sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Blues & Neon



Compus esse tema em 1987, com a ajuda harmonizadora de Danilo Diniz. Eu a interpretei algumas vezes com os amigos da banda Urublues (Vitória, ES) no inicio dos anos noventa, creio. Mas, depois disso, a musica ficou esquecida no armário. 

Como já estou chegando à terceira idade, resolvi gravar minhas músicas. Contei com a ajuda do guitarrista e arranjador Fernando Vieira, que recuperou o clima original. Grato, maestro.

O som foi gravado no Estúdio Ventura, do pianista Bruno Venturim, no dia 31/11/2015.


O vídeo foi feito com celular. As imagens das ruas e cidades foram baixadas do Youtube.
Edição minha :)



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

The Grateful Dead





Estou assistindo o documentário The other one, sobre o trajeto do guitarrista Bob Weir na psicodélica banda Grateful Dead e, principalmente, sua amizade com Garcia. Os meninos, movidos a lsd, embarcaram numa viagem muito louca, ao lado do beat Neal Cassidy, influenciando toda uma geração. Muito legal ouvir depoimentos, histórias, e ver cenas fantásticas do final dos anos sessenta e dos anos setenta. Mais legal ainda é ver como os camaradas criam suas canções, suas concepções sobre a música.
Deixo, para vosso deleite, o lp Workingman's dead, de 1970. Se quiser baixar, pode usar o clipconverter.cc, site que facilita a operação

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Coltrane changes

Vez e outra, no título de seus lps, Coltrane brinca com as palavras, joga com o sentido destas, propiciando diversas leituras. Coisa de jazzista, de criador. Brincar com a homofonia entre train e trane é um desses momentos. O lp, no caso, é Blue train, de 1957 (aliás, não sei se foi ele mesmo quem batizou seus discos, mas se não foi ele, foi alguém que embarcou na sua viagem). Trem azul, Trane triste, polissemia que, enfim, Coltrane explora em seus solos, transforma em música nos seus famosos "changes", "Coltrane changes", que se tornaram objeto de estudo obrigatório para todos que pensam em tocar jazz
Esse lp contém um dos standards coltraneanos mais executados pelos jazzistas nos botecos espalhados pelo mundo: justamente a faixa título - Blue train. Observem como Trane constrói seus solos, alternando tom menor e maior. Outro tema bom de tocar é Lazy bird, mas que a galera não toca muito (pelo menos os meus conhecidos). 
O disco completo está disponível no youtube. Quem quiser baixar pode usar o clipconverter.cc, conversor online de fácil manuseio. Deleitem-se:
https://youtu.be/VIpNrRCI48E  

domingo, 27 de setembro de 2015

Japa!

Há algum tempo, um ou dois anos, quiçá três, passando por Vila Velha, república vizinha a Vitória, ouvi uma japinha cantando. Visceral, encanta a platéia - eu, incluso. Fominha, sem pedir licença, toquei com o grupo. Desde então, sempre que possível, vou vê-la e ouvi-la. Seu nome: Yumi Hirose. Pitonisa do oráculo de São Roquenrou.

Aqui, meu tributo à musa:



Dexter Gordon - The Panther!







Dexter Gordon é um dos tenoristas que mais me agradam. Seu sopro expressivo, rascante, guarda um certo lirismo que me impressiona (outros há com esse traço - Rollins, por exemplo). Enquanto escrevo, estou ouvindo o lp The Panther.  Discaço. Ladeando mr. Gordon estão Tommy Flanagan (piano), Larry Ridley (baixo) e Alan Dawson (bateria).



A faixa título, do próprio Dexter, já dá aquela vontade louca de tocar. Segue a insofismável Body and soul, em que nosso herói constrói um improviso bastante interessante (principalmente no final, quando toca vários compassos sozinho). Valse Robin, como já diz, é uma valsa - daquelas que consegue acalentar os demônios. Mrs Miniver deve ser uma pessoa bastante legal. O tema com seu nome é alto astral e preserva uma boa dose de elegância e leveza (gostaria de conhecê-la). Como o natal se aproxima, a próxima canção pode fazer parte da trilha sonora do jantar com os amigos e familiares: Christmas song. Para encerrar, Dexter saca o tema Blues Walk, de Lou Donaldson, outra que joga o astral lá em cima. Vale a aquisição.

Quem estiver duro e não puder comprar o lp, há a alternativa de usar um dos programinhas para baixar do youtube (a qualidade do som não é a mesma, mas dá pra segurar a onda até entrar a grana para a compra) - eu uso o Clipconverter.cc 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tom Waits

Tom waits é uma alma indômita. Iconoclasta por excelência, suas letras abordam, sempre com uma boa dose de ironia, o cotidiano e os valores de sua sociedade. Sua música não se prende a estereotipias estilísticas - usa tudo que está ao seu alcance (jazz, blues, folk etc), gerando uma sonoridade peculiar. Deixo um dos primeiros discos desse sardônico cronista urbano para vosso deleite: The Heart Of Saturday Night
Obviamente, quem gostar, pode baixar o santo. Todos devem  conhecer sites que facilitam o download direto do youtube. Eu gosto do http://www.clipconverter.cc.


Meus amigos músicos: Josias

Conheci esse cabra há alguns anos, em Vitória. Engenheiro e, antes de tudo, músico. Ele estava em dúvida, na época, se se dedicaria à música. Meu voto foi e continua sendo a favor. Pouco depois, ele se mudou para o Rio e por lá ficou. Hoje, roda o mundo a tocar as coisas lindas que a Música nos legou. 

Eu, músico amador, adoro tocar acompanhado por um baixo acústico. Josias toca. Muito. Seu feeling, sua segurança e generosidade permitiam a esse descarado saxofonista errar à vontade. Ele sempre dava um jeito de acertar as coisas. Agradeço a sorte de um dia ter podido tocar ao seu lado.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Minha banda de blues

Ouve aí no link. Solo bacana do guitarrista Robson "Rusty"Calefi
Blue Notes: have you ever loved a woman

Como cuidar de um quintal?

Resolvi dar uma passadinha para ver se meu quintal ainda estava no lugar. Está. Abandonado, mas está. Grama alta, ervas daninhas invadindo os espaços, mofo nas parede...
Há muito planejava um retorno. Queria usá-lo como se deve usar um quintal: criando, reunindo, guardando coisas que se gosta. No meu caso, música (jazz, roquenrou, mpb, clássico e o que mais vier e assalte esse velho coração), arte (literatura, pintura, arquitetura, escultura), minhas noites (esbórnias variadas)e motos & viagens (de moto, obviamente).
Jam com Big Bat Blues Band
Amiga cantora

Amiga cantora minimalista

My shadow

Minha estrela da meia-noite


moto de um amigo



  

domingo, 2 de junho de 2013

Sábado - Última noite em RDZ 2013

A noite passada foi longa. Fui tocar o bom e velho roquenrou com amigos. Antes que o sol me incomodasse, fui dormir para poder tocar blues mais à tarde. À noite, em nome do jornalismo verdade, fui assistir o som da última noite do palco principal.
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Will Calhoun abriu a noite com o standard hardbop Afro blue, de Mongo Santamaria (durante muito tempo achei, pelo estilo, que  era coisa de Coltrane). Fiquei animado. A adrenalina afastou o cansaço da longa jornada off festival. O baterista e band leader mostrou que sua técnica é realmente impressionante. Mas ficou por aí. O som seguiu a linha mais contemporânea, explorando efeitos eletrônicos, que poderia ter sido mais equilibrado pela presença do saxofonista smooth Donald Harrison (um tipo de Leo Gandelman). Mas não foi.
                                      *    *    *
Em seguida, foi a vez do power trio do guitarrista Scott Henderson despejar uma avalanche sonora sobre a platéia.  Destaque-se seu vasto repertório de patterns e frases que usou sem dó nem piedade nos seus longos solos. Os jovens guitarristas de plantão curtiram bastante seu roquenrou jazzy.
                                    *     *     *
O ovacionado baixista Victor Wooten veio em seguida trazendo seu groove carregado de hip-hop, funk e soul. O tema de abertura (com quatro baixos) foi prejudicado por problemas na sonorização. Falha lamentável. Wooten usou e abusou dos malabarismos com seu instrumento (a galera adora ver piruetas), mas também mostrou suas inovações técnicas no espancamento das cordas. Ao seu lado, Steve Bailey também mostrava serviço com seu baixo de seis cordas (e com o trombone verde). Destaque-se a participação de Krystal Peterson, a loirinha tatuada e dona de bela voz, que se saiu bem interpretando Steve Wonder. 
                                *     *     *
A noite foi encerrada por Lucky Peterson que, para os apreciadores do blues, foi quem roubou a cena. Eu ainda fico com Stanley Clarke e, depois, Christian Scott.

sábado, 1 de junho de 2013

Rio das Ostras 2013 - sexta-feira

Grandes músicos dominaram o palco principal na sexta-feira. Grandes e jovens, destaque-se. A banda que acompanhou Arthur Maia deve ter uma média de idade que não ultrapassa 22 anos (dois dignos representantes capixabas lá estavam: o trompetista Bruninho e o trombonista Roger Rocha). O bom e balançado show protagonizado por Rei Arthur e seus Cavaleiros teve seu momento de excentricidade, quando o baixista resolveu cantar algumas de suas composições (boas, diga-se de passagem). Rei que é, Arthur merece e pode até cantar, pois seus súditos aplaudirão (eu entre eles).
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O jazz em sua forma mais radical subiu ao palco com outro jovem e bom instrumentista: Christian Scott, que também trouxe uma banda de garotos. Garotos que se divertem com a força avassaladora que habita a juventude, inspirando e energizando a platéia. Jazz de muito boa qualidade.
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Vernon Reid, como de hábito, plugou a sua guitarra turbinada e metralhou o público num paredão sonoro. Seu som heavy-funk-jazzy intercalou momentos com a bela e sensual Maya Azucena que, além dos atributos canta muito (apesar de ter escolhido temas excessivamente pops para esses velhos ouvidos).
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Fechando a noite, o ícone do baixo Stanley Clarke fez um show e tanto. Esbanjou técnica e desenvoltura tanto no baixo elétrico quanto no acústico. A interpretação de Goodbye Pork Pie hat, com o groove da versão de Jeff Beck, foi excelente. O momento maior até o dia de hoje foi o seu solo com baixo acústico. Ali, ele mostrou que chama a música e seu instrumento de "meus amores", mas não  daquele jeito cheio de reverências e rapapés. Foi uma irreverente declaração de amor - daquelas que faz as amadas sorrirem e iluminarem o ambiente. Estou certo que velho Alzheimer terá dificuldades para tirar esse momento da minha memória. Thanks God!
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PS - o baterista de Stanley também é um garoto: 17 anos. 

Rio das Ostras 2013 - Quinta-feira

Viajar de moto e ouvir boa música. Duas coisas que aprecio e tenho feito. Cheguei em RDZ, apesar de ter de passar por Campos. Contornos às cidades deveriam ser obrigatórios. Ainda mais em lugares como Campos. Penso nessa passagem como uma provação, pois, de outro modo, seria o paraíso. E, segundo consta, essa seria um recanto acessível apenas pós-morte. Na dúvida, vou ficando por aqui administrando meu conhecido inferninho.
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Cheguei na quinta, a tempo de tentar assistir Stanley Clarke na Pedra da Tartaruga. Estava inviável. Muita gente e pouca pedra para pisar. Assistirei na sexta, no palco principal.
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Abriu a noite da morna sexta a furiosa de mórmons BYU Synthesis, que fez uma boa apresentação. Com volume alto, como deve ser. Fiquei pensando se a loirinha tenorista teria direito de ter vários esposos, como é da lei clássica.
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Primeira garrafa de vinho e uma cerveja 9,5º. Entra no palco o violonista Diego Figueiredo. Mise-en-scène à parte, sobrou pouco (apesar da boa cozinha que o acompanhava). A sua performance foi bem aquém de sua precoce fama. Esperemos a maturidade. Pelo jeito a noite permaneceria morna.
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Mais uma garrafa de cabernet com o amigo Dan Mendonça. Vez do smooth Leo Gandelman e seu convidado Charlie Hunter. Nada acrescentou ao show de Santa Teresa. Melhor estava o papo com o amigo. Falamos de atrações que representem o jazz de modo mais radical para convidá-los para Santa Teresa no próximo ano. Ofereci cem merréis para ajudar no cachê ou de James Carter ou de Joshua Redman. Mas seria bom trazer um dos dinossauros, que estão em plena extinção.
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Outra garrafa de Zorzal. Começa a homenagem ao finado guitarrista Celso Blues Boy. O blues comeu solto. O capixaba Saulinho Simonassi estava lá, incandescendo as cordas de sua guitarra. O povaréu curtiu e dançou com o balanço do som do Mississipi.
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Murphy me abraçou quando ia embora: derrapada na areia e mais alguns arranhões para compor a crônica escrita na pele. Sim, deve ter doído, mas eu não me lembro.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

2o Festival Internacional Jazz & Bossa - Santa Teresa - ES




Não dá para falar do festival de Santa Teresa sem destacar, logo de cara, a organização do evento. O espaço escolhido, o palco, o som, a iluminação, as opções de restaurantes, tudo favoreceu o sucesso. O público agradece e pede mais.

Ressalte-se a política adotada pelos organizadores de mesclar atrações locais com aquelas de renome internacional e nacional. Iniciativa que tem aberto portas para nossos músicos em outras plagas (o guitarrista Gean Pierre, assim como fez a Big Bat Blues Band no ano passado, lançará seu disco no festival Rio das Ostras). A participação dos músicos capixabas foi bastante convincente.

Este que vos escreve só pode assistir os shows do sábado e do domingo, o que limita o presente comentário. No entanto, a meu ver e ouvir, as atrações nacionais e internacionais ainda são um pouco tímidas, apesar de incontestavelmente competentes no que se propõem. Creio que, com o inquestionável sucesso do evento, essa será uma barreira facilmente superável.

Entre as atrações nacionais, dois grupos que agradaram sobremaneira o público foram os liderados pelos saxofonistas Derico e Leo Gandelman. É o tipo de show que considero como uma concessão ao público, num tipo questionável de catequese musical. Ambos fazem uma linha menos ousada no campo do jazz (Charlie Hunter, o convidado de Gandelman, pouco acrescentou aos temas restritos do bom smooth saxofonista), mas que reverbera com facilidade na massa. Nada contra, desde que houvesse um contraponto musical. E foi justamente aqui que faltou ousadia (ou grana) para mostrar algo mais da linguagem jazzística. Ainda espero assistir um grande nome do mainstream ou da vanguarda espalhando sua música nas montanhas teresenses.

A galera que curte o blues deve ter ficado mais feliz com as performances dos bluesmen John Prime, Big Joe Manfra, mais os capixabas Saulo Simonassi e Big Bat (até eu aproveitei e fiz um som Off Festival, na rua do Lazer, com os amigos do Blue Notes). O ritmo negro norte-americano, sem dúvida, arrebata as almas e os corações.

Um show interessante foi protagonizado pelo baixista Bruce Henri (que contou com o apoio do impecável André Tandeta na bateria). Suas releituras bluesy de clássicos do jazz, como Don’t get around much anymore, agradou bastante a todos.

A bossa foi bem representada por Menescal, que trouxe a ex-roqueira Andrea Amorim como sua nova parceira. Alma flexível, o capixaba Menescal se permite aventuras. Fato que o mantém com uma eterna jovialidade associada ao crescente rigor musical. O resultado: novos balanços, mas com sua sutileza harmônica preservada.

Aguardemos o próximo.

domingo, 19 de maio de 2013

O retorno a Santa Teresa

Há quase um ano por aqui não passo. Retorno e, quero crer, para não mais sair. Sinto falta do bom e velho jazz. Por isso, também estou de malas prontas para o festival Santa Teresa Jazz e Bossa. Espero não me decepcionar. Pelo que vi na programação, o jazz e a bossa estão em desvantagem. Predominam blues e roquenrou. Nada contra, pois mesmo eu arriscarei umas notas no sábado à tarde com o Blue Notes, grupo do qual faço parte.  
Deixo-vos, nesse primeiro contato, o filme New Orleans, de 1947, que conta com a participação de grandes nomes do jazz da época, e com um momento com meus amigos músicos no Wunderbar, interpretando Night and day.


sábado, 9 de junho de 2012

Impressões Teresenses

Alegria


Esse é o estado de espírito que domina este ultimamente pouco presente virtual escriba em relação ao Jazz & Bossa de Santa Teresa, nas montanhas capixabas. Alegria justificada pelas boas performances dos músicos que lá se apresentaram, pela estrutura do local, pelo som, pela platéia, pela agradável cidade.

Em conversas que travei com Pedro Trêpa, parceiro de Zé Olavo na organização do evento, eu comentei temer que a estrutura da cidade não permitisse um evento cujo público tende a ser mais exigente. Temor vão, pois tudo correu muito bem. Considerando ser este o primeiro de, espero, muitos outros, o resultado foi muito bom. E a tendência é que, com a experiência em eventos desse tipo, a cidade (especialmente os comerciantes) vá se organizando para oferecer mais conforto para todos. Organização necessária, já que provavelmente crescerá o número de visitantes apreciadores da boa música.

O espaço onde aconteceu o festival é confortável e protegido (para o caso de chuva), garantindo a tranqüilidade dos visitantes. O palco baixo também foi uma boa sacada, pois permitiu uma maior proximidade, visualização e interação com os astros convidados. A atual configuração - três shows para cada uma das duas noites e mais dois shows na tarde do domingo - mostrou-se plenamente satisfatória.

As Atrações:

O festival pode ser considerado um elogio, uma homenagem à guitarra. As principais atrações pilotaram o sedutor instrumentos de cordas e um dos principais da música popular. Tudo começou com o jovem e talentoso guitarrista capixaba Bruno Mangueira, que fez um show bem estruturado, no qual mostrou sua habilidade de harmonizador e solista (destaque-se as suas belas composições). Na sequência, veio Hélio Delmiro, que transformou o trio Azimuth em um quarteto. É muito bom rever músicos que marcaram a história da música instrumental brasileira subir ao palco e mostrarem que ainda mantêm a verve, a pegada, o balanço que os tornaram conhecidos internacionalmente. Feliz, ainda, por ver Hélio Delmiro com saúde e com dedos ágeis de sempre. O fim da primeira noite foi com o bluesman Roy Rogers, que fez a alegria dos aficionados do ritmo do delta do Mississipi. O rei da slide guitar mostrou porque é considerado um dos grandes nomes a pilotar a guitarra. A galera foi dormir feliz.

A segunda noite começou com a apresentação de uma banda de músicos capixabas formada especialmente para o evento: Zé Moreira (guitarra), Chriso Rocha (guitarra), Kako Dinellis (baixo), Pedro Alcântara (teclados) e Gabriel Ruy (bateria). A performance dos meninos fez jus a qualquer palco de festival de jazz. Intercalando standards da música brasileira com composições próprias, os guitarristas mostraram feeling e swing o suficiente para a platéia clamar por um bis. Ithamara Koorax subiu ao palco disposta a arrancar aplausos, mesclando clássicos do jazz com sucessos da música pop nacional. E conseguiu. O público retribuiu com carinho a sua transitividade musical. O grand finale ficou por conta do guitarrista Ricardo Silveira, que se fez acompanhar por Arthur Maia (baixo), Kiko Freitas (bateria) e pelo pianista português Miguel Braga. O show foi contagiante, com os astros não deixando dúvidas sobre o domínio que exercem sobre seus instrumentos. Ao final, em uma homenagem ao finado baixista Nico Assumpção, a platéia fez um emocionante coro puxado por Arthur Maia (confiram o vídeo). Final espetacular.

Infelizmente, não pude assistir os shows do excelente pianista capixaba Fabiano Araújo nem do percussionista Scott Feiner, que fecharam o festival. Mas o balanço geral não poderia ser outro: sucesso! Aguardemos o segundo.

domingo, 13 de maio de 2012

Um papo com os organizadores do Santa Teresa Jazz & Bossa

Conversei brevemente com Zé Olavo sobre o esperado festival de boa música que acontecerá no início de junho em Santa Teresa, nas montanhas espírito-santenses. Contou-me o bravo empreendedor sobre as dificuldades e as parcerias para, enfim, realizar o projeto que tem povoado sua cabeça (e a de Pedro Trêpa, parceiro na empreitada). 

Origem do projeto:"O Projeto do Festival começou há 03 anos. O
 objetivo do Evento, além de proporcionar momentos de cultura e 
lazer é consolidar a região das Montanhas Capixabas como destino turístico para um público que aprecie boa música". 

Dificuldades para consolidação do projeto:

"As dificuldades são muitas, pois não se trata apenas de um Festival de Música. ë um projeto que envolve o Trade Turistico e empresarios do local onde vai acontecer o evento, envolve o poder publico tanto estadual como municipal já que a proposta é de um evento aberto sem cobrança de ingresso. Inicialmente o Festival estava previsto para acontecer em Pedra Azul, porém por uma demanda do governo do Estado, através da Secretaria de Turismo, o evento acontecerá em Santa Teresa, no Parque de Exposição da Cidade e no domingo na Praça Augusto Ruschi ( já que no dia 03 é a data da morte dele ). Esta mudança me deixou muito empolgado, pois a cidade é linda, possui uma das maiores biodiversidades do mundo, a infraestrutura do Parque é ótima. Ou seja, cenário perfeito  para um Festival de Jazz e Bossa da melhor qualidade."



As parcerias: 


"Até o momento temos os seguintes parceiros: O Governo do Estado através da SETUR, Prefeitura de Santa Teresa, SEBRAE e SECULT. Estamos trabalhando com uma parceria com o Stenio Mattos (Produtor de Rio das Ostras ), Pedro Trepa e uma assessoria especial do nosso amigo Dan Mendonça."

A boa nova:

O festival veio para ficar.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Jazz nas montanhas capixabas

O primeiro semestre de 2012 tem sido alvissareiro para os capixabas apreciadores da boa música. Há pouco, nos deleitamos com o festival da praia de Manguinhos, agora chegou a vez das montanhas. Acontecerá no início de junho, em Santa Teresa, aprazível reduto ao norte de Vitória, o primeiro festival internacional de jazz e bossa.

Os organizadores, atentos às idas e vindas dos grandes músicos, aproveitaram-se da proximidade com o festival de Rio das Ostras e convidaram alguns astros que participarão deste que já se tornou uma tradição no Brasil (atrai milhares de crianças, jovens, adultos e mais que adultos ao litoral norte do Rio de Janeiro). Destaque-se que as apresentações em Santa Teresa também serão gratuitas.



Os astros convidados são o grupo Azymuth (que contará com grande guitarrista Hélio Delmiro), a cantora Ithamara Koorax, o guitarrista e violonista Ricardo Silveira e a All Star Band (com o baixista Arthur Maia e o baterista Kiko Freitas). Os músicos capixabas estarão muito bem representados por Bruno Mangueira, Pedro Alcântara e Fabiano Araújo.
Para os apreciadores do r&b (eu, entre eles) a grande atração será o guitarrista californiano Roy Rogers & The Delta Rhythm King, promessa de arrebatamento para os fãs do slide. O percussionista nova-iorquino Scott Feiner também mostrará sua arte  com o Jazz Pandeiro.
Eis a programação:
- Dia 1º de junho - Sexta-feira
19h Abertura Oficial - Parque de Exposições e Eventos
20h Show regional - Bruno Mangueira
22h Show nacional - Azimuth e Hélio Delmiro
00h Show internacional - Roy Rogers & The Delta Rhythm King
- Dia 02 de junho - Sábado - Parque de Exposição e Eventos
14h Auto Top 30 - 1o Encontro de veículos Destaques Veteran Car Club
18h Show regional - Pedro Alcântara e Convidados
20h Show nacional - Ithamara Koorax
22h Show nacional - Ricardo Silveira e All Star Band
- Dia 03 de junho - Domingo - Praça Augusto Ruschi
10h Desfile de Veículos Antigos Veteran Car Club
11h Show regional - Fabiano Araújo
12h30min Show Internacional - Scott Fiener Jazz Pandeiro

domingo, 8 de abril de 2012

Sábado de aleluia e jazz

Cheguei tarde para ouvir o Trio 22, grupo formado por Bruno Venturin, Fausto Pizzol e Diego Frasson. Meninos (já nem tão meninos assim) que sustentam uma das trincheiras do jazz vitoriano, lá na rua da Lama. Cheguei a tempo de ouvir as jovens promessas selecionadas pela patrocinadora do evento (a Fames). Promessas que, se seguirem as orientações dos seus bons mestres, poderão alçar belos vôos no céu musical.

A primeira boa atração apreciada poreste admirador do jazz, foi o grupo Brasilidade Geral (foto), capitaneado pelos irmãos Rocha e por Bruninho. Os arranjos dos sopros (dois trombones, dois saxes, um trompete) são impecáveis. Acrescente-se a dinâmica do grupo, sempre muito equilibrada. Agradou-me especialmente o tema composto pelo excelente saxofonista Roger
Rocha (o segundo interpretado). Os jovens músicos fizeram show para qualquer palco desse mundinho cão.

Posso dizer que a noite estava tão agradável que a idéia orquestrada por sei lá quem de interromper o som (possível interferência do patrocinador) para a apresentação de uma banda de congo não conseguiu me tirar do bom astral. Lembrei que até eu gravei um congo (devidamente transfigurado pelo arranjador Wanderson Lopes). Enfim, o congo é a identidade cultural o ES e não me furtei a curtir os belos e longos solos de casaca.

A atração que eu aguardava veio a seguir: Marcelo Coelho e Rodrigo Dominguez. O capixaba radicado no mundo e o portenho idem. O som dos dois saxofonistas eu já conhecia de cds. Som de vanguarda, que poderia soar estranho aos ouvidos de jovens ouvintes. Apreensão boba, a minha.
A performance do grupo foi apoteótica para este que agora escreve e também para todos aqueles que estiveram em Manguinhos para curtir jazz.

Os patterns do baixo e a pulsação precisa do baterista (perdoem-me por não lembrar seus nomes, camaradas) mantiveram os dois solistas num ambiente propício a grandes viagens. Marcelo e Rodrigo mostraram-se como são: excelentes instrumentistas com uma capacidade ímpar de criar trilhas com as pedras que a harmonia lhes fornece. Embriaguei-me com a radical sonoridade explorada pelo grupo que, ao vivo, pôde apresentar toda sua expressividade.

O que estava bom ficou ainda melhor quando Ademir subiu ao palco para uma jam (o tema foi composto por Rodrigo especialmente para esse momento) - três cachorros grandes arquitetando labirintos sonoros fantásticos. O show, como um todo, propiciou momentos inesquecíveis de força e lirismo que renovaram a minha crença de que o jazz ainda tem uma longa vida pela frente.

A noite encerrou com a sempre correta apresentação do grande músico Gilson Peranzetta (em show dedicado ao pianista Luís Eça), que mais uma vez mostrou aos vitorianos e serráqueos a sua sensibilidade de arranjador e intérprete. Detaque-se a luxuosa participação, ao violão, de Chico Pinheiro.

PS - depois eu postarei alguns vídeos gravados por Luiza, minha assessora e filha.

sábado, 7 de abril de 2012

Jazz & Blues em Manguinhos


Os bons ventos sopram sobre o Espírito Santo.

Após vários anos, conseguiu-se, enfim, produzir um festival de jazz (ou jazz e blues, como queiram) em nossa bela terra. O local escolhido para esse primeiro encontro não poderia ser melhor: a praia de Manguinhos, bucólico recanto sito em Serra, a alguns minutos de Vitória. Não há como não congratular os envolvidos na produção do evento, pois, como costumamos dizer, parece que tem uma queixada de burro enterrada em algum lugar por aqui, emperrando quaisquer iniciativas.

A programação destaca atrações locais e algumas nacionais. Entre as locais, privilegiou-se a participação dos professores e alunos da Fames (faculdade de música, um dos patrocinadores), que, há pouco tempo, abriu as portas para a música popular e tem propiciado o surgimento de alguns talentos na arte musical. Obviamente, esse aspecto acabou por amarrar as mãos dos produtores, que não puderam incluir alguns nomes que, nos últimos anos, têm mantido acesa a chama do jazz no Espírito Santo (Zé Moreira, Fabiano Araújo e Wanderson Lopes, por exemplo). Prática que, segundo um dos organizadores, se esforçarão para não repetir no próximo ano.

Mas alguns jazzistas históricos foram incluídos: o trio formado por Afonso Abreu, Neneco e Grijó (que, infelizmente, não assisti); o guitarrista Gean Pierre (com alunos da Fames), o valente Trio 22 (Bruno, Fausto e Diego - que sempre estão na Lama mostrando o bom e velho jazz). Outro grupo que merece a atenção do público é o Brasilidade Geral, que se apresentará hoje (lá estarei para conferir os seus bem elaborados arranjos para sopros).

Não pude curtir completamente o som da sexta (os amigos do Big Bat blues band contaram com a participação de Jefferson Gonçalves, e deve ter sido bom - como sempre). Ouvi apenas o francês radicado em Vitória, Jeremy Naud, mais voltado para world music (a participação luxuosa de Wanderson Lopes acrescentou mais brilho à cena). A curiosidade ficou por conta do cantor popular local Carlos Papel (outro convidado de Naud), que arriscou arranjos com groove jazzy em duas de suas boas composições, mas, definitivamente, apesar de divertido, o jazz não é sua praia.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

De volta pra casa


Caramba, como foi difícil achar um maço de continental sem filtro! Consegui achar um, já amarelado pelo tempo, no armazém do Agenor, em Mucurici.

Enfim, cheguei no meu quintal. E encontrei na caixa postal um cd que me foi enviado do japão. O disco é um disco de música brasileira, com direito a banquinho e violão (curioso como os japas curtem os sons do mundo). Pilotando os dois instrumentos está Pituco Freitas. Um cara corajoso, esse tal Pituco. Enfrenta godzilas, tsunamis, terremotos, furacões e o desafio maior de, com a voz e os acordes do seu violão, defender temas
de figuras que não primam pela simplicidade, como é o caso de Johnny Alf. O resultado foi um disco agradável de se ouvir, que merece ser ouvido e reouvido. E foi isso que eu fiz.

Estiquei-me na rede, liguei meu continental curtido e abri a garrafa de cipó-cravo que ganhei em São Mateus e deixei o cd rolar com o repeat ligado.

Curtam Disse alguém (versão sensacional de All of me, já defendida por João Gilberto) e Eu e a brisa.