soprano, alto e tenor (acrescenta aí: ele também pilota piano e flauta). Obviamente, aproveitei para bater um breve papo e, para minha alegria, ainda ganhei de presente o seu último cd - Singular - , um disco autoral, motivo desse post.Chico Amaral é um representante e tanto da geração mineira que emergiu a partir do Clube da Esquina. A música de Minas tomou caminhos interessantes desde então, apesar de muitos se queixarem de o peso do Clube ainda sobrecarregar a linguagem dos músicos mineiros. Taí uma coisa que não me incomoda. Ouvir um tema como Duas Marias, a sexta do disco e que traz mais
acentuadamente os tais traços, foi um momento especial. O lirismo transborda e nos transporta para as montanhas de onde parece emanar. Quem conhece as montanhas de Minas e o céu azul (ou nublado, não importa) desenhando o seu peculiar horizonte sabe do que eu estou falando.
Mas o som de Chico não se resume a essa boa influência. Outros sons circulam na bolachinha, como é o caso de Sobe o verão, tema com levada de bolero que o violonista Beto Lopes interpreta com sutileza. Sambage à trois é um bom exemplo de samba-jazz, com um naipe de cinco sopros muito bem arranjado pelo próprio Chico. O disco também tem boa dose de urbanidade metropolitana nas faixas Panamericana e Balancim, expressa por guitarra plugada no bom e velho overdrive, por naipes consistentes e por um groove fusion à moda mineira que fizeram meus velhos ossos balançarem. Surpresa para mim foi descobrir que Chico também se arrisca nas letras sem tropeçar (embora eu prefira o som instrumental, devo admitir que a coisa funciona).
Como é sabido que dificilmente conseguiremos ouvir Chico e seus companheiros na mídia comercial e oficial, deixarei alguma coisa ali no podcast do jazz contemporâneo para vocês curtirem.
Como é sabido que dificilmente conseguiremos ouvir Chico e seus companheiros na mídia comercial e oficial, deixarei alguma coisa ali no podcast do jazz contemporâneo para vocês curtirem.
