Gene Ammons é um grande tenorista. Agrada-me ouvir seu sopro encorpado e seu fraseado mais tradicional, sem estridências. No período em que eu colaborei com o Jazzseen, postei um disco gravado no mesmo ano do que agora ouço: 1958. The Big Sound também conta com o timaço que participou do Groove Blues. sábado, 21 de março de 2009
O grande som de Gene Ammons
Gene Ammons é um grande tenorista. Agrada-me ouvir seu sopro encorpado e seu fraseado mais tradicional, sem estridências. No período em que eu colaborei com o Jazzseen, postei um disco gravado no mesmo ano do que agora ouço: 1958. The Big Sound também conta com o timaço que participou do Groove Blues. sexta-feira, 20 de março de 2009
Mário Laginha Trio
Descobri que o disco que agora apresento já foi postado por Sérgio Sônico, em 10/2008, em seu sítio. Postarei de novo porque é um excelente trabalho. O responsável é Mário Laginha, pianista português, músico para ninguém botar defeito. Eu não exitaria em situá-lo entre uma das melhores coisas que eu ouvi no cenário contemporâneo. Seu modo de tocar é envolvente e explora com firmeza o fraseado (com linguagem bem atual).O disco Mário Laginha Trio - Espaço, conta com Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), uma dupla acima de qualquer suspeita. O som, apoiado nesses três pilares da boa música, consegue, como um bom projeto arquitetônico, ampliar os espaços por onde circula. O seu mundo ficará maior após ouvir esse disco.
Deixarei uma faixa no pocast Jazz Contemporâneo.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Mal
Mal Waldron é um pianista seguro e elegante. Não se ouve notas em excesso em suas performances - tudo está no seu devido lugar. Pois bem, se o cara já é bom, imagine-o cercado por verdadeiros "cobras", por alguns dos grandes nomes do jazz. E é isso que acontece: nas faixas 1, 3, 4 estão ao seu lado Idrees Sulieman (tp), Sahib Shihab (as, bs), John Coltrane (ts), Julian Euell (b) e Ed Thigpen (ds); nas faixas 2, 5-8 estão Bill Hardman (tp), Jackie McLean (as), John Coltrane (ts), Julian Euell (b) e Art Taylor (ds). É ou não um time e tanto?domingo, 15 de março de 2009
McLean & Hardman
Aviso: aqui vocês não encontrarão aquele McLean mais chegado nas experimentações dos anos sessenta, mas sim um McLean mais contido (no entanto, é perceptível em seu sopro a força que, em breve, o faria se arriscar em novos caminhos sonoros). Mas o que interessa mesmo é que o sopro rascante de McLean se coadunou perfeitamente com a presença encorpada do trompete de Hardman. Isso sem contar com as marcantes presenças de Mal Waldron (piano), Paul Chambers (que dá um show usando arco para tocar o seu baixo) e o sempre preciso Philly Joe Jones (bateria).quinta-feira, 12 de março de 2009
Steve Swallow
Quem teve a oportunidade de ver e ouvir o baixista Steve Swallow sabe que ele é um daqueles músicos de alma inquieta, daqueles que sabem que a música traz em si um incontível movimento. Swallow é daquele tipo de músico que se arrisca em regiões limítrofes do oceano musical, regiões perigosas em que o risco de naufrágio é iminente. Região da qual costuma surgir alguns monstrengos, algumas criações cujas estruturas podem assustar àqueles que se deparam com elas. Mas é daí também que surgem algumas inusitadas formas que nos tomam de assalto com suas incomuns belezas.
Damaged in Transit é um disco curioso, gravado em 2001, que soa com uma boa dose de lirismo e tradição jazzística (fez-me lembrar, em alguns momentos, as peças apresentadas por Carla Bley no último TIM Festival). São nove faixas nominadas Item 1, D.I.T, Item 2, D.I.T. e assim por diante, nas quais são exploradas diversas nuances rítmicas mas sem excessos experimentalistas. Ao ouvir o disco, enquanto observava a capa, fui levado a pensar nos (des)caminhos da vida urbana, nas suas idiossincrasias, nos desencontros, no fascínio e na melancolia que circulam em suas ruas ou se encerram nos seus apartamentos. Não consegui desligar. Fui capturado pela sonoridade do trio e pelos devaneios por ela suscitados.domingo, 8 de março de 2009
Tuba, Guitarra & Bateria
O cd TGB (iniciais de Tuba, Guitarra e Bateria) foi lançado em 2002, em Portugal, a boa terra d'além mar. Um dos mentores do trio é o excelente baterista Alexandre Frazão, brasileiro, mas portuga por adoção (está lá desde 1987). Esse camarada é um dos mais competentes que eu tenho ouvido na atualidade. Ele tem uma pegada firme e precisa, propiciando um chão sempre sólido para os companheiros de banda. O guitarrista é Mário Delgado, caracterizado por uma linguagem próxima à dos seus mestres Frisell e Abercrombie, mas com uma sonoridade que denota a conquista de uma peculiar personalidade (o cara já tem uma assinatura). O piloto da tuba é Sérgio Carolino, músico de formação erudita (com currículo invejável nessa área: tocou e toca com diversas orquestras européias). A sua verve experimental, no entanto, não o deixa ficar parado em apenas um território: tem experimentado de tudo um pouco - do dixieland ao jazz contemporâneo - sempre com atestada competência.sexta-feira, 6 de março de 2009
Art da guerra - Farmer's Market
Farmer é, para mim, um dos mais gentis instrumentistas de jazz. E é justamente aí que está sua força - o seu som é capaz de capturar a atenção do ouvinte e subjugá-lo sem usar muita força. O efeito sedutor desse disco assume maior proporção por contar com o excelente Hank Mobley (ts), com o grande pianista Kenny Drew e, completando a cozinha, Addison Farmer (b) e Elvin Jones (ds). Esse último é criticado por um excesso de pratos em algumas faixas, mas não é algo que precisa ser elevado ao patamar de um crime de guerra.quinta-feira, 5 de março de 2009
Branford Marsalis - míssil 1

Contemporary Jazz foi gravado em quatro dias do mês de dezembro de 1999, com uma proposta relativamente experimental (a única faixa mais radical nesse aspecto é Elysium, de Marsalis). O título do disco, ao meu ouvir, se reflete nos aspectos harmônicos e rítmicos explorado por Branford nas composições executadas (a maioria de sua autoria), mas, mesmo assim, percebe-se a velha tradição permeando todo o disco (há, inclusive, uma versão curiosa de Cheek to cheek, de Berlin). Enfim, sabe-se, a famíla Marsalis não é de desprezar o blues e o swing.
O fato é que a proposta do disco auferiu a Jeff "Tain" Watts a oportunidade de usar suas baquetas sem dó nem piedade, assim como deu asas à imaginação do excelente pianista Joey Calderazzo, que passeou à vontade pelas teclas do seu piano. Eric Revis, o baixista, por sua vez, cumpriu sua função sem titubeios, permitindo-se ir além do bom e velho walkin' ao trabalhar patterns harmônicos bem elaborados. Não diria que esse é um petardo para demolir as estruturas do vizinho, mas é um bom aviso do potencial bélico que guardamos em nossos paióis.
Ouçam Countronious Rex no podcast do Jazz Contemporâneo.
Se ainda não foi limado, o link para o disco está HERE
segunda-feira, 2 de março de 2009
Woods, Copeland & Garland
Os EUA estão cheios de lugarejos chamados Springfield. Lugarejos que têm nos legado alguns ícones pops tais como a família Simpson e a baritonista-promessa Lisa. Na seara dos instrumentos de sopro, o Springfield de Massachusetts gerou o altoísta Phill Woods. Nome bastante conhecido de todos.
Em 1957, Woods (já com uns vinte e cinco anos) foi ao estúdio encontrar com seus companheiros Ray Copeland, Red Garland, Teddy Kotick e Nick Stabulas para mais um dia de gravações. Nesse dia, 19 de julho, foi produzido o disco Sugan (de acordo com o encarte Sugan é algum lugar perto New Hope... então, tá!). O fato é que esse disco não é nem um pouco dispensável. Os diálogos entre Woods e Copeland são daqueles que deixam os apaixonados pelo jazz mais apaixonados ainda. Isso sem falar da mestria de Garland e da gentileza de Kotick e Stabulas.
Deixarei a faixa-título no podcast Quintal do Jazz
É possível encontrar o disco no sítio cujo link está HERE!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Surf Ride with Pepper
Em casa, voltei-me para a discoteca e peguei um disco de Art Pepper. Peguei uma coletânea que reúne gravações de 52 a 54 sob o sugestivo nome Surf Ride. A capa, vocês podem conferir, traz a boa e velha long board de madeira pilotada por uma californiana. Isso foi o que faltou em meu revival: uma longboard poderia ter-me poupado do vexame no meu familiar surfari. Fica para a próxima.Retornemos a Pepper. O disco é excelente. Foi recheado com doze temas (dez deles do próprio Pepper) em gravações curtas mas intensas. As faixas mais antigas, gravadas em 4 de março de 1952, conta com Hampton Hawes (piano), Joe Mongragon (bass) e Larry Bunker (drums). Um ano depois, em 29 de março, os acompanhantes do nosso altoísta são Russ Freeman (piano), Bob Whitlock (bass) e Bobby White (drums). Em agosto de 54, o caldo engrossa com a presença do tenorista Jack Montrose (Claude Williamson carrega o piano, Monty Budwig pilota o baixo e Larry Bunker conduz a bateria). Os camaradas fazem manobras mais que radicais nesse disco. E pensar que o ídolo dos surfistas contemporâneos é um tal de jack johnson ou sei-lá-qual-é-o-nome-do-cara.
Vocês ouvirão uma amostra no podcast Quintal do Jazz
Maybe you find complete cd Here