quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Omar Sosa: nem tudo é jazz 2008



A polêmica ficou por conta do terceiro show da noite. Os jazzistas de plantão subiram nas tamancas por conta do som do pianista performático cubano Omar Sosa. Razão eles tinham, afinal nem tudo pode ser classificado como jazz, jazz, jazz de marré de si. Um deles chegou a me dizer que o grande mérito do cubano foi desafinar o piano (exagero, obviamente) e atrasar o próximo show. Outra queixa ouvida: se ele ainda tocasse uns rítmos caribenhos talvez desse para engolir, mas o som era outro (o fato é que tinha algo desses ritmos, mas torcidos, retorcidos e atravessados por outros discursos musicais - sem nenhum tipo de eugenia musical).



A massa ignara dos preceitos jazzísticos, no entanto, se deixou levar pelo balanço e pelas presepadas de Omar (foto) e seus comparsas africanos, que enveredaram por um amálgama de sons étnicos. Eu, que já estava turbinado por 375 ml de Jack Daniels, fui com a turba morro a baixo. A miscelânea sonora trazia elementos hip-hop conduzidos por batuques afros e por um piano que, sim, senhores, trazia elementos a la Jarret. O modo pontual como Sosa atacava o piano, suas frases curtas mas com uma boa dose de lirismo, e também a força percussiva em aguns momentos, soaram interessantes para esse volúvel jazzista. O placar, para alguns, estava 2x1 para a boa música - Sosa teria sido um gol contra. Para mim, o placar ficou 2,6x0,4 (por concordar que não se tratava de jazz, mas que foi divertido, foi).

Um comentário:

FIGBATERA disse...

Em quase todo festival de jazz, atualmente, a gente tem que aguentar esses sons "diferentes".
Eu tb prefiro que seja só jazz!