domingo, 15 de fevereiro de 2009

Doug Watkins

Ok.

Ando com saudades do jazz. Esclareço: tenho tocado muito pouco. Nem em casa (fui visitar o blog do Olney e ele bem lá, todo prosa, porque vai fazer um sonzinho com os amigos - e eu não fui convidado!!!).

Deixemos a inveja de lado: não toco, mas tenho ouvido bastante - e muita coisa boa, destaque-se. Um dos últimos discos a que dediquei maior tempo foi Watkins at large, gravado pelo baixista Doug Watkins em 1956. É um daqueles discos que podem agradar até o Predador, nosso xiita intergalático.

Doug nasceu em Detroit, em 1934. Ainda bem que a indústria automobilística não seduziu esse que pode figurar como um dos maiores e mais eficientes baixistas do jazz. Em compensação, foi um acidente com carro, possivelmente construído em sua cidade natal, que causou sua morte em 1962, no dia 5 de fevereiro.

Apesar de sua vida breve, Doug participou de centenas de gravações com os maiores nomes do jazz (Blakey, Miles, Lateef, Rollins, Mingus e os cambau a quatro). No disco citado, ele é o líder e está com uma trupe de fazer inveja: Donald Byrd (tp), Hank Mobley (ts nas faixas 1-4), Duke Jordan (p), Kenny Burrell (g nas faixas 1-4) e Art Taylor (ds). Vocês podem ir ali no pocast Quintal do Jazz para ouvir um pouquinho mais do mesmo bom e velho jazz: More of the same (de Thad Jones).

O link: HERE!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Clifford Jordan & John Gilmore

Enfrentar uma cozinha administrada por Horace Silver, Curly Russell e Art Blakey exige coragem. O aventureiro, creio, deve estar muito seguro quanto às suas habilidades e feeling, afinal, esse trio é responsável por um dos momentos mais memoráveis do jazz: A night at Birdland (com os jazz messengers) e há muito eram reconhecidos como mestres do jazz.

Pois bem, em 1957 dois jovens tenoristas - Clifford Jordan e John Gilmore - foram lançados às feras (que não estavam ali para brincadeira). Ambos são frutos (de acordo com as liners notes) do programa musical desenvolvido por Walter Dyett (mentor de feras como Ammons, Nat Cole e Benie Green) na escola DuSable, de Chicago. Ou seja, os meninos tinham sido muito bem assessorados e foram para a arena prontos para o embate. O resultado é mais do que bom, se considerarmos a juventude dos solistas, e está registrado no disco Blowing in from Chicago.

Vocês podem aconferir, ali no podacst Quintal do Jazz, o tema Blue lights (de Gigi Gryce) . O primeiro solo é de Gilmore.

O link: HERE

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Jazz contemporâneo?

Jazz contemporâneo, né? Então, tá.

Lembro-me, como se fosse hoje, que um dos momentos mais arrebatadores proporcionado por um jazzista, por mim presenciado, foi o show de Joshua Redman (trio: baixo, sax, bateria), em Ouro Preto, em 2007. O cd, por isso mesmo, acabou perdendo a sua força. Parece que, para mim, o brilho da apresentação ao vivo ofuscou o disco (que, reconheço, ainda se mantém como um excelente disco).

Mas, dia desses, encontrei outro cd, de outro saxofonista, que, ao meu ouvido, soou com toda a força de uma boa apresentação ao vivo, mesmo sendo um disco de estúdio (destaque-se: eu não assisti o show). Refiro-me a James Carter. O disco é JC on the set, gravado em 1993, tendo como sidemen Craig Taborn (Piano), Jaribu Shahid (Bass) e Tani Tabbal (Drums) - músicos que, vocês ouvirão, impõem respeito.

Nesse disco, James Carter está simplesmente selvagem, voluptuoso, e mostra-se dono de uma inventividade que deus legou a alguns dos seus poucos escolhidos representantes aqui na Terra. O que mais dizer do seu modo de soprar? Sim, Carter sabe como poucos explorar os harmônicos (graves, médios e agudos) de um saxofone (alto, tenor ou barítono), o que se torna sua marca registrada. Também percebe-se nele uma profunda admiração pela velha geração. Vocês podem confirmar isso ouvindo o modo como ele interpreta as baladas (Hawkins se insinua em vários momentos em seu modo de tocar).

É um disco em que a tradição se amalgama com a dicção contemporânea de modo espetacular(reparem na introdução de Caravan, em que Carter detona o barítono), sem se tornar aquela coisa franksteiniana e sem graça que vez e outra nos é apresentada por alguns músicos da mesma geração de Carter. Talvez os amigos, depois de ouvi-lo, questionem se esse é realmente um disco de Jazz contemporâneo. Para mim, é. Não se tocava desse modo nos anos quarenta, cinqüenta nem nos sessenta. Com certeza.
Dêem uma conferida ali no podcast do Jazz Contemporâneo.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Bennie Wallace - o retorno.

Passei lá no Jazzseen e li o comentário feito por Oleari sobre o pouco espaço dedicado ao jazz contemporâneo naquelas plagas. Aqui tem acontecido o mesmo. O podcast do jazz contemporâneo parou em Scofield e nada mais foi apresentado. Tentarei, agora, reduzir um pouco essa lacuna. Confesso, porém, que não foi fácil, pois muito pouco de atual eu tenho em minha discoteca. Mas, ao revirar a minha estante virtual na web, encontrei um disco que merece algumas linhas. Um disco do saxofonista Bennie Wallace, gravado em 1984 (ano do big brother).

O disco é Sweeping through the city, gravado com a companhia do trombonista e maluco Ray Anderson, mais Scofield, Mike Richmond (bass), Dennis Irwin (bass na faixa 7) e Tom Whaley (drums). De quebra, ainda rola o grupo vocal gospel The Wings Of Song.

Eu já conhecia o Anderson, que costuma retomar a tradição em seus discos com um misto de homenagem e iconoclastia. No disco do Bennie o mesmo acontece. Ele parece nos dizer "olha, gente, já não dá mais para fazer o som como antigamente, mas ainda dá pra fazer um som arretado usando os elementos que nos foram legados". E isso acontece: polirritmia, polifonia, viagens atonais, blues, swing, spirituals, tudo é mesclado sem o menor pudor, produzindo uma tessitura impressionantemente alegre. Uma festa. Dêem uma conferida ali no Podcast Jazz Contemporâneo (deixarei duas faixas).

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Swinging with Jimmy Knepper

Enquanto eu ouvia o disco que estou, enquanto escrevo, novamente ouvindo, lembrei-me do chapa-velho-de-guerra-jazzeiro-de-primeira-linha e presidente vitalício do clube das terças, mr. Reinaldo Santos Neves. Antes que me perguntem o por quê, vou logo respondendo: é um disco de swing e ainda por cima de um parceiro de Charles Mingus, um dos ídolos do prez. O band leader dessa gravação é o trombonista Jimmy Knepper.

O nome do disco é A swinging introduction to Jimmy Knepper, gravado em 1957. O time que o acompanha nesse exercício introdutório ao swing, um dos pilares do jazz, é de primeiríssima linha: Gene Roland (tp, nas faixas 5, 7, 9), Gene Quill (sax alto nas faixas 1-4, 6, 8 ) , Bob Hammer (piano nas faixas 5, 7, 9), Bill Evans (piano nas faixas 1-4, 6, 8), Teddy Kotick (b) e Dannie Richmond (ds).

Quem Também gostaria dessa bolacha é o chapa e fã de Evans e colecionador inveterado Rogério Coimbra (se é que não conhece - o cara tem tudo do jazz). Evans swingando? Poderia perguntar algum provocador. Mas, saiba você, provocador, que Evans conhece esse negócio como poucos - o piano, a música, o jazz.

Retornando ao líder da cena, fiquem sabendo que Knepper, meus amigos, sabe pilotar o trombone como poucos (sabia, pois faleceu em 2003). O seu som é preciso, veemente, e suingado, obviamente. Mas, puxando a brasa para a minha sardinha, eu gostei mesmo foi do Gene Quill. Esse camarada andou gravando umas coisa com Woods e participou de algumas big bands (de Krupa, Rich, Mulligan e outros que não me recordo e a preguiça não me deixa pesquisar). Que figurinha arisca, senhoras e senhores, que volúpia sonora, seus pés com certeza estão fincados no bop. Fez-me reouvir o disco diversas vezes. Para mim, Knepper e Quill dominam a cena do disco. Acho até que vou deixar duas faixas no Podcast Quintal do Jazz.

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sábado, 31 de janeiro de 2009

Hubbard: veio para ficar!

Salsaroca, meu filho, não vá fazer como o CD e se escafeder no meio da floresta. Espero que continuemos nossa parceria jazzística e blogueira. Ah, e não saia por aí dizendo que eu sou fã de fusion. Eu até gosto de alguma coisa, mas minha discoteca dessa vertente é mínima. Agora, por exemplo, eu não estou ouvindo fusion, mas um dos músicos que deu uns bons palpites nessa área: o finado Freddie Hubbard.

Imagina só esse camarada, com algo aí pelas bandas dos vinte anos, despencando de Indianapolis direto para New York para encarar os grandes monstros de jazz? É óbvio que ele não amarelou. Logo, logo, ele se mostrou como sendo um deles, uma fera entre as feras. Aos vinte e quatro anos gravou um trabalho interessante, com a marca de um músico seguro, cujo título já dizia tudo: Here to stay. Veio, ouviu, tocou e convenceu. O seu sopro claro não nega a estirpe brass do seu instrumento. O moleque mandava muito bem.

Nesse disco, ele está acompanhado por Shorter (tenor), Walton (piano), Workman (baixo) e Joe Jones (bateria). Sonzeira hard para ninguém botar defeito (o Predador, talvez). Deixarei a faixa de abertura, um filé ao ponto e bem condimentado composto em homenagem ao baterista da banda: Philly mingnon. Pode pedir que o serviço é de primeira.

Link: HERE!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

The Bud Shank Quartet

Pois é, inscrevi-me em um concurso em Rondônia. Se aceitarem meu curriculum irei de mala e cuia para fazer a prova. Se passar, planejo abrir um boteco só para tocar jazz. Jazz selvagem. Taí um nome: jungle jazz bar.

Enquanto isso não acontece ficarei por aqui mesmo ouvindo o quarteto de Bud Shank, gravado em 25 de janeiro de 1956. Destaque-se a capa muito bem transada (daquelas que dá vontade de mandar estampar numa camisa). Bud é um cara cool. Sua sonoridade está ali pelos lados de Pepper e Desmond, com um sopro sem muitas arestas, frases curtas mas veementes, e muito, muito feeling. Destaque-se que aqui ele também encara a flauta (para mim, esse é um fator que reduz um pouco o valor do disco - prefiro Bud encarando o sax alto).

O disco inicia com um blues bacana (Bag Of Blues, de Bob Cooper), com muito balanço e bossa, com o qual todos (Claude Williamson - piano, Don Prell - baixo, Chuck Flores - bateria) parecem se divertir bastante. As seis faixas (mesmo aquelas tocadas com flauta ou em up tempo) mantêm um clima agradável que talvez ajude a refrescar as tardes da amazônia. Vale a pena conferir.
Como sempre, deixarei uma faixa no podcast Quintal do Jazz.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sunny side up

Lá estava eu, confuso e difuso (como mostra a foto) na bela natureza, sendo tragado pela praia no quintal da casa do bom camarada Fernando. Tudo bom. Música, bebidas, comidas e amigos. Retornei para casa na tarde quase noite de domingo em tempo para assistir o flamengo jogar. Aí começa o retorno ao real - ou do real, como preferirem. Time meia-bomba. Mas o real mesmo me esbofeteou na segunda de manhã: carro arrombado. Meu carro que nem tocadisco tem. Na garagem de prédio. Só o meu. Meu equipamento de som, que deixo no porta mala, todo espalhado. Sabiam, pois. Bem informado, o lalau. Mas alguém, desavisado, deve ter chegado e assustou o larápio. Isso aconteceu no domingo de manhã e os vizinhos nem tchuns para a esbórnia no meu carro.


Antes de saber o que já havia acontecido, eu fiquei ouvindo alguns discos que há muito eu não ouvia. Um deles foi o Sunny side up, do altoísta Lou Donaldson. Disco agradável gravado em duas sessões no mês de fevereiro de 1960. Gostei um bocado da performance do trompetista Bill Hardman, de sopro honesto e eloquente. O pianista Horace Parlan também marcou bem ali no meio do campo, distribuíndo as jogadas e se atacando. Sam Jones, vocês sabem, não é de deixar a bola cair e sabe conduzir bem o ritmo da coisa. Laymon Jackson, que substituiu Sam em algumas faixas, manteve bem o andamento. E Al Harewood, o baterista, também não é de brincadeira e não deixou nada passar. Segurança completa na cozinha.


Agora, atrasado, vou à DP registrar a ocorrência. Antes, deixarei uma faixa ali no podcast Quintal do Jazz.


O link é aqui: HERE!


domingo, 25 de janeiro de 2009

São João Coltrane

Bem, alguém tem que trabalhar nesse sítio. Salsa, pelo que parece, deve ter colocado o fígado no quarador depois da esbórnia em erma e recôndita praia (e deixou o telefone desligado). Eu, cá, não consegui nada de festa nenhuma em nenhum lugar para ter o que reclamar da natureza do álcool e dos petiscos insalubres servidos. Tive que me satisfazer com um ou outro disco em minha velha vitrola garrard e uma surrada garrafa de vodka com suco de laranja.

Um dos discos que me fizeram companhia foi o Settin' the pace, de São João Coltrane, que, como nos alerta as notas da contracapa do cd (eu tenho o lp), não se trata do tema imortalizado pelas interpretações de Dexter Gordon e Leo Parker. O título refere-se ao lugar ocupado no cenário jazzístico pelo genial Coltrane: ele estava realmente marcando um novo rítmo, impondo sua marca entre os jazzistas e os apreciadores desse estilo musical.

O disco é, como os outros por ele gravado no final dos anos cinquenta (sem trema, só para implicar), muito bom. São quatro temas (I see your face before me, If there is someone lovelier than you, Little Melonae e Rise'n'shine, sendo esta a única em up tempo) nos quais Garland, Trane, Chambers e Taylor conseguem construir um clima aconchegante sem resvalar para a melancolia. Poderia dizer que o clima das três primeiras faixas é totalmente cool não fora o sax incandescente de nosso herói, que tira faíscas com sua peculiar forma de tocar.

Deixarei a balada If there is someone lovelier than you para os navegantes, lá no podcast Quintal do Jazz

Caminho das pedras: Here

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Red Garland

Ficarei afastado durante o fim de semana, convidado que fui para uma festa em aprazível lugarejo do litoral capixaba com mar calmo, tépido e aconchegante, mais, pelo que conheço do povo, muita, muita, muita bebida de boa estirpe e acepipes ídem.

Antes de içar velas, deixarei mais um disco do grande pianista Red Garland. Um daqueles gravados no final dos anos cinqüenta (57, para ser exato) que o Predador disse ser dos melhores gravados por Garland, a saber, All morning long.

Ira Gitler esclarece nas liner notes que o grupo não era bem um grupo fixo, que excursionava e coisa e tal. A rapaziada (Coltrane, Red, Byrd, Joyner e Taylor) costumava se reunir para uns trabalhos aqui e acolá, contando, às vezes, com outros músicos como o altoísta Lou Donaldson, por exemplo. O fato é que é um disco realmente muito bom. São três faixas longas, nas quais Red Garland mostra sua capacidade de construir belas passagens em improvisos pouco ou nada repetitivos. O mesmo pode se dizer de todos os participantes, que têm espaço de sobra para mostrarem suas peculiaridades ao pilotarem seus instrumentos (confesso ter até curtido o longo solo do baixista George Joyner, na faixa All mornin' long - abertura do disco).

Ali no podcast do Quintal do Jazz vocês poderão ouvir Coltrane, Byrd e Garland dissecando They can't take that away from me.

Para os gulosos, eis o link do sítio que fornece o disco para download