
Há algum tempo, dois ou três anos, estava na casa do Lester ouvindo uns discos que Acácio levara para servir de trilha sonora para mais um relato de suas aventuras musicais-etílico-amorosas. Não sei porque Lester, o biógrafo quase-autorizado do bon vivant, ainda não a reproduziu. Não, eu não o farei. Restringirei-me a falar um pouco sobre a trilha sonora.
Enquanto Acácio, com olhos brilhantes, falava-nos de uma passagem por um dancing club em NY, onde conhecera a bela Laura Carlton (mostrou-nos a foto), mais um de seus eternos amores, rolava uma orquestra na radiola. A época, início do sessenta, destaque-se, as orquestras estavam em plena decadência e os dancings seguiam o mesmo caminho. Havia, no entanto, algumas que resistiam. Uma delas era a capitaneada por Maynard Ferguson (falecido em 23 de agosto de 2006), um dos poucos trumpetistas que conseguem trafegar com elegância pelos agudos do seu instrumento - tarefa mais que difícil. E foi sob o manto sonoro estendido pela orquestra do trumpetista que Acácio presenciou a chegada epifânica da musa que, naquela noite, eternizou-se em sua vida. Bem, algum dia, espero, vocês terão mais detalhes sobre essa passagem acaciana. Voltemos aos discos.
Maynard ferguson and his Orchestra plays jazz for dancing e Let's face the music and dance, gravados em 59 e 60, foram realmente produzidos para se dançar. Os dois discos estão reunidos no cd Dancing sessions. Os arranjos balançados e os bons solistas tornam aprazível a experiência de ouvi-los e, confesso, quase fez com que eu seguisse o conselho de Acácio e procurasse uma escola de dança para aprender uns passinhos básicos.
Ouçam dois teminhas: Soft wind e Stompin' at savoy






