sábado, 7 de maio de 2011

Há algum tempo, dois ou três anos, estava na casa do Lester ouvindo uns discos que Acácio levara para servir de trilha sonora para mais um relato de suas aventuras musicais-etílico-amorosas. Não sei porque Lester, o biógrafo quase-autorizado do bon vivant, ainda não a reproduziu. Não, eu não o farei. Restringirei-me a falar um pouco sobre a trilha sonora.

Enquanto Acácio, com olhos brilhantes, falava-nos de uma passagem por um dancing club em NY, onde conhecera a bela Laura Carlton (mostrou-nos a foto), mais um de seus eternos amores, rolava uma orquestra na radiola. A época, início do sessenta, destaque-se, as orquestras estavam em plena decadência e os dancings seguiam o mesmo caminho. Havia, no entanto, algumas que resistiam. Uma delas era a capitaneada por Maynard Ferguson (falecido em 23 de agosto de 2006), um dos poucos trumpetistas que conseguem trafegar com elegância pelos agudos do seu instrumento - tarefa mais que difícil. E foi sob o manto sonoro estendido pela orquestra do trumpetista que Acácio presenciou a chegada epifânica da musa que, naquela noite, eternizou-se em sua vida. Bem, algum dia, espero, vocês terão mais detalhes sobre essa passagem acaciana. Voltemos aos discos.

Maynard ferguson and his Orchestra plays jazz for dancing e Let's face the music and dance, gravados em 59 e 60, foram realmente produzidos para se dançar. Os dois discos estão reunidos no cd Dancing sessions. Os arranjos balançados e os bons solistas tornam aprazível a experiência de ouvi-los e, confesso, quase fez com que eu seguisse o conselho de Acácio e procurasse uma escola de dança para aprender uns passinhos básicos.

Ouçam dois teminhas: Soft wind e Stompin' at savoy

14 comentários:

John Lester disse...

Sim, Mestre Salsa, bons tempos aqueles em que vovô Acácio ainda mantinha contato com as pessoas, mesmo sem tomar seus remédios regularmente.

Obrigado pela homenagem ao velho ancião, aquele que mostrou-me como alcançar as fendas mais escuras e escorregadias do jazz.

Maynard que o diga!

Grande abraço, JL.

Celijon Ramos disse...

Não perca tampo, Salsa.
Corra logo a esbaldar-se no salão.
Agradeço-lhe o prazer de ouvir logo cedinho esse som maravilhoso de Maynard Ferguson e trupe.
Um bom dia e um abraço!

Salsa disse...

Lester, estamos aguardando a continuação das aventuras do bom e velho Acácio. Sei que você tem tudo anotado.
Grande Celijon, prazer recebê-lo. Eu tenho titubeado em "pegar" as tais aulinhas, pois tenho dançado mesmo sem sabê-lo - o que será quando dominar a kellyana arte?

coimbra disse...

Acácio você chegasse no seu chatô e encontrasse aquela mulher que você gostou...Será que tinha coragem de trocar nossa amizade, po ela, que já lhe abandonou...

aí sim,
Ferguson ia fazer efeito.

Não fosse ele os arranjos de Stan Kenton não teriam aquele efeito.
Espero que tenha vendido bastante quadro no sábado

Salsa disse...

Faltou você, camarada. Até Reinaldo, o ermitâo, foi.

PREDADOR.- disse...

Além de dançantes, o repertório desses dois discos de Ferguson, são ótimos para serem ouvidos e curtidos com um bom vinho. Uma orquestra de swing simplesmente espetacular. Excelentes gravações, mr.Salsa.

Érico Cordeiro disse...

Mr. Salsa,
Passando apenas para dar um alô.
Sem condições físicas para mais que isso - mas o Ferguson é sempre um bálsamo!

Salsa disse...

Graaandes predador & Érico,
Saúde pr'ocês!

pituco disse...

salsa san,

se esse som já foi 'decadente'...quero viver nessa decadência eterna...sonzaço

abraçsons

Salsa disse...

Tá certo, Pituco. Maynard faz a gente rever (pre)conceitos...

Bruno Leão disse...

Nice!!

olmiro muller disse...

Como se consegue ouvir os teminhas indicados?

Salsa disse...

uai, olmiro,
a radiola não está funcionando?

olmiro muller disse...

Obrigado, Salsa. Funcionou.
Maynard Ferguson talvez tenha sido o melhor trompetista da bigband clássica de Stan Kenton (1950/53).