segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O caminho harmônico de Berlin

O baixo elétrico é instrumento que, no jazz, tomou mais força a partir do hibridismo fusion, que emergiu nos anos sessenta. Irmão mais jovem do bom Wood (o baixo acústico), o baixinho é relegado a esferas consideradas menos nobres pelos puristas. O fato é que alguns músicos que manuseiam esse instrumento tornaram-se verdadeiros ícones para a juventude que aprecia alguma coisa do estilo fusion/smooth. Entre eles posso citar Pastorius, Clarke e, por que não, o nosso finado Nico Assumpção. Acrescento à lista mais um nome que tem se mostrado mais do que eficiente nessa seara: Jeff Berlin. Nascido do cruzamento entre um cantor de ópera e uma pianista, Berlin não escapou à sua destinação: a música. O jovem, porém, como vários outros que iniciaram o trajeto musical nesse período, não escapou ao apelo rock’n’jazz. O disco In Harmony's Way (2001), que agora apresento, apesar da sonoridade fusion, guarda uma intencionalidade jazzística muito interessante. As composições de Berlin são muito boas (é um disco autoral) e, com a reunião de convidados como o saxofonista (soprano e tenor) Dave Liebman, o vibrafonista Gary Burton, o guitarrista Mike Stern, o tecladista Clare Fischer e mais um monte de gente que a preguiça me impede listar, consegue dar uma consistência e tanto a esse trabalho. Os apreciadores do fusion, com certeza, apreciarão esse disco. Deixarei, para fazer a cabeça da moçada, This is your brain on jazz e Everybody knows you when you’re up and in.
PS – Esse post é dedicado ao Sérgio Sônico.

13 comentários:

Sergio disse...

Esse foi coincidência das boas. Descolei esse disco alguns dias antes desta postagem. Ainda não ouvi com calma. Um bom motivo para ouvi-lo agora. Valeu a dedicatória.
Abraços!

Anônimo disse...

Caro Vinyl

Está muito boa a resenha sobre o jovem baixista Jeff Berlin. Uma coisa, porém, deixou-me confuso: você cita "a" tecladista Clare Fischer como acompanhante do baixista, mas sei que existe no mundo jazzístico um músico veterano (1928) chamado Clare Fischer, que é pianista, tecladista, compositor e arranjador. Se foi apenas um engano na aplicação do artigo, ainda fica a dúvida em admitir que um músico de 80 anos esteja acompanhando um jóvem ligado à fusão jazz-rock. E agora?

Olmiro Müller

Vinyl disse...

Valeu a observação, Olmiro. É ele mesmo (consta na ficha técnica). Deixei-me levar pela similaridade com Clara e sapequei o "a". Ele se mantém em plena atividade e, pelo jeito, não é nada ortodoxo.
Só por curiosidade:
Berlin deu uma entrevista interessante no sítio http://www.globalbass.com/archives/may2001/jeffspanish.htm, na qual ele refuta o termo fusion e se diz um músico de jazz.

Anônimo disse...

Vinyl

Consultando minhas fontes, verifiquei que Jeff Berlin não é um jovem, mas um glorioso cinqüentão que nasceu em 17/01/1953 e tem, portanto, exatos 55 anos. Por outro lado, não concordo com o que ele declarou na citada entrevista e, mesmo sendo um ótimo músico, acho que ele é "fusão pura" sim.
Aliás, por mais qualidade musical que tenha, a fusão não é a minha praia. Prefiro a "mean stream" do jazz.
Olmiro Müller

Anônimo disse...

Talvez o primeiro baixista acústico de relevância que assumiu o "plugado” de forma definitiva tenha sido Bob Cranshaw.Dos que ví, Marcus Miller e Steve Swallow foram os que mais me impressionaram.Swallow, inclusive, quase assemelha sua sonoridade a grandeza do acústico.Outro que transita pelos dois territórios(acústico e elétrico) de forma bem tranqüila é Brian Bromberg.Parabéns pelas primeiras - de muitas,1000 visitas.Edú

Vinyl disse...

Eu tenho dois discos de Bromberg wood) muito interessantes, dedicados exclusivamente ao acústico. Gravou também um em homenagem a Pastorius e outro no qual interpreta alguns clássicos fusion. O rapaz é bem transitivo.

Sergio disse...

Amigos do jazz e arredores (isso não é o nome de outro blog?), no sergio sônico há uma bela nova postagem para a vossa apreciação. O cara é baixista (acústico) e atende pelo nome de Carlos Bica. Antes de pedir o comparecimento dos que já comparecem, Vinyl, CD e Salsa - q à casa tornou dia desses, valeu Salsa -, gostaria de ver por lá, se possível comentando, o Edu.

Será que conheces este nome importantíssimo do jazz da terrinha, Edu? Sim... Talvez não seja de todo jazz, como disse o Vinyl cá encima, o Bica tbm é do tipo transitivo. Mas, pelo sim pelo não, em primeira análise, o que tenho a oferecer é, no mínimo, uma curiosidade bastante interessante. Então, por favor, compareçam e deixem lá suas impressões.
Grato,
sergio

Luis Eustáquio Soares disse...

salve, salsa... tantos convite diretos e ainda não te ouvi cantar. aqui ali e acolá, o canto cantará.
saudações,
luis de la mancha.

Salsa disse...

Prezado eustáquio,
Enquanto o encontro com o sopro e o canto não chega, a gente pode se falar aqui mesmo.

Anônimo disse...

Peço licença ao Vinhas,Dias e Salsa pra mandar um recado ao meu amigo Sérgio.Sempre estou com um "rabo dos olhos" em seu blog e tenho imensa consideração por seu trabalho.Edú

Sergio disse...

Pois é Edu, rabo de olho é legal, mas o que podia pintar na certeza, a minha basta, é o "sou todo ouvidos" e o "todo" pode, numa boa, ser trocado por um "em parte" - nas partes onde sua opinião sejam de extrema importância -, pra mim já bastava. Como vou saber se chegou a experimentar o Carlos Bica, por ex.?

Mas tudo bem, Edu, se queres manter firme sua disposição solidária ao amigo músico que foi obrigado a filar uma quentinha em seu jantar, te juro, sério, que não está mais aqui quem...

Quem fala, portanto, é o pesquisador indolente, mas que quando admira um músico se esforça em buscar mais informações. Então voltemos ao Bennie Wallace, com o qual ando todo ouvidos. Aqui um (tasco do) texto buscado no Clube do Jazz pelo Luiz Orlando 'Sabe Tudo' Carneiro sobre aquela música daquele álbum... Enfim, vc vai entender quando ler.

"O estilo de Wallace é único por ser, ao mesmo tempo, pós-moderno e tradicional. Concilia o fraseado contundente, másculo, de som volumoso, do patriarca Coleman Hawkins e o sussurrante vibrato de Ben Webster com tiradas do vocabulário assimétrico, politonal e tortuoso de Eric Dolphy ou Archie Shepp. o mais recente álbum de Bennie Wallace, "Disorder at the Border" (Enja/Justin Time), gravado ao vivo no Festival de Jazz de Berlim, em 2004, é um tributo a Coleman Hawkins, cujo centenário se comemorava naquele ano.

O heterodoxo saxofonista lidera um potente noneto, que soa como uma big band, sobretudo em "Bean and the Boys" (9m40) e na faixa-título de mais de 11 minutos que Hawk registrou, em 1944, em apenas três minutos, à frente de uma orquestra em que Dizzy Gillespie era sideman. Os arranjos, cheios de riffs, são de Anthony Wilson (filho do mestre-arranjador Gerald Wilson, hoje com 88 anos) e abrem muito espaço para longos solos, não só do saxofonista-líder, mas também de Terell Stafford (trompete), Ray Anderson (trombone), Donald Vega (piano), Adam Schroeder (sax barítono), além dos saxes altos de Jesse Davis e Biad Leali.

Os seis temas do disco foram todos marcantes na carreira do homenageado. Não podiam faltar "Body and Soul" (o solo de 1939 de Hawk é histórico, por ser a primeira grande improvisação direta sobre a base harmônica da composição) e "La Rosita" (do encontro com Ben Webster, registro da Verve, de 1956). A versão de Wallace de "Body and Soul"* (8m25), com referências implícitas e difusas ao pequeno solo de três minutos do patriarca, é magnífica".

*essa, a faixa que deixei nos comments da postagem do Bennie mais abaixo. E enquanto escrevo aprecio o contagiante Bennie Wallace / Moodsville (2001). Aproveito para agradecer o seu oferecimento de, caso venha ao Rio de Janeiro, me traga para ouvirmos um álbum do saxofonista, me apressando em dizer que o CD não poderia ser "The art of saxofone" e "Moodsville", pois os tenho completos. Agora se vieres com Bennie Wallace (The Old Songs) rs... não cometa o erro de ir ao toilete! O tempo de lavar as mãos será fatal para eu surrupiar-lhe as faixas 1 e 2 do meu incompleto álbum. É claro que foi um chiste! Abaixo o link do texto completo do Clube do Jazz.

http://www.clubedejazz.com.br/noticias/noticia.php?noticia_id=463

Anônimo disse...

O cd vai ser de sua exclusiva propriedade, prezado amigo.As colunas do LOC são uma aula de bom texto e acessibilidade de idéias e transmissão de informações sobre o jazz do leigo ao conhecedor mais instruído.Só discordo ,de forma respeitosa, a forma que continuamente enaltece Ornette Coleman.Tive a honra de ter uma mensagem dele dirigida a mim no blog CJUB em 2007.E quanto aos meus olhos, os coloco em meu campo visual, prioritariamente, na busca das informações de qualidade.Como as que vc adiciona ,com bastante competência, em seu espaço.Edú

Anônimo disse...

E pra registro: Gerald Wison vai fazer ,na verdade, 90 aninhos em 4 de setembro.Trabalhando cinco dias da semana , pelo que sei.Edú