Li num blog ali ao lado, nos comments, escrito por um tal Ovídio: "Não são seus esses seios que são seus em minha boca". Ê, saudade, hein? Alguém amado. Interferências desse tipo podem afetar a percepção da beleza presente. De quem, enfim, são os seios? Não sei se a menina gostaria de ouvir isso. A atual, digo. A que está servindo de suporte para o delírio poético.
Bem, superposições existem. Alguém nos faz lembrar de outro alguém e assim vai. Boas lembranças, espero. Quando, entre amigos, ouvimos jazz é comum dizermos "fulano lembra cicrano" no período tal etc e os cambau. Referências que nos marcam, como os seios parecem ter marcado o poeta.
As homenagens prestadas a alguns grandes nomes do jazz, de certo modo, guardam esse tipo de experiência afetiva. Ouço agora um disco muito interessante - Trane Whistle - encabeçado por Eddie "Lockjaw" Davis e arranjado por Oliver Nelson e Ernie Wilkins. O título/primeira faixa, literalmente "apito do trem", composta por Nelson, em sua grafia traz o diminutivo carinhoso de São João Coltrane. Não sei se era essa sua intenção, mas, de qualquer modo, pode ser visto como uma homenagem sutil ao herói do tenor. Homenagem magistralmente interpretada por um super time, que inclui Clark Terry, Richard Williams e Bob Bryant (trumpets), Oliver Nelson, Eric Dolphy, Jerome Richardson,George Barrow e Bob Ashton (palhetas) Melba Liston e Jimmy Cleveland (trombones); Richard Wyands (piano); Wendell Marshall (bass) e Roy Haynes (drums).
O disco é espetacular. A big band de Davis está afiadíssima e vale todo centavo investido na aquisição do cd, se encontrá-lo. Deixarei duas faixas no podcast Quintal do Jazz - Trane whistle e The stolen moments.
Caso fiquem interessados em ouvir o disco inteiro, eis o link para download