segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Crias do Miles


Chegou às minhas mãos um disco-homenagem que reúne Mike Stern (guitarra), George Coleman (sax tenor), Ron Carter (baixo) e Jimmy Cobb (bateria). O homenageado é o polêmico Miles Davis. Sabemos que o trompetista mais "invocado" do meio jazzístico sempre soube se cercar de músicos competentes, e os citados fazem parte da cena. Como está explícito no título do cd, são quatro gerações de "milistas" que contribuíram sobremaneira para a sonoridade de diversas fases do trompetista. Ouvi-los, no entanto, por mais que eles sejam excelentes músicos, deixou-me a impressão de que algo faltava. Não é difícil concluir que o que faltava era o próprio Miles. Por mais restrições que se faça à sua técnica, por mais que o considerem arrogante, ele sabia como ninguém fazer um grupo funcionar. Miles era o elo que dava a unidade aos seus grupos - era um band leader como poucos. Daqueles que fazem ressaltar a sua assinatura através do trabalho do grupo. Ganham os músicos, mais ainda Miles Davis. O disco, enfim, serve para mostrar que Miles ainda faz bastante falta. Ouçam There's no greater love e On Green Dolphin street.

6 comentários:

cd disse...

Gostei não,Vinhas.
PS - me ensina a postar o toca disco. Minhas tentativas estão falhando.

olney disse...

O que será que o John Lester acha disso?

Salsa disse...

Acho que ele teria três convulsões e ficaria catatônico. Lester é gente boa, mas está contaminado pela intransigência de Garibaldi (um dos membros xiitas do Clube das Terças).

Chef Buonaboca disse...

Voltei das férias. Passe lá em casa: o céu da boca.

F. Grijó disse...

Meu amigo JL apenas finge não apreciar a música de Miles. Apenas finge. Sei que ouve, no escurinho e acompanhado de um merlot, "Someday My Prince Will Come". Sabe ele que o trompetista-líder quebrava regras como uma britadeira humana, apontando caminhos que o jazz poderia (e em muitos casos deveria) tomar.
Soube, como ninguém - talvez Art Blakey lhe faça sombra - arregimentar novos talentos, mas isso não é, nem de longe, seu maior mérito.
Seu mérito máximo foi a inquietude. Sabia que o jazz é como um barco que não pode dar voltas - e sim deve ir sempre adiante.
Miles é polêmico? Claro, assim como foram Picasso, Shakespeare, Michelangelo e Beethoven, cada um em sua época.
Que genialidade subsiste sem o incômodo medíocre do alheio?

F. Grijó disse...

Vinyl, postei sobre os song books da velha Ella.

abraço e bom carnaval.