quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A voz de Johnny Hartman

Todos dizem que o disco que Johnny Hartman gravou com Coltrane é o melhor de sua discografia. Sem discordar nem concordar, gostaria de apresentar outro, gravado alguns meses depois: I just dropped by to say hello.

Neste disco, a possante voz de Hartman se faz acompanhar por um time e tanto: Hank Jones (piano), Milt Hinton (baixo), Elvin Jones (bateria), Illinois Jacquet (tenor em cinco faixas), Kenny Burrell e Jim Hall (guitarra em três e duas faixas, respectivamente).

O resultado soou-me mais leve do que o gravado com Coltrane, com Hartman mantendo a sua inquestionável elegância ao entoar suas baladas. O clima construído pela banda é envolvente e fez-me sonhar com uma rede e uma boa garrafa de shiraz.

Deixarei alguma coisa ali no podcast Quintal do Jazz (provavelmente o último, antes que o gcast feche suas portas à música).

Link: Avax

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O jazz que veio do frio

Encontrei uma novidade na rede: Auteur Jazz. O grupo é formado músicos filandeses e tem como líder o multiinstrumentista Antti Hynninen. O disco que vos apresento é Aphorisms, gravado em 2009.

O som remeteu-me às bandas que tocavam nos clubes ianques (versão hollywoodiana) povoados por gangsters e belas mulheres. Aqui há uma bem dosada dose de contemporaneidade que, mesclada à tradição do suíngue, promove um resultado balançante como há muito não ouvia entre os novos. Destaque para o baritonista Joakim Berghäll e para a crooner Sara Sayed (que participa de algumas faixas).

O grupo, contudo, não se detém (infelizmente) na perspectiva acima citada. Encontramos também uma dose de som mais experimental - que não deixa de ser interessante, mas rompe demais com o balanço. Tentarei deixar duas faixas para vocês no podcast do jazz contemporâneo.
Link: Avax

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mozart in Jazz

A terceira via do jazz propõe a aproximação com a música erudita (ou clássica, como queiram). Desde os anos cinquenta, creio (corrija aí, Lester), tenta-se articular esses dois campos. Acho que uma das seqüelas daí decorrente é o jazz "cabeça" que tem rolado por aí - aquela coisa fria, sem balanço, belo como um iceberg no oceano. Beleza fria. Mas nem sempre é assim. Vez ou outra aparece um disco em que pegam um autor clássico e interpretam-no com o suíngue do jazz, ou, a maneira de Tristano, compõem peças nas quais as informações clássicas/eruditas estão fortemente presentes (sem perder o balanço).

É justamente isso que eu estou ouvindo: John di Martino's Romantic Jazz Trio - Jazz Mozart. O trabalho do jovem e muito bom pianista (50 anos) tem suas raízes fincadas no mesmo quintal de seus professores Lennie Tristano e Don Sebesky, ambos mestres da thirdstream.

São seus colaboradores na delicada tarefa de reinterpretar Mozart o baixista Boris Koslov e o baterista Ernesto Simpson. Não sei o que dirão os puristas eruditos, talvez execrem a obra, mas, para mim, o resultado foi agradável.

Ouçam ali no podcast os temas Lacrymosa (requiem k696) e The fire of passion (concerto para piano #24 em C menor K491)

Link: Avax

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O fanqueiro e o poeta

Érico faz um poema lá e eu faço outro cá:



Poema moderno
ou
Uma questão de estilo

Perguntei ao amigo:
Onde anda o poeta
que folgava entre a mesas
cogitando rimas,
construindo versos,
calculando a métrica
- sempre justa -
das coxas das musas?
- Morreu! Respondeu-me, tétrico.
Afogou-se em quimeras,
desnudou-se na praça
tecendo loas a Hera,
abraçou um mendigo
e beijou suas chagas,
dividiu o mar de carros que inundava a avenida
e, de braços abertos,
foi ao encontro da desejada Mercedes.


Leia ouvindo (no podcast jazz contemporâneo) a funkeira do disco de Roy Hargrove - The RH factor: Distractions - gravado em 2006.
Link: Avax

sábado, 16 de janeiro de 2010

O sermão de Jimmy

Já disse isso e reafirmo: órgão não é um instrumento que me atrai. Já ouvi alguns bons discos liderados por organistas e coisa e tal, mas fica por aí. Jimmy Smith, por exemplo. Eu tenho alguns dos seus discos mas não fazem parte das minhas audições habituais. Às vezes, para sair do lugar comum, eu sapeco um ou outro na radiola.

Antes que me perguntem, eu respondo: antipatizo com alguns ataques que ele faz no meio dos temas, de modo abrupto, soando estridentemente (como vocês poderão conferir no tema JOS, aos 4'32'', creio que para, desnecessariamente, chamar a atenção do solista). Pois bem, essa faixa está no cd duplo - The complete sermon sessions - que reúne as gravações que resultaram em dois dos seus discos: The sermon e House party, somadas com mais algumas que ficaram de lado na época (final dos anos 50).

Não posso deixar de admitir que essa edição ficou muito boa, apesar de o montante de som exigir alguma paciência (quase duas horas e meia - só a faixa The sermon dura bons e palatáveis 20 minutos). Um dos fatores que valorizam essas sessões é o time que participou das gravações. Estão ali reunidos Lou Donaldson, Curtis Fuller, Kenny Burrell, Lee Morgan, George Coleman, Tina Brooks, Donald Bailey, Art Blakey e Eddie McFadden. Temos, pois, razão mais que suficiente para arriscarmo-nos numa audição desse disco.

Confiram ali no podcast Quintal do Jazz.

Link: Avax

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Jack Wilkins

Esse é novidade para mim: Jack Wilkins.

Trata-se de um bom guitarrista. Mostra-se ágil, hábil e seguro em suas construções melódicas. O disco Mexico, lançado pelo selo CTI, traz uma dose equilibrada de latinidade (e aqui o Brasil marca forte presença) - aquela dose que não transforma tudo em mambo.

Um exemplo de precisão e agilidade está no tema Dailey Double, que abre o cd. Wilkins entra de sola, numa avalanche de notas muito bem colocadas. Em My foolish heart, ouvimos um curto e delicado chord melody que nos deixa com aquela vontade de ouvir mais um pouco. Destaque-se a presença de Phil Woods, que arrebenta em duas faixas. Em ambas, Captain Blued e Opal, o altoísta mostra porque é um dos grandes nomes do jazz. A bossa comparece no tema O grande amor, de Jobim e Vinícius, apesar de o batera japonês Akira Tana parecer estar tocando marchinha.

Um disco refrescante, que merece a atenção dos amigos.

Ouçam ali no podcast Jazz Contemporâneo.

Link: Avax

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sonny Stitt

Mas do que eu gostei mesmo foi do cd So doggone good, do bom e velho Sonny Stitt.

Gravado nos anos setenta, esse disco me surpreendeu pela sonoridade visceral do tenor tocado por Stitt, músico mais conhecido como altoísta. Ao seu lado estão Hampton Haws (piano), Reggie Johnson (baixo) e Lenny McBrowne (bateria), que fazem um trabalho corretíssimo.

A sonoridade do disco é recheada por suíngue e blues, vigas mestras do veio principal do jazz. Acrescente-se aí o fraseado bebop do Stitt. Fiquei feliz com o que eu ouvi.

Confiram no podcast Quintal do jazz.

Link: Avax

James Moody plays Mancini

Calor insuportável! Sem ar condicionado, então, a coisa fica feia. Apelei para um suco de uva com hortelã e muito gelo picado. Na vitrola, um disco que encontrei na minha rede de descanso: Moody plays Mancini.


Reunido com o tecladista Gil Goldstein (teclados),Todd Coolman (baixo) e a cantada e decantada baterista Terri Lyne Carrington, o grande saxofonista concebeu um disco com um clima que consegue retirar do ar o peso do excessivo calor. O resultado é um disco leve como o suco que agora degusto.


James Moody está na ativa desde os anos quarenta, pilotando tenor, soprano, flauta e, vez ou outra, o sax alto. Indiscutível a sua qualidade musical. Ele é um dos que a gente pode ouvir sossegado, pois a possibilidade de o disco ser agradável é muito grande. E é o que acontece com esse cd, mesmo quando ele se arrisca na cantoria interpretando a bela Moon river e I love you and don't you forget it.


Ouçam ali nos podcasts quintal do jazz e jazz contemporâneo.


link: Avax

PS - O Gcast deixou recado dizendo que as radiolas não mais receberão músicas a partir de fevereiro de 2010, mas continuarão funcionando com o que já está postado. Aceito indicações para outro tocadisco confiável.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Kessel

O guitarrista Barney Kessel é um frequentador contumaz desse blog. Já esteve por aqui pelo menos umas quatro vezes e, com o post de hoje, com certeza é o recordista do bom e velho quintal. Nos anos cinquenta, ele foi um dos Poll winners (prêmio concedido aos melhores músicos por revistas com Down beat, Playboy e Metronome) - aliás, não foi só uma vez que Kessel faturou o prêmio.

Pois bem, em 56 ele lançou um disco - Music to listen to Barney Kessel by- justamente para, dizem por aí, comemorar a premiação. O lp contou com uma formação peculiar: além dos seus parceiros Manne (bateria), Previn (piano) e Buddy Clark (baixo), partcipou das gravações um naipe de quatro sopros (clarinete, clarone, flauta, english horn e por aí a fora - sem saxofones), aos cuidados de Buddy Collette, Jules Jacob, Justin Gordon, George Smith. Acrescentem aí as presenças de Ted Nash (larineta e flauta), Jimmy Rowles e Claude Willianson (piano) e Red Mitchell (baixo), que também participaram de algumas faixas.

Os arranjos são delicados, privilegiando o toque mais sutil de Kessel e criando uma sonoridade de leveza incomum. Destaque-se que tal efeito muito se deve ao curioso naipe de sopros (é raro ouvirmos tal configuração no meio jazzístico - eu só conheço essa).

Ouçam ali no podcast do quintal do Jazz.

Lnk: Avax

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Brubeck vai ao colégio

Primeira hora do primeiro dia. Acabou o vinho, o bacalhau, mas não acabou o som. O que eu pretendia para o último post será o primeiro de 2010, dois antes do apocalipse segundo Hollywood.


Pois bem, eu estava tentando pintar Brubeck e cia. Como inspiração, Brubeck e cia. Adoro ouvir Desmond (eu tive uma boquilha que deixava o som similar ao dele, quando eu usava o alto). Brubeck tem um jeitão meio percussivo, mas traz uma boa dose erudita bem equilibrada com o suíngue do jazz que deixa o seu som com uma assinatura que todos apreciadores do jazz conhecem. O time ainda é o de 53 (Ron Crotty - baixo, Joe Dodge - bateria), mas já está tudo ali - a indefectível sonoridade do casamento entre o sax e o piano.


Estou ouvindo os dois discos Jazz at the college of the Pacific, gravados na Califórnia. Uma aula e tanto, os californianos tiveram a oportunidade de assistir. Vocês poderão curtir um pouco no podcast Quintal do Jazz.


links: Avax e Avax