segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rio das Ostras - blues brasileiro

I


O festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras tem uma peculiaridade interessante: é tudo "de grátis". É uma festa popular com um tipo de música a que a massa não costuma ter acesso. Iniciativa que poderia muito bem ser copiada por outras cidades (aliás, isso já vem sendo feito, ainda em pequeno número, de norte a sul do Brasil varonil), mas, até o presente momento, a administração pública tem preferido investir fortunas em shows de um único grupo de axé, dupla breganeja e que tais em nome do mito "é disso que o povo gosta". O povo gosta disso sim, mas não desgosta quando lhe é permitido o contato com outras formas de expressões artísticas. A confirmação desse fato foram as milhares de pessoas que, mesmo sob chuva, prestigiaram as apresentações nos três palcos (lagoa de Iriri, Enseada Azul e Tartaruga).



II



Os grupos de jazz que se apresentaram mantiveram uma distância considerável do mainstream jazzístico, fato que, a meu ver e ouvir, não os condena (teremos oportunidade para falar disso mais adiante). O blues, sim, teve um leque mais representativo de suas diversas tendências.



Na vertente blueseira, tivemos dois representantes brasileiros: os grupos de Ari Borger e de Jefferson Gonçalves.



Ari, que já morou uma temporada na região de Saint Louis, pilota o Hammond com competência e segue uma linha mais próxima do blues/soul/jazz que povoava os anos sessenta. O grupo contava, além do band leader, com Celso Salim - guitarrista com pegada mais voltada para o blues, Humberto Zigler (bateria) e Marcos Klis - baixo acústico, que imprimia uma sonoridade mais jazzy, mas mantendo-se no básico. O quarteto interpretou temas próprios e de outros compositores, conseguindo balançar a moçada que prestigiava os shows. Acho, no entanto, que o grupo poderia ousar um pouco mais em seus arranjos para romper com a sensação de repetição que, a partir do terceiro tema executado, começa a dominar o ouvinte. Eu, com o meu contaminado ouvido, acho que Ari Borger poderia usar algumas pitadas do tempero de Hancock e Horace Silver para dar mais brilho ao seu já satisfatório trabalho.



O gaitista Jefferson Gonçalves, dono de um largo currículo na seara blueseira, por sua vez, buscou justamente ousar no território da fusão. A sua linguagem está mais voltada para o blues dos pântanos norte americanos acrescido do tempero tropical. A maioria dos temas interpretados pelo grupo reunia elementos do nordeste brasileiro, que foram usados sem parcimônia na jambalaya cajun de Jefferson. Um amigo comentou, enquanto caminhávamos para o almoço, que o clima cajun com forró até que deu uma liga, mas não arriscaria encarar um "prato de estivador" misturando jambalaya e buchada de bode. Aí a mistura pode ser indigesta. Sábio, o meu colega.

14 comentários:

figbatera disse...

Como eu escrevi lá no meu bloguinho, aí está o prof.Salsa relatando com propriedade os shows acontecidos no festival - pra quem não foi - e mesmo pra nós que vimos/ouvimos tudo. Suas análises nos ajudam a relembrar os sons e percebê-los também sob a ótica de quem sabe do que está falando.

Salsa disse...

Ê, Olney,
cobra criada, como você é, devia escrever suas impressões também.

Érico Cordeiro disse...

Caros Salsa e Fig,
Parece que a moçada do blues pôs fogo em Rio das Ostras.
Sejam bem vindos à dura realidade e, por favor, continuem a repassar as suas valiosas impressões ao pessoal do MSF (Movimento dos Sem Festival).
Abração!

Bruno Leicht disse...
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Salsa disse...

Dear Bruno,
I don't understood what it means. What accusations? Eu, hein! Que papo!

edú disse...

Essa série de impressões pessoais - feitas sob o uso da viajada lupa - vai dar liga.

Bruno Leicht disse...
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Rab Hines disse...

Come to my blog and download thousands of jazz albums for free! And fuck Scheissemeister Bruno Leicht!

Salsa disse...

Oh, man. There is a web war.
Tá danado.

PREDADOR.- disse...

Pô, isto vai acabar virando um blog de língua inglesa. Eu não sou tão "distruido" quanto voces. Parem com isso e por favor escrevam em português, senão vou começar a escrever em Petrak, minha língua natal. |==-]]]--¨¨***(Saudações).

John Lester disse...

Os nazistas são gente boa, pena que a idade mental deles não ultrapasse 10 anos. Por isso, nada de lhes entregar metralhadoras nem países para brincar.

E o jazz, Mr. Salsa, e o jazz?

Aguardo suas fotografias auditivas, JL.

edú disse...

O ministério da Saúde adverte: fazer download indiscriminadamente causa severos danos à saúde mental.

Bruno Leicht disse...
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Martin disse...

Anyone who has followed "Rab Hines's" obsessive Bruno dirt at Call It Anything has seen that "Hines's" sole purpose is to spoil the name of a well-known German trumpeter.

CIA is not about jazz. For "Hines", it's about terror, libel, and involving music lovers in his stalking activities. Anyone supporting "Hines" risks a visit from the authorities all-too-soon.

"Hines" is an unemployed, mentally ill person from New Jersey masquerading himself as a jazz fan. Though nobody knows his real name, his voice can be heard at Bruno's Alert Blog. Well-known is his IP address under which "Hines" spammed literally hundreds (!) of jazz blogs with pedophile comments.

For more, simply google "Rab Hines Alert Blog". It's the very first Google entry.