quarta-feira, 28 de maio de 2008

Will Calhoun's Native Land Experience at Rio das Ostras


O último show da quinta-feira mexeria com o coração dos velhinhos apreciadores de jazz do Clube das Terças. Matá-los-ia, talvez. Foi fusion. E daqueles pedreira pura. Liderado pelo baterista roqueiro-de-mão-pesada Will Calhoun, o grupo Native Land Experience desenvolveu um som voluptuoso que chamou a atenção daqueles que, como eu, ainda não o conheciam.

O pessoal que é chegado no pop deve conhecer Will Calhoun por seus trabalhos com o Living Colour. Esse período rendeu-lhe louros e convites para tocar com deus e o mundo: B.B. King, Mick Jagger, Jaco Pastorious, Harry Belafonte, Pharoah Sanders, Jack Dejohnette, Marcus Miller, Dr.John, Carly Simon, Herb Alpert, Wayne Shorter (no "grammyado" disco High life).
A banda, bastante plugada, foi mais que eficiente em sua proposta de trabalho. Som pesado, mas com um lirismo que transparecia nas performances dos membros da banda. O pianista/tecladista (fico devendo o nome) encarou o rhodes e mostrou que as teclas são suas amigas. O saxofonista Marcus Strickland passeou com tenor e soprano, impondo uma linguagem algo coltraneana (da fase mais comedida) à performance do grupo. O jovem trompetista usou seus artefatos eletrônicos eficientemente, produzindo um efeito agradável aos ouvidos desse que vos tecla (como diz Acir, do contraovento). O resultado final me agradou, sim, senhor. Alguns colegas, no entanto, criticaram o excesso de batuque de Calhoun (longos solos com percussão), mas, naquele contexto, até que funcionou.

Após o show, comentamos sobre o uso de novas tecnologias na música, que tem crescido bastante - e que ele não dispensou em sua apresentação. Concluímos que, se a tecnologia não sufocar a música, tudo bem. Comentei com Calhoun sobre a minha percepção de sua performance. Mesmo sendo a sua levada bastante impregnada pelo rock'n'roll, identifiquei em sua batida alguma coisa de Art Blakey, que ele afirmou ser sua principal referência musical. Brinquei chamando-o de herdeiro Cyber de Art Blakey

8 comentários:

olney disse...

Nessa última foto o Salsa, àquela altura, já estava bem "mamado", né? rs

Salsa disse...

Ih, m`e`rmão, o negócio foi pesado. Eu ia publicar uma foto do saxofonista com meu copo de uísque, mas censurei...
Algumas delas não podem constar nem em album de recordações. Como dizia meu velho pai: "tava todo mundo bicudo"

Vinyl disse...

E pensar que o blog financiou a mangüaça... Eu vi o Salsa saindo do Route de Vins com duas garrafas de Jack Daniels e ele me disse que era para um irmão. E ainda deixa o saxofonista de pileque, comprometendo a performance do grupo. Espero a publicação da foto de Strikland que, dizem, só bebe chá e água mineral.
PS: eu vi as fotos lá no mpbjazz - o negócio é comprometedor.

Sergio disse...

Muito bom, Salsa, é vê-lo nesses flagrantes de intimidade, ao lado dos artistas internacionais. Num evento hipoteticamente pequeno, como o Festival de Rio das Ostras tem-se impressão de que mesmo descredenciado dá pra se tomar umas e outras com as feras, que "elas" afinal não mordem, e que difícil deve ser encontrar num camarim uma toalha felpuda branca, caso se precise enxugar o suor da emoção. (...) Ah, claro! Copos nem sempre precisam estar enxutos... Inda mais com toalha felpuda.

Salsa disse...

Sérgio,
O povo é mais acessível do que parece. O que atrapalhou foi o meu dialeto "debuk izond têibou", deixando o papo bastante truncado.

Sergio disse...

"debuk izond têibou" is flórida! Meu inglês é quase tão expressivo quanto. Mas vc tem um plus a mais: sua linguagem universal anglo-sax-sônica! Ups, esse foi foi very poor, eu sei...foi mal.

Anônimo disse...

Que beleza de wiskey é este, qual a marca? O festicopo estava bom heim!!!!

Anônimo disse...

“The book is on the table” é o titulo de um programa da ESPN onde três jornalistas brasileiros comentam as semana esportiva americana com ênfase no trinômio:futebol americano, baseball e NBA.Tem um sujeito que fala com um arrastado sotaque do Kansas.Quando vi seu nome, Paulo Antunes, me desmanchei de rir.Não basta parecer americano,tem que fingir ,definitivamente, bem.Edú