Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta stan levey. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta stan levey. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de junho de 2009

Grand Stan

Aaaah, que maravilha!, voltei ao bom e velho jazz. E em grande estilo. Na radiola, rodando com a elegância que lhe é peculiar, um dos bateristas que me conquistaram com maior facilidade: Stan Levey. Já comentei sobre ele em outra oportunidade. Aqui, em Grand Stan, gravado em LA, em novenbro de 1956, ele se faz acompanhar pelos seus camaradas Conte Candoli (tp), Frank Rosolino (tb), Richie Kamuca (ts), Sonny Clark (p) e Leroy Vinnegar (b) - alguns desses participaram do disco anteriormente postado.


Natural de Filadélfia (1926), Stan Levey sempre gostou de dar pancadas. Seguindo seu instinto, pensou em tornar-se boxer, mas, para nossa sorte, ele percebeu que distribuir bofetadas não era o melhor caminho a seguir. Aos dezessete, já estava encarando a bateria ao lado de Dizzy Gillespie (1942). Sua sutileza ao conduzir seu instrumento logo o levou a ser um dos bateristas mais solicitados no cenário jazzy - participou de aproximadamente 1400 gravações com os principais nomes do jazz (Parker, Sims, Tatum, Webster, Gordon, Shank, Stan Getz, John Lewis, Ray Brown, Sonny Stitt, Barney Bigard, Gerry Mulligan, Vince Guaraldi, Lee Konitz são alguns entre outras dezenas de jazzistas com quem partilhou sua habilidade). Em 1975, Stan saiu de cena e entrou numas de ser fotógrafo (pelo que parece ele se deu bem na profissão) e nos deixou definitivamente em 2005.

Em Grand Stan, como sempre, sua performance é uma sutileza só. Não tem aquela história de soltar umas bombas só para dizer que é o líder da banda. O clima cool mantido pelos sopros também é sensacional - Rosolino, Kamuca e Candoli destilam sensibilidade em seus fraseados e nas vozes por eles harmonizadas. Clark e Vinnegar também conhecem o caminho das pedras. Aliás, eles são encarregados de, com Levey, manter as pedras nos devidos lugares para que a música flua sem atropelos. Pode comprar que é satisfação garantida.

Ouçam ali no podcast Quintal do Jazz
Link: Here

sábado, 17 de novembro de 2007

Stan Levey Quintet

Observei que naquela excepcional caixa de Zoot Sims tem umas gravações com Stan Levey. Para quem não sabe, Levey é um baterista de mão cheia. Daqueles que sabem que lugar de bateria é na cozinha. É ali que ela amarra tudo o que é feito pelos outros músicos da banda. É na cozinha que se prepara o molho, que deverá ser servido com moderação, na certa medida para não estragar o prato. Quando é chamado à sala, Levey não nega fogo e faz seu showzinho particular. O melhor de tudo é que eu tenho um disco do quinteto de Levey, que conta com um time para ganhar campeonato: Richie Kamuka (ts), Conte Candoli (t), Lou Levy (p) e Monty Budwig (b). Cada um deles só por ter participado desse disco merece uma estátua em praça pública (o melhor é que eles fizeram mais, mas isso é assunto para depois). Gravado na Califórnia, em 1957, esse é um disco para fazer os jazzófilos babarem. Deixarei a metade do disco: Stan still, Lover come back to me e Ole man rebop.

sábado, 27 de junho de 2009

Stan "the steamer" Getz

Só depois que eu comecei a escrever em blogs foi que passei a dedicar algum tempo às notas, às fichas técnicas, aos detalhes que vêm escritos e descritos nas capas dos lps e cds. Preocupava-me mais em ouvir o som do que em ler. Achava eu que ali só poderia ter "rasgação de seda", "babação de ovo" em relação aos membros da banda. Se isso é um fato, também é fato que ali encontrarmos interessantes estórias e explicações curiosas sobre alguns detalhes das gravações, da história do jazz ou sobre alguns dos seus jargões.

Na contracapa do lp The Steamer, de Stan Getz, gravado em 56, por exemplo, é explicado que Steamer é o nick-name de Getz, e que teria sido criado por Oscar Peterson durante uma turnê européia da Jazz at philarmonic (em 55, creio). Oscar teria dito: "My, the Stanley Steamer is certainly cooking tonight" e, desde então, a rapaziada passou a tratá-lo desse modo. Não se trata, pois, da sonoridade do Stan, que está mais para cool do que para em ebulição e soltando vapor. O jogo está em relacionar "steamer" (vapor) com a expressão "cooking", jargão dos músicos de jazz que, ao contrário do que se poderia pensar (para nós, cozinhar é enrolar) designa aquele que está "mandando bem" naquela sessão.

Pois bem, Stan "Steamer" Getz reuniu-se com Lou Levy (piano), Leroy Vinnegar (baixo) e Stan Levey (bateria) para gravar esse excelente disco. Vale a pena dedicar um tempo para ouvir o piano de Levy (o seu solo em How about you? está sensacional), que, apesar de não ser um dos mais citados, é um músico que não deixa nada a desejar em comparação com os medalhões do jazz piano. Vinnegar e Levey já mereceram posts aqui e na vizinhança e já mostraram do que são capaz. Getz, por sua vez, nunca recebeu qualquer espaço aqui no meu sítio. Corrijo isso agora.

Em The steamer, o nosso herói está em plena forma e, com sopro firme e suave que lhe é peculiar, destila seu vasto repertório de frases; mais ainda, mostra-nos a sua grande habilidade em criar frases - sempre com um lirismo encantador. O som de Getz é daqueles que fazem a gente desejar tocar um instrumento. Se vocês não têm esse disco, aconselho que comprem-no logo. Vale mais do que cada centavo investido.

Ouçam alguma coisa ali no podcast Quintal do Jazz.

Link: Here!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Stan Kenton

Resolvi deixar mais um post antes de embarcar para Rio das Ostras. Só retorno no domingo.

E, vejam só, um post para falar de coisa que eu não gosto: orquestra. Sigo as palavras dos amigos visitantes: sempre rola uma coisa interessante, por mais que você deteste o lance. Eu não chego a detestar. Não é isso. Já disse antes: só não gosto de naipes histriônicos, carregando nos agudos como se quisessem derrubar as muralhas de Jericó. As orquestras gostam disso, seja como um grito de alegria ou como um acento dramático - e a orquestra de Stan Kenton não escapa dessa sina.

Mas, devo admitir, Stan faz isso de uma maneira singular. Pelo menos no disco New concepts of artistry in rhythm, gravado em 1952. Gostei de ouvir a aula - literalmente - exposta na primeira faixa Prologue (This is an orchestra!). Trata-se de uma apresentação bastante didática dos músicos da orquestra (entre eles, Maynard Ferguson, Richie Kamuca, Stan Levey, Conte Candoli, Sal Salvador, Konitz e Rosolino) e dos papéis por eles desempenhados na construção da música. É muita gente boa no mesmo palco.

Os temas que eu mais curti foram Invention for guitar and trumpet e Swing house (o naipe me fez cantarolar Bananeira, de João Donato)

Ouçam ali no podcast Quintal do Jazz

Link: Here!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Zoot

Zoot Sims tocou no disco de Pepper (comentado nesse blog), mas fez muito mais do que isso. Sua obra, seu sopro, seu fraseado, é referência entre jazzistas. Um petisco ultra interessante para se conhecer o trabalho de Sims é a caixa The Complete 1944-54 Small Group Sessions. Nela, meu caro Carlos "CD" Dias, você encontra de tudo um pouco: Sims toca com o sexteto do pianista Joe Bushkin (1944); acompanha Harry Belafonte (num quinteto sensacional: Sims, Al Haig, Jimmy Raney, Potter e Haynes - 1949); ouvirá também a dobradinha Sims e Toots Thielemans brincando com All the things you are (1950), e mais um monte de grandes músicos em diversas formações (para economizar os dedos e o teclado do computador, deixarei o encarte para você conferir). A coletânea reúne seus trabalhos gravados na Europa e também aqueles produzidos nos EUA, totalizando 67 indispensáveis faixas. Deixarei uma faixa de cada cd (escolhidas aleatoriamente) para que você aprecie e dê sua opinião. A primeira é It don't mean a thing, com King david and his little jazz (ouça o duelo de scats entre Roy Eldridge e Anita Love), a segunda é It had to be you (com Harry Biss, Clyde Lombardi e Art Blakey), a terceira é The red door (com Kai Winding, Al Cohn, Wallington, Heath e Blakey), a quarta e última é West coasting (com Stan Levey sextet: Sims, Condoli, Giuffre, Williamson, Bennett e Levey). Se gostar, deixarei na sua caixa postal.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Frank Rosolino Quintet

Os anos cinqüenta realmente foram prodigiosos para o jazz. Creio que esse foi o período no qual mais se produziu (vale uma conferida). Uma das estrelas luminosas daquele momento foi o trombonista Frank Rosolino. Em 1957, ladeado por Richie Kamuca (tenor), Vince Guaraldi (piano), Monty Budwig (baixo) e Stan Levey (bateria), foi lançado o disco Frank Rosolino Quintet, no qual o trombonista deita e rola.

O disco é elegância a toda prova, marcada pelos arranjos bem equilibrados, pela sonoridade cool e pelo suíngue. Esses elementos são costurados e arrematados pelos fraseados de Rosolino e Kamuca. Aí, meus amigos, só ouvindo para conferir. Deixarei duas composições do band leader: Let's make it e Fine shape.

domingo, 29 de maio de 2011

Bons encontros


Fim do domingão.

Penso numa das verdades do seu Acácio: quando a sorte lhe sorrir, abrace-a. Não uma sorte qualquer, mas aquela que, quando sorri, ecoa no seu corpo como um leve terremoto. Abrace-a, mesmo que o chão abra aos seus pés. A queda valerá a pena.

Com essa idéia na cabeça, abro uma garrafa de syrah (uva que regou um desses momentos de vôo livre) e coloco na vitrola um disco que muito aprecio, gravado no bom ano de 1959: Herb Ellis meets Jimmy Giuffre. Dupla que dispensa apresentações. Cenário completo.

A encantadora simplicidade com que a música flui desse velho lp é apropriadíssima para embalar as boas (e levemente melancólicas) lembranças que me envolvem. Vocês entenderão o que estou falando quando, por exemplo, ouvirem Patrícia, o solo defendido por Ellis. Citar uma faixa do lp, no entanto, é injustiça com todas as outras sete, também deliciosas, que compõem essa preciosidade.

A tribo westcoast é aqui representada por Art Pepper, Bud Shank, Richie Kamuka, Jim Hall, Lou Levy, Joe Mondragon, Stan Levey. Querem mais? Ouçam ali na radiola.

Link: Avax


sábado, 1 de maio de 2010

A chegada de Victor Feldman

E, por falar em inglês, Victor Feldman também é inglês. Lá, na velha e mofada Inglaterra, cercado por lagos de de puro malte, ele iniciou sua carreira, já disse isso aqui, como baterista. Ao mudar-se para os EUA, continuou com as baquetas, mas espancando o vibrafone, e, com os dedos, passeando pelas teclas do piano. Bem, espancar não é o verbo apropriado para as suas performances musicais. Todos sabem, que ele é um dos músicos mais respeitados do cenário jazzístico.

A maestria de Feldman pode ser atestada com o disco The arrival of Victor Feldman, gravado em janeiro de 1958. Creio ser este o primeiro disco em que se apresenta em trio. E que trio. O repertório e as performances estão impecáveis. O inglês reconquista o velho território com uma entrada triunfal - manda muito bem tanto no piano quanto no vibrafone. Ao seu lado, o impecável Stan Levey, com a elegância de sempre, conduz a bateria com a segurança que só os grandes conseguem.

Uma coisa, porém, chama um pouco mais de atenção: o baixista, meus amigos, o baixista. Deveria ter um subtítulo destacando a chegada de um jovem de 21 anos chamado Scott La Faro, que fazia, naquele momento, a sua primeira gravação. Ali já estava toda a razão que o alçou ao Olimpo dos grandes jazzistas. Impressionante.

Ouçam Chasin' shadows e Bebop

Link: Avax