domingo, 1 de junho de 2008

The Godfathers of Groove


No início da noite de sexta-feira, no backstage do palco de Lagoa Azul, a porta de um camarim abriu-se e de lá saiu um senhor negro, aparentando pouco mais de sessenta anos, fazendo pose de velho malandro novaiorquino. Ele ostentava um sorriso dourado e brincalhão que rapidamente conquistou a todos que por ali passava.

Tratava-se de um dos Godfathers of Groove, que se apresentaria um pouco mais tarde. Mais especificamente: tratava-se de Bernard "Pretty" Purdie, lendário baterista, dono de um suíngue que pude comprovar ao assistir o show bem próximo a ele, no palco. Logo depois, surgiram o guitarrista Grant Green jr. e Reuben Wilson (piloto do Hammond), imediatamente alvos das brincadeiras de Purdie. A dupla não se furtou ao clima festivo e, juntos, anteciparam o que aconteceria no palco: pura alegria.

O grupo veio com mais um membro: o saxofonista Leo Gandelman, com quem já haviam trabalhado há alguns anos, mas que, apesar de sua reconhecida competência (disseram-me que ele tem tocado um barítono pra ninguém botar defeito), soou-me um pouco díspar, um pouco estranho naquele ninho. Ao fim e ao cabo, eu não diria que ele comprometeu o espetáculo (o público respondeu positivamente - implicância ou inveja minha, pois). Enfim, com esse trio é possível sustentar qualquer aposta.

O repertório, recheado por temas com aquele clima motown, mexeu com todos que estavam ao alcance de seu espectro sonoro. Balanço e tanto. O nome The Godfathers of Groove é perfeitamente aplicável ao grupo. Se Lester, do Jazzseen, lá estivesse, apreciaria a aura acid-jazz que emanou da performance dos "chefões" e provavelmente os reverenciaria, como fez o guitarrista Russell Malone .

6 comentários:

Vinyl disse...

Desconheço qualquer trabalho de Gandelman que siga a via principal do jazz. Ele é um bom saxofonista mas sua linguagem é mais pop. Cheguei a gostar de um disco em que interpreta clássicos da mpb (realmente agradável, com produção esmerada).
Nesse sentido, mesmo no clima acid-jazz, acho que ele pode ter soado como um "estranho no ninho"

Vinyl disse...

Ps - se eu tocasse sax ficaria satisfeito se algum dia alcançasse o patamar de Gandelman.

Sergio disse...

Gente fina. Até o conheci pessoalmente... Mas ele, em solo, é chato.

Guzz disse...

falaee grande Salsa
Groove na veia, o show dos Masters of Groove pra mim só perdeu pra pauleira hard blues do James Ulmer.
Estilos diferentes mas contagiantes ao extremo, um pelo balanço, outro pela energia.

Sobre Gandelman, já o vi bem a vontade na seara do jazz, inclusive de baritono onde roubou a cena. Pod acreditar, toca muito!

Da última vez que vi o Masters of Groove, em 2001, Gandelman veio de baritono e incorporou mais a atmosfera do grupo.

Abs,

Salsa disse...

Opa, enfim apareceu meu cicerone musical.
É verdade, você me falou sobre a performance de Gandelman como baritonista. Nós, reles mortais, teremos de esperar para ver e ouvir.
Deverei postar algo sobre Ulmer em breve.
Abraços,

Anônimo disse...

Sempre achei que o Leo Gandelman sonhava em ser nosso David Sanborn(competente músico).Porém, numa revista - dessas que se aventuraram em jazz, de vida breve de apenas um número, li uma teste ás cegas, conduzido pelo Mestre Zuza Homem de Mello com ele.O sujeito matou seis ,das sete identificações, em menos de 10 segundos, o tempo era cronometrado.Não o vi tocar barítono, mas de jazz ele “manja” muito”.O grande baritonista brasileiro é o Teco Cardoso.Edú