terça-feira, 7 de abril de 2009

Ruby Braff

Ruby Braff é um cara rodado, com longa história no livro do jazz. Esse bostoniano (êpa!) tem um modo de tocar bastante tradicional: tem os pés fincados em terreno cultivado por Armstrong. O som exalado de seus instrumentos (corneta e trompete - embora seus trabalhos valorizem mais o som encorpado do primeiro) mantém-se com a aura do suíngue.

Estou ouvindo dois cds: Ruby Braff And His New England Songhounds v.1 e 2. Ambos contam com as participações de Scott Hamilton (tenor), Howard Alden (guitarra), Dave McKenna (piano), Frank Tate (baixo) e Alan Dawson (bateria). O clima é agradabilíssimo. Os músicos, todos de primeira linha, conseguem sustentar o pique (slow ou up) com uma gentileza que é para poucos. A comissão de frente, formada por Braff, Hamilton e Alden, parece que foi formada no berço, tamanho o entrosamento. McKenna não faz feio ao piano, do mesmo modo que Tate e Dawson, com seus respectivos intrumentos. Quem, como eu, curtir um som mais tradicional, vai gostar.

Deixarei duas faixas no podcast Quintal do Jazz.

Os links: aqui e aqui

sábado, 4 de abril de 2009

What now?


É assim que a coisa funciona: a gente dá uma saidinha e quando retorna a casa está toda reformada. Ficou bacana, Salsa, mas ainda bem que não sou eu quem paga a conta. O máximo que eu posso fazer é trazer mais uma pequena contribuição para que o blog mantenha o pique de produtividade.
Manterei o tema "baterista". Só que, aqui, ele foi eliminado. E, diabos, não fez falta. O disco é What now?, do flugelhornista Kenny Wheeler. O disco foi gravado nos dois primeiros dias de junho de 2004, em Nova Iorque. Achei o trabalho danado de bom. Os membros do grupo já se conhecem de outros trabalhos, fato que explica o bom entrosamento (embora digam por aí que grandes músicos não precisam disso). Agradou-me as frases entrecruzadas pelo flugelhornista e pelo tenorista Chris Potter, o singular double bass de Dave Holland mais o piano pontual de John Taylor, que produzem um efeito mais que satisfatório. A ausência da bateria pareceu-me estender um pouco mais a sonoridade dos instrumentos, propiciando maior profundidade (como se fosse um filme 3D).
Vocês poderão curtir o som ali no podcast do Jazz Contemporâneo.
O link: here!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Taylor's wailers

"Baterista é uma raça complicada: bom com eles, bem melhor sem eles". Essa frase foi proferida por um pianista paulista, cujo nome não me recordo, só para implicar com o baterista do grupo. Ele continuou: "eu sempre toco com o revólver ao lado do copo de uísque, se o batera começar a espancar os pratos eu mando bala". Rimos. Marcão, o batera, bem humorado como poucos, é fã de Arthur Taylor, e, lembrand0-me disso, dedico esse post ao velho camarada que há muito não vejo nem ouço.


Hoje, logo que acordei, às 6:20', liguei o som e ouvi o cd Taylor's wailers, gravado em 1957, com aquela moçada já conhecida de todos: Charlie Rouse (tenor), Donald Byrd (trompete), Jackie McLean (alto), Ray Briant (piano) e Wendell Marshall (baixo) - a participação especial fica por conta da presença de Coltrane, Garland e Chambers no tema C.T.A.


Art Taylor (1929, NY) é um dos mais respeitados bateristas da história do jazz. Começou sua carreira com Howard McGhee, creio que em 49. Pouco depois já estava acompanhando Coleman Hawkins e, na sequência, não mais deixou de ser companhia para os grandes jazzistas ( de Franco, Powell, Gigi Grice, Garland, Miles e os cambau). No disco que agora ouço, Art mostra um pouco da sua aprimorada técnica com a desenvoltura que lhe é característica. Ricumendo semvacilar.


Ouçam Batland no podcast Quintal do Jazz.


O link: here

domingo, 29 de março de 2009

Dave Liebman

Dave Liebman é um dos melhores sopranos de todos os tempos. Alguns colegas ortdoxos poderão fazer críticas à sua linguagem notadamente moderna, seu modo agressivo, rascante, de soprar seu sax, mas, para mim, essa é justamente a característica que me leva a admirá-lo. Dave é um músico inquieto, uma alma desbravadora que se arrisca em territórios difíceis para o músico comum. Convém ressaltar que não se trata apenas de arroubos passionais, mas sim de risco calculado, de coisa pensada e articulada, como fazem os exploradores.


Ouço agora um disco (1987)gravado em homenagem à maior de suas referências: John Coltrane (influência admitida e assumida no encarte do cd). O disco é uma homenagem muito bem feita, em que é possível perceber a emoção em cada uma das notas emitidas por Dave Liebman. As músicas escolhidas são da década de sessenta, período mais arrojado do nosso herói John Coltrane, fato que permite os membros da banda soltarem a franga, propiciando algumas passagens vertiginosas. Os músicos que o apóiam na empreitada estão entre os melhores da contemporaneidade: nas faxixas 1 a 5 estão Jim McNeely (piano), Eddie Gomez (baixo), Adam Nussbaum (bateria) e Caris Vicentim (oboé); nas faixas 6 a 10 estão Jim Beard (sintetizadores), Mark Egan (baixo elétrico), Bob Moses (bateria) e, outra vez, Caris Vicentim (oboé). Recomendo de olhos fechados.

Ouçam uma amostra ali no podcast do jazz contemporâneo.

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quinta-feira, 26 de março de 2009

Bobby Timmons

Oh, meu deus, lá vou eu falar de pianista, uma raça que eu tento evitar. O pior mesmo é quando o cara, por tocar piano, se acha o bambambam da parada. A maioria dos pianistas não consegue atender tudo aquilo que o instrumento solicita (percussão, harmonia - baixo, inclusive - e melodia), mas, mesmo assim, eles fazem aquela pose toda: encurvados, vociferando e cuspindo nas teclas do instrumento. A prerrogativa de cuspir é dos instrumentistas de sopro.

Mas, de vez em quando, vem um deles e faz-me voltar atrás em minha opinião sobre a arrogância e o totalitarismo que esses instrumentistas representam. Um dos últimos que eu ouvi foi Bobby Timmons (aquele que compôs Moanin'), gravado ao vivo no Village Vanguard, em Nova Iorque, em 1961. O disco é simpático, com interpretações sutis mas sem desprezar o necessário balanço (característica que Timmons não descuida). Ao seu lado estão Ron Carter (b) e Al Heath (d), dupla que mantém o terreno seguro e confortável para o timoneiro do trio. Vale uma conferida.

Deixarei um teminha no podcast Quintal do Jazz.

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terça-feira, 24 de março de 2009

Bill Berry

O meu parceiro Salsa disse-me que não era muito chegado em bigbands ou orquestras, que preferia ouvi-las ao vivo do que em discos. Creio que a medida certa para o paladar auditivo do colega está num disco que me agradou bastante por diversos aspectos. Em primeiro lugar a "orquestra" tem sete membros. Em segundo (e principal) são os arranjos, nada histriônicos (sem aqueles ataques ensurdecedores dos metais que algumas orquestras insistem em manter), comedidos, que nos permitem ouvir os instrumentos em suas nuances. O terceiro e não menos importante, é que são temas de Ellington.

Duke é um músico que merece todas homenagens (lançaram até moeda com sua efígie), e é justamente isso que o cornetista Bill Berry faz ao comandar seu excelente grupo. For Duke foi gravado em 1977, ao lado de Britt Woodman - trombone; Marshal Royal - alto saxophone; Scott Hamilton - tenor saxophone; Nat Pierce - piano; Ray Brown - bass e Frankie Capp - drums. Destaque-se que todos, com exceção de Hamilton, tocaram na orquestra de Ellington, fator que propicia uma grande intimidade com a linguagem ellingtoniana que perpassa todos os arranjos. É um disco que honra qualquer discoteca.

Ouçam ali no podcast Quintal do Jazz.

O link: HERE!

sábado, 21 de março de 2009

O grande som de Gene Ammons

Gene Ammons é um grande tenorista. Agrada-me ouvir seu sopro encorpado e seu fraseado mais tradicional, sem estridências. No período em que eu colaborei com o Jazzseen, postei um disco gravado no mesmo ano do que agora ouço: 1958. The Big Sound também conta com o timaço que participou do Groove Blues.

O fato curioso, nos dois discos, é John Coltrane encarando o sax alto, deixando o tenor aos cuidados do band leader e de Paul Quinichette (com quem Coltrane gravou um belo disco). O time ainda conta com o baritonista Pepper Adams e com o flautista Jerome Richardson. A sessão rítmica é capitaneada pelo indelével Mal Waldron e traz George Joyner ao baixo e Arthur Taylor à bateria.

A primeira faixa do disco é um belo blues (Blue Hymn - em andamento lento) composto por Ammons, no qual os músicos podem destilar todo sentimento. Na seqüência, o clima é mais up, cheio de swing (The real McCoy e Cheek to cheek), e o espetáculo se encerra com a balada That's all. Indico sem titubeios para os apreciadores do bom jazz.

No podcast Quintal do Jazz ficará uma amostra.

O link do avax: HERE!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Mário Laginha Trio

Descobri que o disco que agora apresento já foi postado por Sérgio Sônico, em 10/2008, em seu sítio. Postarei de novo porque é um excelente trabalho. O responsável é Mário Laginha, pianista português, músico para ninguém botar defeito. Eu não exitaria em situá-lo entre uma das melhores coisas que eu ouvi no cenário contemporâneo. Seu modo de tocar é envolvente e explora com firmeza o fraseado (com linguagem bem atual).
O disco Mário Laginha Trio - Espaço, conta com Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), uma dupla acima de qualquer suspeita. O som, apoiado nesses três pilares da boa música, consegue, como um bom projeto arquitetônico, ampliar os espaços por onde circula. O seu mundo ficará maior após ouvir esse disco.
Deixarei uma faixa no pocast Jazz Contemporâneo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mal

Meus amigos,

Vou mostrar um disco e tanto a vocês. Na verdade, é um disco de uma série de quatro - o segundo, no caso. Se todos da série forem como esse que agora ouço (eu não conheço os outros) será uma maravilha. O nome do camarada: Mal Waldron. O disco: Mal/2, gravado em 1957, nos dias 19 de abril e 17 de maio.

Mal Waldron é um pianista seguro e elegante. Não se ouve notas em excesso em suas performances - tudo está no seu devido lugar. Pois bem, se o cara já é bom, imagine-o cercado por verdadeiros "cobras", por alguns dos grandes nomes do jazz. E é isso que acontece: nas faixas 1, 3, 4 estão ao seu lado Idrees Sulieman (tp), Sahib Shihab (as, bs), John Coltrane (ts), Julian Euell (b) e Ed Thigpen (ds); nas faixas 2, 5-8 estão Bill Hardman (tp), Jackie McLean (as), John Coltrane (ts), Julian Euell (b) e Art Taylor (ds). É ou não um time e tanto?

Vocês poderão conferir ali no podcast Quintal do Jazz a quarta faixa - One by one -, composta por nosso pianista .

O link, se funcionar: HERE

domingo, 15 de março de 2009

McLean & Hardman

A história do jazz é recheada por histórias de amigos que se encontram e se desencontram. Esse post tratará de um desses encontros. Foi em 1956 que Jackie McLean conheceu Bill Hardman. Os dois jovens e promissores músicos se encontraram na banda de Mingus e, desde então, formaram uma parceria daquelas que rendem bons frutos. Foi nesse mesmo ano, no intervalo entre a saída da dupla do grupo de Mingus e a entrada no grupo de Art Blakey, que McLean lançou o LP Jackie's Pal: introducing Bill Hardman.

Aviso: aqui vocês não encontrarão aquele McLean mais chegado nas experimentações dos anos sessenta, mas sim um McLean mais contido (no entanto, é perceptível em seu sopro a força que, em breve, o faria se arriscar em novos caminhos sonoros). Mas o que interessa mesmo é que o sopro rascante de McLean se coadunou perfeitamente com a presença encorpada do trompete de Hardman. Isso sem contar com as marcantes presenças de Mal Waldron (piano), Paul Chambers (que dá um show usando arco para tocar o seu baixo) e o sempre preciso Philly Joe Jones (bateria).

Dedicarei ao vizinho Sérgio Sônico (que recentemente descobriu Bill Hardman) a faixa Sublues.
O link pode estar aqui no Avax