quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Dizzy Reece

É impressionante a quantidade de coisas que a gente encontra na rede. O trabalho (mais que agradável) fica por conta do selecionar algumas delas (são muitas opções) que agradem ao meu ouvido para que eu possa partilhar com os colegas visitantes. Pelo andar da carruagem, creio que passarei o resto dos meus dias falando sobre discos que me surpreendem, que prendem minha atenção, que me fazem sentir uma inveja danada daqueles que conseguem tocar um instrumento (eu tenho duas mãos esquerdas sem sincronia).


Hoje, por exemplo, estou às voltas com um disco de um trompetista que pouco conhecia (creio que tem alguma coisa postada lá no jazzseen). Trata-se do jamaicano Dizzy Reece, que, não se desesperem, não é músico de reggae. As liner notes do disco afirmam que ele foi "importado" de Londres, em 1959, por Alfred Lion, um dos papas da Blue Note, que se deixou levar pela sonoridade do então jovem de 28 anos que destilava seu veneno nos botecos londrinos.

Star bright marca sua chegada ao solo dos Estados Unidos. Chegada recepcionada pelo excelente time da Blue Note formado por Hank Mobley (tenor), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (baixo) e Art Taylor (bateria). O resultado não poderia ser outro: excelente.


Deixarei no podcast Quintal do Jazz o tema The rake, composto por Reece.


O disco está aqui no avax: here!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pee Wee Russell



Lembro-me que, em 1982, meu irmão me deu uma clarineta (de ébano - está completamente desmontada em um armário). Junto com a clarineta, ele trouxe uns discos de dixieland. Pura festa, aquele som. Achei genial aquele som aveludado, aconchegante, mas que consegue impor uma grande dose de alegria quando devidamente solicitado. Provavelmente, naquelas coletâneas, devia ter alguma coisa com Pee Wee Russell, esse ícone do jazz.


Lembrei-me da cena por estar agora ouvindo um disco muito bom - Ask me now! - de Pee Wee, gravado em 1965, no qual ele divide a cena com outro músico que surgiu no meio dixie: o trombonista Marshall Brown (que também encara o trompete baixo). Só que, no caso desse disco, eles estão se arriscando na nova seara jazzística e interpretam, ao lado de alguns velhos standards, temas de Coltrane, Monk e, pasmem, Ornette Coleman. O resultado, para mim, ficou sensacional.


O time se completa com o bom baixista Russell George e com o educadíssimo baterista Ronnie Bedford, que souberam manter o clima sóbrio e envolvente dos temas interpretados. Não me deterei em mais divagações. Vocês poderão ouvir Turnaround (Coleman) e Hackensack (Monk) no podcast Quintal do Jazz.


Para aqueles que quiserem mais, eis o caminho das pedras: Link here

domingo, 18 de janeiro de 2009

Curtis Fuller

Ah, meus amigos, mais duas boas coisas caíram no meu colo, via avax, enquanto eu brincava na rede. Não há como não falar disso: dois representativos discos de Curtis Fuller, o grande trombonista que a partir do final dos anos cinqüenta (não abdico do trema, como também defende meu parceiro Salsa: reparem como o u fica como uma cara sorridente) torna-se referência para a nova geração de trombonistas.


O primeiro é The opener, de 1957, sua primeira gravação para a Blue Note, ladeado pelas feras Hank Mobley (tenor), Bobby Timmons (piano), Paul Chambers (baixo) e Art Taylor (bateria). Na bela balada A lovely way to spend an evening, que abre o disco, Fuller consegue nos convencer que ouvi-lo é justamente o que sugere o título da canção. O grupo, aliás, compõe a cena de modo sublime.


Em Hugore, quem inicia o passeio é o grande Mobley, admirável e versátil tenorista, com um solo na medida certa. Esse tema, mais balançado, permite a Fuller mostrar sua face hard. Ele mostra que sabe acariciar mas também sabe ser firme quando necessário. O disco ainda contém as faixas Oscalypso, Here's to My Lady, Lizzy's e Soon, nenhuma delas é dispensável.


Deixarei Hugore no podcast Quintal do Jazz


O link avax: here


PS - O segundo disco fica para o próximo post.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Chet Baker Boppin'

Onde você estava em 1964, nobre visitante? Eu devia estar no terreno baldio ao lado de minha casa brincando com a molecada. Jogando pião ou futebol. Enquanto eu me divertia com os amigos, outro camarada - Chet Baker - também devia estar se divertindo em um estúdio durante aqueles três dias (23-25) de agosto, que culminou com a produção de cinco discos para a Prestige: Smokin', Groovin', Comin' on, Cool burnin' e Boppin'. Em todos eles Chet empunhou o flueghel. E o fez com a sua patente maestria. Eu lhes trago, hoje, o Boppin' with Chet baker Quintet (curiosamente pouco se fala desse disco - nem no allmusic eu achei um comentário).

O título parece ser extemporâneo, considerando-se tudo que estava acontecendo com o jazz naquele período. O nome mais reflete o seu reencontro com o som e com os amigos ianques, pois ele estava retornando após uma estadia de cinco anos na velha Europa (provavelmente fugindo de alguma encrenca - amargou uma temporada em uma cadeia italiana). O fato é que Chet era um cara cool e não embarcava em qualquer onda.

Chet chegou trazendo a tiracolo um fluegelhorn (o primo gordo do trompete) que ganhara de um amigo após ter seu trompete furtado em um boteco europeu. O novo instrumento ainda lhe causava alguma estranheza - embocadura diferente, mais ar para fazer o bicho cantar e por aí vai. Quem ouve aquele som aveludado não imagina a complexidade para tocá-lo. Isso, contudo, não atrapalhou a performance do nosso herói maldito, que contou com uma boa equipe para assessorá-lo na gravação: Roy Brooks (drums), George Coleman (Tenor), Kirk Lightsey (Piano) e Herman Wright (Bass).

Vocês poderão conferir ali no podcast Quintal do Jazz ou, se quiserem, poderão baixar no link: here!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Crisis? What crisis?

Assistam o especialista explicando a crise financeira mundial. Realmente hilário:

PS - Pesquei lá no Don Oleari

sábado, 10 de janeiro de 2009

High Pressure

O pessoal tem me alertado por estar facilitando links para download. A minha verve paranóica associada à minha histórica filiação à lei de Murphy faz-me ficar apreensivo. Um dia a casa cai - mais um pouco. Mas, putz!, os links estão disponíveis na rede - são milhares e milhares - e eu só estou mostrando alguns (não faço uploads). Se vocês visitarem alguns dos blogs listados ali ao lado, vocês ficarão chapados com a profusão de gravações dos mais diversos estilos disponibilizados aos navegantes.

Veja só, por exemplo, o que achei (acho que no jazzever) a semana passada (o lp eu já possuía): High pressure, do grande pianista Red Garland. Esse é um bom disco entre muitos outros que a gente esbarra aí pela rede. Foi gravado em 1957, no famoso Hakensack, em duas sessões, contando com a participação de Saint John Coltrane, Donald Byrd (sem surdina), George Joyner e Arthur Taylor.

Garland é realmente uma máquina de produzir som - são inúmeras as gravações que ele nos legou entre os anos cinqüenta e sessenta. É um daqueles que sempre privilegiam a melodia, mas sem deixar de se arriscar em construções harmônicas cheias de acordes marotos (daqueles que abrem imensas janelas para o improvisador da vez se deleitar). Aí, meus amigos, Byrd e Trane deitam e rolam. Observem como os dois sopradores brincam à vontade.

Deixarei a belíssima balada Solitude (Ellington, Mills e DeLange), que me deixou emocionado, no podcast Quintal do Jazz

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

John Scofield & Ray Charles

Indiscutível a importância de Ray Charles para música pop moderna. Homenageá-lo, então, torna-se uma obrigação. O excelente filme dedicado a ele, dirigido por Taylor Hackford, é um bom exemplo de justa e bem feita homenagem. Outro bom momento é o disco That's what I say, de John Scofield.


O bom guitarrista, que, dizem, foi chamado de desafinado por Miles Davis, produziu um trabalho que condiz com a estatura de Ray Charles. Os arranjos conseguem unir bem o groove de Scofield com o peculiar balanço de Ray, tornando o disco bastante agradável aos meus ouvidos. Destaco o fato de Scofield estar usando pedais mais discretos, deixando o som de sua guitarra mais incorpado e permitindo que ouçamos mais suas peripécias com as escalas musicais (eu não gosto de efeitos muito carregados, que acabam embolando as notas e arranhando meus sensíveis tímpanos).


Deixarei duas faixas no Podcast do Jazz Contemporâneo. Digam-me o que acharam.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

The Rosenberg Trio

Estou ouvindo um disco de um grupo para o qual não me vem à cabeça nenhuma classificação que não seja excelente. Trata-se do The Rosenberg Trio. Pelo menos nesse disco, que é o único ao qual eu tive acesso, o padrão musical é irrepreensível.



A única anterior notícia que eu tive desse trio foi durante a busca de uma música que eu só conhecia de partitura. Achei a música interpretada pelo grupo. E por aí ficou durante longo período. Em dezembro de 2008, em meus passeios noturnos pela rede, tropecei no cd Live in Samois, um tributo a Django Reinhardt. Que grata surpresa, senhoras e senhores. Creio que o espírito do cigano homenageado deve estar sorridente até hoje por causa dessa homenagem.



O trio é formado por Stochelo Rosenberg (guitarra solo), Nous'che Rosenberg (guitarra base - rítmo) e Nonnie Rosenberg (double bass). Vocês constatarão com facilidade que Django não é apenas homenageado, ele está presente no modo como o trio toca. Ele é influência direta e assumida. O swing e a mandada cigana transbordam em cada um dos temas executados pelos holandeses. Para mim, foi impossível interromper a audição.


Partilharei com vocês, ali no podcast Quintal do Jazz, os temas Belleville e It don't mean a thing

Link here & here

KW - simsim

sábado, 3 de janeiro de 2009

Jazz Sahib

Ontem, sol rachando a moleira, fomos à praia, eu e as crianças. Objetivo 1: comprar uma prancha de surf (surfboard) e, 2, pegar umas ondas. É isso. Só assim para eu fazer exercício - dentro d'água, do marzão azul/verde de Manguinhos. Mar pequeno, para aprendizes, tostamo-nos ao ponto de camarão.


Na areia, enquanto as crianças nadavam, pluguei-me no mp3 e fiquei curtindo o bom disco Jazz Sahib, safra 1957, capitaneado pelo baritonista Sahib Shihab. Ao seu lado estão Phil Woods e Benny Golson (sax alto e tenor, respectivamente). A sessão ritmica conta com duas formações: uma com Hank Jones (piano), Paul Chambers (baixo) e Art Taylor (drums) e outra com Bill Evans (piano), Oscar Pettiford (bass) e mantém Art Taylor (drums).



O som pode ser aproximado ao do disco Wilburn & Coltrane aqui postado há poucos dias, com boa dose de blues e com algumas faixas soando um clima a moda de Mingus em seus bons momentos (The moors, por exemplo, em que Shihab faz um solo excepcional) . Eu achei uma boa aquisição. espero que vocês curtam a faixa que deixei no podcast Quintal do Jazz


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Trane whistle

Li num blog ali ao lado, nos comments, escrito por um tal Ovídio: "Não são seus esses seios que são seus em minha boca". Ê, saudade, hein? Alguém amado. Interferências desse tipo podem afetar a percepção da beleza presente. De quem, enfim, são os seios? Não sei se a menina gostaria de ouvir isso. A atual, digo. A que está servindo de suporte para o delírio poético.


Bem, superposições existem. Alguém nos faz lembrar de outro alguém e assim vai. Boas lembranças, espero. Quando, entre amigos, ouvimos jazz é comum dizermos "fulano lembra cicrano" no período tal etc e os cambau. Referências que nos marcam, como os seios parecem ter marcado o poeta.


As homenagens prestadas a alguns grandes nomes do jazz, de certo modo, guardam esse tipo de experiência afetiva. Ouço agora um disco muito interessante - Trane Whistle - encabeçado por Eddie "Lockjaw" Davis e arranjado por Oliver Nelson e Ernie Wilkins. O título/primeira faixa, literalmente "apito do trem", composta por Nelson, em sua grafia traz o diminutivo carinhoso de São João Coltrane. Não sei se era essa sua intenção, mas, de qualquer modo, pode ser visto como uma homenagem sutil ao herói do tenor. Homenagem magistralmente interpretada por um super time, que inclui Clark Terry, Richard Williams e Bob Bryant (trumpets), Oliver Nelson, Eric Dolphy, Jerome Richardson,George Barrow e Bob Ashton (palhetas) Melba Liston e Jimmy Cleveland (trombones); Richard Wyands (piano); Wendell Marshall (bass) e Roy Haynes (drums).


O disco é espetacular. A big band de Davis está afiadíssima e vale todo centavo investido na aquisição do cd, se encontrá-lo. Deixarei duas faixas no podcast Quintal do Jazz - Trane whistle e The stolen moments.


Caso fiquem interessados em ouvir o disco inteiro, eis o link para download