segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Karrin Allyson - Saturday night at Ouro Preto

Da programação do centro de convenções, no sábado, eu aguardava as apresentações de Nicholas Payton e de Christian McBride. De Karrin Allyson e do cubano Omar Sosa, os outros dois shows, eu não esperava grande coisa. O fato foi que a coisa saiu bem melhor do que a encomenda.
O show de abertura foi com a cantora e pianista Karrin Allyson, pra quem eu torcia o nariz em função da sua obstinada mania de cantar em português. Bobagem minha, afinal eu também massacro o "debuq izond têibou" nos botecos de Vitória. Eu disse "torcia" porque parei de torcer. O show da menina foi muito bom. O seu senso rítmico e sua voz bem posta casaram-se muito bem com o trio que a acompanhou: Todd Strait (bateria), Ed Howard (baixo acústico) e o excelente violonista Rod Fleeman. Karrin mostrou domínio de cena e da música (construiu scats muito bons e pilotou o piano com eficiência) mantendo um clima cool agradabilíssimo. O repertório bem equilibrado entre bossas e standards foi interpretado com muita sensibilidade e swing, por ela e pelo grupo.
O show me surprendeu - reforçando a idéia de que "ao vivo é melhor". O mais agradável, pelo menos para mim, foi a performance de Rod Fleeman (sem desmerecer o conjunto da obra). Ele é daqueles músicos que, em suas interpretações, transpiram música. O seu fraseado é preciso, buscando com agilidades as notas necessárias para a construção de solos - sem excessos de dissonâncias, sem incursões outsides. A cada solo construído por Rod a platéia retribuía com aplausos calorosos.
Eu, obviamente, fui agradecer pessoalmente o bom início de noite.

4 comentários:

ReAl disse...

Salsa,
Não deixe de falar sobre o basfond do festival - os botecos, a rua, as jams, os incidentes (já soube que você encarou um poste com o seu carro). Essa parte também é divertida.

Salsa disse...

Está em meus planos. Mas eu não beijei nenhum poste, não. Foi uma corrente fechando a rua escura.

John Lester disse...

Prezado Mr. Salsa, não dê atenção aos invejosos que não puderam comparecer ao Tudo é jazz 2008 e ficam criticando seu modo de dirigir.

Continue com suas notas de viagem e, por favor, não esqueça os detalhes sórdidos desse que é, sem dúvida, o melhor festival brasileiro de jazz da atualidade.

Grande abraço, JL.

Anônimo disse...

Que Inveja, sua foto com a Karrin Allyson.
Um abraço Osvaldo