segunda-feira, 14 de março de 2011

Für Elise - Para Elisa


Existem mulheres que afetam a percepção do artista. Algumas delas mereceram pinturas, poemas, canções, esculturas e loucuras diversas. Elisa, por exemplo, além desse post, mereceu aquela bela peça da dupla Be & Thoven, como dizem os engraçados gaúchos; Luiza foi cantada por Jobim: Beatriz, por Chico, e por aí segue um sem fim de musas. Dizem que a obra de arte é uma retribuição à beleza que os artistas nelas viram.

Em re-retribuição, há aquelas que homenageiam os autores das peças interpretando-as com a alma. Apropriam-se dos temas e, mergulhando em suas nuances, nas sutilezas das melodias e das letras, em suas histórias, revelam detalhes que antes passavam despercebidos pelos ouvintes. Algumas cantoras, especiais cantoras, conseguem fazer isso. Uma delas, que pouco conheço da obra, mas, mesmo com essa restrição, conseguiu me impressionar, chama-se Jeri Southern. O pouco que conheço justifica meu sentimento.

A menina tem uma voz mais que expressiva, contralto, límpida que, acrescida da segurança com que a utiliza, torna-se uma experiência agradabilíssima ouvi-la. Como bem destaca o encarte, Jeri não se está preocupada mostrar virtuosismo, em fazer peripécias com o seu instrumento, a sua voz. Longe di.sso, miss Jeri Southern mostra-se preocupada com o que canta - parece não querer que a sua potência vocal obscureça a história que a canção embala.

O disco que vos trago é Southern breeze, no qual se faz acompanhar pela orquestra do, para mim desconhecido (recordo-vos que não sou chegado em ouvir big bands), Marty Paich. Se não conheço o arranjador e condutor, para compensar, conheço boa parte dos membros da orquestra: Georgie Auld (tenor), Don Fagerquist (trompete), Bob Enevoldsen (trombone de válvula), Bill Pittman (guitarra) e Mel Lewis (bateria). Um timaço, vocês têm que concordar. Destaque-se uma curiosidade: a tuba, aos cuidados de John Kitzmiller com direito a solos.

Deixarei o disco rodando na radiola.

O link: Avax

segunda-feira, 7 de março de 2011

Hollywoodianas II


Vocês se lembram do seriado de tv chamado A gata e o rato? Creio que foi um dos primeiros trabalhos de Bruce Willis. Ele contracenava com Cybill Shepherd, a gata do título e dona de uma empresa de investigação onde o rato Bruce trabalhava. Rolava um clima entre os dois, mas nunca acontecia o rala e rola. Eu, lá, encantado com a sedutora e sensual figura da gata, não perdia um capítulo.

Pois bem, Cybill deve ter ganhado muita grana e se entediado com o palco televisivo. Na busca por um novo sentido para a vida (ou um novo desafio), resolveu que sua praia era outra: a música. A sensual moçoila enfiou a mão no bolso e contratou uma equipe e tanto para gravar um disco - Mad about the boy (1976). Entre os mais conhecidos estão Stan Getz, Frank Rosolino, Monty Budwig, Paulinho da Costa e, cuidando dos arranjos, Oscar Neves. O tema selecionado para abrir o disco foi Triste, creio que pelo belo solo de Stan. Na seqüência, pode-se ouvir baladas como I can't get started, This masquerade e Speak low.

O resultado, fora a performance dos músicos, foi meia-bomba. Cybill (que vocês curtem peladinha - foto de The Last Picture Show, de Peter Bogdanovich [1971]) não é desafinada, mas sua voz não sai do lugar comum. Vale como mais uma curiosidade para os fãs e saudosistas. Ouçam na radiola cor de rosa.

Link: Avax


domingo, 6 de março de 2011

Hollywoodianas I


Reservei para o dia de hoje uma curiosidade da seara jazzística.

Passeava eu pelas tramas da rede quando, de repente, deparei-me com inesperado disco: The Dudley Moore Trio, de 1969. Pois não é que o baixinho comediante também era um bom pianista de jazz? Eu, cá, em minha galopante ignorância biográfica, jamais imaginaria que o inglesinho, falecido em 2002, famoso por sua performance em Arthur, o milionário sedutor (1981) e que ficou à sombra da gostosuda Bo Derek em Mulher nota 10, também dava suas marteladas nas teclas do nobre instrumento.

Recorri à wikipedia e lá estava: o camarada estudou música em Oxford e se enveredou pelo universo jazzístico. O disco encontrado está recheado com temas de sua autoria (alguns interessantes, outros nem tanto). Acompanham-no os, para mim, desconhecidos músicos Jeff Clyne (b) e Chris Karan (d). Vale conferir.

Link: Avax

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

À moda de Teddy Charles e sua trupe


Cá estou, mais uma vez, tentando cumprir o prometido: dois posts por semana. Cumpro, hoje, pelo menos.

Estendo minha mão direita até a estante e saco um disco. Disco que há muito não ouvia (creio que por se tratar de um vibrafonista), mas que é um disco no mínimo necessário de ser ouvido. Contém gravações de 1952-53 que antecipam toda uma tendência jazzística que tomará força no final dos anos 50, início dos sessenta, especialmente sob a aura milesiana: o jazz modal.

Unem-se no disco Colaboration: West a versatilidade e a habilidade de Teddy Charles e Shorty Rogers, pianista/vibracionista e trumpetista, ladeado por colaboradores de peso, como Curtis Counce, Shelly Manne e Jimmy Giuffre (53); Jimmy Raney, Dick Nivison e Ed Shaughnessy (52).

A tal terceira via, como se costuma dizer, de fato trouxe elementos musicais para o universo do jazz que efetivamente revolucionaram o modo (não é um trocadilho) de se tocar. Como bem destaca o encarte, Teddy, ao usar elementos pouco usuais no jazz, assim como ao usar materiais convencionais de modo também pouco usados, possibilitou aos solistas uma gama de novas possibilidades para exercitarem a criatividade nos improvisos. Um bom exemplo disso é a, para mim, deliciosa versão de A night in Tunisia, gravada pelo grupo de 52.

Apreciem o disco na radiola.

Link: Avax

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Toca mais, Johnny


Tenho tido pouco tempo para publicar minhas impressões auditivas aqui no meu quintal. Aliás, tenho ouvido pouca música. Fato que deixa minha alma um pouco desértica. Hoje, dia em que o relógio retoma sua normal atividade, pareceu-me o momento apropriado para retomar a média de dois posts por semana.

Retomo o post anterior: Johnny Smith. A má impressão inicial, causada pela audição do disco easy listening, foi desfeita quando tive a oportunidade de ouvir o cd The sound of Johnny Smith guitar. Este, na verdade, reúne dois lps gravados no início dos anos sessenta: o que dá título ao cd e Johnny Smith plus The Trio.

Aqui, sim, Smith mostra seu feeling jazzy. Aliás, ele dizia que não se reconhecia como músico de jazz. Preferia trafegar por diversas áreas, sem se preocupar com denominações estilísticas. Esperava ser reconhecido como um músico competente. Quanto a isso, os trabalhos que aqui postados são mais que provas. Destaco que o tempo verbal aqui usado não significa que o camarada tenha morrido, mas que apenas parou de tocar. Segundo o encarte, ele está morando numa casa em Colorado Spring, comprada em 1958.

Acompanham-no os músicos Hank Jones, George Duvivier e Ed Shaughnessy (1 a 9); Bob Pancoast, George Roumanis e Mousey Alexander (10 a 20).

Selecionei aleatoriamente quatro teminhas para vosso deleite. Divirtam-se!
Link: Avax

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Johnny Guitar


Há algum tempo, um ano talvez, eu arranjei um disco de um guitarrista que, naquela ocasião, soou-me demasiadamente trilha sonora para coquetel. Gosto, no entanto, de dar uma segunda chance aos jazzistas. Busquei mais alguns discos e, depois de algumas audições, passei a apreciar mais o trabalho do rapaz.

Está rodando na radiola o disco Kaleidoscope, de Johnny Smith, gravado em 1967. Disco agradável e, apesar do título sugerir alguma coisa mais experimental (enfim, era final dos anos sessenta e coisa e tal), o som é clássico e, como escreveram no encarte, sem afetação. O timbre de sua guitarra é bastante distinto dos outros jazz guitar heroes e também o modo como ataca as cordas do seu instrumento. Mas, se eu tivesse que aproximá-lo de algum dos grandes, eu destacaria algumas reminiscências de Django em seu modo de fazer progressões harmônicas.

Smith está mais que bem acompanhado nesse disco. São seus parceiros de empreitada o ícone do piano Hank Jones, o grande baixista George Duvivier e o discreto baterista Don Lamond. Relaxem e ouçam a amostra na radiola.

Link: Avax

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Tal Farlow na casa do Ed


Esse cara é o Tal, grande guitarrista que, sempre que possível, deixarei alguma coisa por ele interpretada tocando na radiola.

O disco do qual emana a sonoridade que ora aprecio é o Tal Farlow at Ed Fuerst's. Até onde eu entendi as notas, o som foi gravado no apartamento do Ed, um fã alucinado do jazz, que possuía um bom piano e um tape ídem. Em seu lar, costumava-se reunir a nata dos jazzistas que trafegava pela noite novaiorquina.

Noite dessas, 18/12/56, lá estavam Farlow, Eddie Costa e Vinnie Burke. O resultado, devidamente registrado para a alegria dos apreciadores da boa música, foi uma jam com momentos bem interessantes (o piano de Costa está muito bom). Apreciem o caseiro acepipe.

Link: Avax


domingo, 30 de janeiro de 2011

Cool man, cool

Entre as guitarras - seja para o rock'n'roll, seja para o jazz - a sonoridade que mais me agrada é o produzido pela Gibson. Sonzão denso, compacto, sem arestas. E, para não perder o costume, estou ouvindo um guitarrista que empunha a ES-335 (e um violão Martin) com segurança.

Trata-se de Grant Greissman. O camarada faz (pelo menos no disco que eu tenho - Cool man, cool) aquele jazz mais pop, com grooves funk e coisa e tal, smooth, com boas pitadas de bop, lembrando aquelas coisas do selo GRP.

Nesse trabalho, de fato, Greissman mostra sua versatilidade ao trafegar por estilos diversos sem cansar esse ouvinte. O guitarrista conta com a participação de alguns colegas ilustres, que dão uma forcinha para alavancar a vendagem (entre os mais conhecidos, cito Chick Corea, Russell Ferrante, Tom Scott e Chuck Mangione).

Deixarei quatro teminhas que muito me agradaram: Too cool for the school, One for Jerry (com Jerry Hahn pilotando uma Gibson L-7 1952), Crazy talk e Nawlins.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pepper Adams - A very tough man


Eu gostaria de experimentar tocar um barítono. Disseram-me que, ao contrário do que se pensa, é um instrumento leve, não exigindo muito esforço para tirar aquele belo som, que parece emergir das profundezas da terra. Bom, enquanto isso não é possível, dedicar-me-ei a ouvir um dos mestres desse belo instrumento: Pepper Adams.

Está rodando na minha radiola o excelente 10 to 4 at the 5-spot, disco lançado em 1958, um ano após ter sido eleito pela Down beat o melhor baritonista das plagas estadunidenses.

O aspecto que gostaria de destacar é o fato de ser um disco gravado ao vivo (o encarte tece alguns senões quanto a esse ponto). Ao meu ouvir, esse é o momento em que o músico se mostra mais humano, impedido que é de ficar corrigindo supostos erros cometidos. Palhetadas, frases que não deixam o músico satisfeito são partes constitutivas de uma obra que, em se tratando de músicos da estirpe de Adams, Donald Byrd, Doug Watkins, Bobby Timmons e Elvin Jones (dedico esse último ao Predador), não poderia deixar de ser uma bela obra.

Sem mais delongas, deixo-vos o som do excelente quinteto ali na virtual radiola.

Link: Avax


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Frank Anthony Monterose Jr.


Ouço agora um disco que é muito apreciado por Érico, do jazz+bossa (já postou há algum tempo). Trata-se de J. R. Monterose, gravado em 1956 pelo grande tenorista e mais um time de primeira. Destaque-se a presença de Ira Sullivam, trompetista de sopro e fraseado marcantes.

Frank Anthony Monterose Jr. começou tocando clarineta, mas, ao ouvir Tex Beneke, um tenorista obscuro, resolveu investir seriamente no sax tenor. O resultado de sua dedicação pode ser conferido nesse mais que interessante disco. Resultado que muito deve à presença da excelente seção rítmica formada por Horace Silver, Wilbur Ware e Philly Joe Jones, que garantiu uma sonoridade sólida e equilibrada.

O disco é um daqueles que, quando está rodando no pickup, fazem o ambiente brilhar. Deixo-vos, agora, apreciar o belo trabalho (integral).

Link: Avax