouvindo o lp The Panther.  Discaço. Ladeando mr. Gordon estão Tommy Flanagan (piano), Larry Ridley (baixo) e Alan Dawson (bateria).



A faixa título, do próprio Dexter, já dá aquela vontade louca de tocar. Segue a insofismável Body and soul, em que nosso herói constrói um improviso bastante interessante (principalmente no final, quando toca vários compassos sozinho). Valse Robin, como já diz, é uma valsa - daquelas que consegue acalentar os demônios. Mrs Miniver deve ser uma pessoa bastante legal. O tema com seu nome é alto astral e preserva uma boa dose de elegância e leveza (gostaria de conhecê-la). Como o natal se aproxima, a próxima canção pode fazer parte da trilha sonora do jantar com os amigos e familiares: Christmas song. Para encerrar, Dexter saca o tema Blues Walk, de Lou Donaldson, outra que joga o astral lá em cima. Vale a aquisição.

Quem estiver duro e não puder comprar o lp, há a alternativa de usar um dos programinhas para baixar do youtube (a qualidade do som não é a mesma, mas dá pra segurar a onda até entrar a grana para a compra) - eu uso o Clipconverter.cc 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tom Waits

Tom waits é uma alma indômita. Iconoclasta por excelência, suas letras abordam, sempre com uma boa dose de ironia, o cotidiano e os valores de sua sociedade. Sua música não se prende a estereotipias estilísticas - usa tudo que está ao seu alcance (jazz, blues, folk etc), gerando uma sonoridade peculiar. Deixo um dos primeiros discos desse sardônico cronista urbano para vosso deleite: The Heart Of Saturday Night
Obviamente, quem gostar, pode baixar o santo. Todos devem  conhecer sites que facilitam o download direto do youtube. Eu gosto do http://www.clipconverter.cc.


Meus amigos músicos: Josias

Conheci esse cabra há alguns anos, em Vitória. Engenheiro e, antes de tudo, músico. Ele estava em dúvida, na época, se se dedicaria à música. Meu voto foi e continua sendo a favor. Pouco depois, ele se mudou para o Rio e por lá ficou. Hoje, roda o mundo a tocar as coisas lindas que a Música nos legou. 

Eu, músico amador, adoro tocar acompanhado por um baixo acústico. Josias toca. Muito. Seu feeling, sua segurança e generosidade permitiam a esse descarado saxofonista errar à vontade. Ele sempre dava um jeito de acertar as coisas. Agradeço a sorte de um dia ter podido tocar ao seu lado.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Minha banda de blues

Ouve aí no link. Solo bacana do guitarrista Robson "Rusty"Calefi
Blue Notes: have you ever loved a woman

Como cuidar de um quintal?

Resolvi dar uma passadinha para ver se meu quintal ainda estava no lugar. Está. Abandonado, mas está. Grama alta, ervas daninhas invadindo os espaços, mofo nas parede...
Há muito planejava um retorno. Queria usá-lo como se deve usar um quintal: criando, reunindo, guardando coisas que se gosta. No meu caso, música (jazz, roquenrou, mpb, clássico e o que mais vier e assalte esse velho coração), arte (literatura, pintura, arquitetura, escultura), minhas noites (esbórnias variadas)e motos & viagens (de moto, obviamente).
Jam com Big Bat Blues Band
Amiga cantora

Amiga cantora minimalista

My shadow

Minha estrela da meia-noite


moto de um amigo



  

domingo, 2 de junho de 2013

Sábado - Última noite em RDZ 2013

A noite passada foi longa. Fui tocar o bom e velho roquenrou com amigos. Antes que o sol me incomodasse, fui dormir para poder tocar blues mais à tarde. À noite, em nome do jornalismo verdade, fui assistir o som da última noite do palco principal.
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Will Calhoun abriu a noite com o standard hardbop Afro blue, de Mongo Santamaria (durante muito tempo achei, pelo estilo, que  era coisa de Coltrane). Fiquei animado. A adrenalina afastou o cansaço da longa jornada off festival. O baterista e band leader mostrou que sua técnica é realmente impressionante. Mas ficou por aí. O som seguiu a linha mais contemporânea, explorando efeitos eletrônicos, que poderia ter sido mais equilibrado pela presença do saxofonista smooth Donald Harrison (um tipo de Leo Gandelman). Mas não foi.
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Em seguida, foi a vez do power trio do guitarrista Scott Henderson despejar uma avalanche sonora sobre a platéia.  Destaque-se seu vasto repertório de patterns e frases que usou sem dó nem piedade nos seus longos solos. Os jovens guitarristas de plantão curtiram bastante seu roquenrou jazzy.
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O ovacionado baixista Victor Wooten veio em seguida trazendo seu groove carregado de hip-hop, funk e soul. O tema de abertura (com quatro baixos) foi prejudicado por problemas na sonorização. Falha lamentável. Wooten usou e abusou dos malabarismos com seu instrumento (a galera adora ver piruetas), mas também mostrou suas inovações técnicas no espancamento das cordas. Ao seu lado, Steve Bailey também mostrava serviço com seu baixo de seis cordas (e com o trombone verde). Destaque-se a participação de Krystal Peterson, a loirinha tatuada e dona de bela voz, que se saiu bem interpretando Steve Wonder. 
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A noite foi encerrada por Lucky Peterson que, para os apreciadores do blues, foi quem roubou a cena. Eu ainda fico com Stanley Clarke e, depois, Christian Scott.

sábado, 1 de junho de 2013

Rio das Ostras 2013 - sexta-feira

Grandes músicos dominaram o palco principal na sexta-feira. Grandes e jovens, destaque-se. A banda que acompanhou Arthur Maia deve ter uma média de idade que não ultrapassa 22 anos (dois dignos representantes capixabas lá estavam: o trompetista Bruninho e o trombonista Roger Rocha). O bom e balançado show protagonizado por Rei Arthur e seus Cavaleiros teve seu momento de excentricidade, quando o baixista resolveu cantar algumas de suas composições (boas, diga-se de passagem). Rei que é, Arthur merece e pode até cantar, pois seus súditos aplaudirão (eu entre eles).
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O jazz em sua forma mais radical subiu ao palco com outro jovem e bom instrumentista: Christian Scott, que também trouxe uma banda de garotos. Garotos que se divertem com a força avassaladora que habita a juventude, inspirando e energizando a platéia. Jazz de muito boa qualidade.
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Vernon Reid, como de hábito, plugou a sua guitarra turbinada e metralhou o público num paredão sonoro. Seu som heavy-funk-jazzy intercalou momentos com a bela e sensual Maya Azucena que, além dos atributos canta muito (apesar de ter escolhido temas excessivamente pops para esses velhos ouvidos).
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Fechando a noite, o ícone do baixo Stanley Clarke fez um show e tanto. Esbanjou técnica e desenvoltura tanto no baixo elétrico quanto no acústico. A interpretação de Goodbye Pork Pie hat, com o groove da versão de Jeff Beck, foi excelente. O momento maior até o dia de hoje foi o seu solo com baixo acústico. Ali, ele mostrou que chama a música e seu instrumento de "meus amores", mas não  daquele jeito cheio de reverências e rapapés. Foi uma irreverente declaração de amor - daquelas que faz as amadas sorrirem e iluminarem o ambiente. Estou certo que velho Alzheimer terá dificuldades para tirar esse momento da minha memória. Thanks God!
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PS - o baterista de Stanley também é um garoto: 17 anos. 

Rio das Ostras 2013 - Quinta-feira

Viajar de moto e ouvir boa música. Duas coisas que aprecio e tenho feito. Cheguei em RDZ, apesar de ter de passar por Campos. Contornos às cidades deveriam ser obrigatórios. Ainda mais em lugares como Campos. Penso nessa passagem como uma provação, pois, de outro modo, seria o paraíso. E, segundo consta, essa seria um recanto acessível apenas pós-morte. Na dúvida, vou ficando por aqui administrando meu conhecido inferninho.
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Cheguei na quinta, a tempo de tentar assistir Stanley Clarke na Pedra da Tartaruga. Estava inviável. Muita gente e pouca pedra para pisar. Assistirei na sexta, no palco principal.
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Abriu a noite da morna sexta a furiosa de mórmons BYU Synthesis, que fez uma boa apresentação. Com volume alto, como deve ser. Fiquei pensando se a loirinha tenorista teria direito de ter vários esposos, como é da lei clássica.
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Primeira garrafa de vinho e uma cerveja 9,5º. Entra no palco o violonista Diego Figueiredo. Mise-en-scène à parte, sobrou pouco (apesar da boa cozinha que o acompanhava). A sua performance foi bem aquém de sua precoce fama. Esperemos a maturidade. Pelo jeito a noite permaneceria morna.
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Mais uma garrafa de cabernet com o amigo Dan Mendonça. Vez do smooth Leo Gandelman e seu convidado Charlie Hunter. Nada acrescentou ao show de Santa Teresa. Melhor estava o papo com o amigo. Falamos de atrações que representem o jazz de modo mais radical para convidá-los para Santa Teresa no próximo ano. Ofereci cem merréis para ajudar no cachê ou de James Carter ou de Joshua Redman. Mas seria bom trazer um dos dinossauros, que estão em plena extinção.
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Outra garrafa de Zorzal. Começa a homenagem ao finado guitarrista Celso Blues Boy. O blues comeu solto. O capixaba Saulinho Simonassi estava lá, incandescendo as cordas de sua guitarra. O povaréu curtiu e dançou com o balanço do som do Mississipi.
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Murphy me abraçou quando ia embora: derrapada na areia e mais alguns arranhões para compor a crônica escrita na pele. Sim, deve ter doído, mas eu não me lembro.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

2o Festival Internacional Jazz & Bossa - Santa Teresa - ES




Não dá para falar do festival de Santa Teresa sem destacar, logo de cara, a organização do evento. O espaço escolhido, o palco, o som, a iluminação, as opções de restaurantes, tudo favoreceu o sucesso. O público agradece e pede mais.

Ressalte-se a política adotada pelos organizadores de mesclar atrações locais com aquelas de renome internacional e nacional. Iniciativa que tem aberto portas para nossos músicos em outras plagas (o guitarrista Gean Pierre, assim como fez a Big Bat Blues Band no ano passado, lançará seu disco no festival Rio das Ostras). A participação dos músicos capixabas foi bastante convincente.

Este que vos escreve só pode assistir os shows do sábado e do domingo, o que limita o presente comentário. No entanto, a meu ver e ouvir, as atrações nacionais e internacionais ainda são um pouco tímidas, apesar de incontestavelmente competentes no que se propõem. Creio que, com o inquestionável sucesso do evento, essa será uma barreira facilmente superável.

Entre as atrações nacionais, dois grupos que agradaram sobremaneira o público foram os liderados pelos saxofonistas Derico e Leo Gandelman. É o tipo de show que considero como uma concessão ao público, num tipo questionável de catequese musical. Ambos fazem uma linha menos ousada no campo do jazz (Charlie Hunter, o convidado de Gandelman, pouco acrescentou aos temas restritos do bom smooth saxofonista), mas que reverbera com facilidade na massa. Nada contra, desde que houvesse um contraponto musical. E foi justamente aqui que faltou ousadia (ou grana) para mostrar algo mais da linguagem jazzística. Ainda espero assistir um grande nome do mainstream ou da vanguarda espalhando sua música nas montanhas teresenses.

A galera que curte o blues deve ter ficado mais feliz com as performances dos bluesmen John Prime, Big Joe Manfra, mais os capixabas Saulo Simonassi e Big Bat (até eu aproveitei e fiz um som Off Festival, na rua do Lazer, com os amigos do Blue Notes). O ritmo negro norte-americano, sem dúvida, arrebata as almas e os corações.

Um show interessante foi protagonizado pelo baixista Bruce Henri (que contou com o apoio do impecável André Tandeta na bateria). Suas releituras bluesy de clássicos do jazz, como Don’t get around much anymore, agradou bastante a todos.

A bossa foi bem representada por Menescal, que trouxe a ex-roqueira Andrea Amorim como sua nova parceira. Alma flexível, o capixaba Menescal se permite aventuras. Fato que o mantém com uma eterna jovialidade associada ao crescente rigor musical. O resultado: novos balanços, mas com sua sutileza harmônica preservada.

Aguardemos o próximo.