sábado, 16 de janeiro de 2010

O sermão de Jimmy

Já disse isso e reafirmo: órgão não é um instrumento que me atrai. Já ouvi alguns bons discos liderados por organistas e coisa e tal, mas fica por aí. Jimmy Smith, por exemplo. Eu tenho alguns dos seus discos mas não fazem parte das minhas audições habituais. Às vezes, para sair do lugar comum, eu sapeco um ou outro na radiola.

Antes que me perguntem, eu respondo: antipatizo com alguns ataques que ele faz no meio dos temas, de modo abrupto, soando estridentemente (como vocês poderão conferir no tema JOS, aos 4'32'', creio que para, desnecessariamente, chamar a atenção do solista). Pois bem, essa faixa está no cd duplo - The complete sermon sessions - que reúne as gravações que resultaram em dois dos seus discos: The sermon e House party, somadas com mais algumas que ficaram de lado na época (final dos anos 50).

Não posso deixar de admitir que essa edição ficou muito boa, apesar de o montante de som exigir alguma paciência (quase duas horas e meia - só a faixa The sermon dura bons e palatáveis 20 minutos). Um dos fatores que valorizam essas sessões é o time que participou das gravações. Estão ali reunidos Lou Donaldson, Curtis Fuller, Kenny Burrell, Lee Morgan, George Coleman, Tina Brooks, Donald Bailey, Art Blakey e Eddie McFadden. Temos, pois, razão mais que suficiente para arriscarmo-nos numa audição desse disco.

Confiram ali no podcast Quintal do Jazz.

Link: Avax

9 comentários:

pituco disse...

mr.salsa san,

timaço piramidal...e um hammond com leslie apesar de bacanudo,não é uma sonoridade de rotina...concordo contigo...duas os três faixas, são o suficiente.

reconheço a qualidade do mestre walter wanderlei e sua contribuição pra nossa música popular...mas, é que às vezes quando o ouço me remeto àqueles desfiles de fantasia ou bgm de almoço com as estrelas...rsrsrs

abraçsons

Salsa disse...

O início de The sermon tem o timbre que eu aprecio (região média do teclado). Os agudos excessivos me incomodam - região que só é suportável quando de passagem.

Érico Cordeiro disse...

Concordo em GNG,
Discos com órgão, ainda mais com o organista como líder, só de vez em quando.
Gosto do Jimmy Smith e também tenho alguns discos, mas não é uma audição prá toda hora, como, por exemplo, o Hank Jones que ouço agora (a bordo do Great Jazz Trio, no álbum Objects Appear Closer). São quatro discos, reedição de álbuns dos anos 70, reunidos em um álbum quadruplo fantástico - aí dá prá ouvir por horas e horas!
E o Willbop, do blog jazz masterpieces postou algo sobre o Smith também!
Valeu!

Salsa disse...

Grande Érico,
Hank atravessou gerações sem desprezá-las. Alguns de seus discos com a moçada contemporânea são muito bons. Sua grande discografia impõe respeito.

Andre Tandeta disse...

Salsa,
voce realmente é um rapaz muito sensivel . Imagine ter que ouvir as "estridencias" de Jimmy Smith acompanhadas pelo Art Blakey,que voce chama de "esporrento".
Durissima a vida de um blogueiro de jazz obrigado a ouvir esses caras,que não são suaves e gentis ao tocar seus instrumentos.
Minha total solidariedade pelo seu sacrificio. Dias melhores certamente virão .
Adoro Jimmy Smith,sempre ouço.
Abraço

Salsa disse...

:) - é isso, mr. Tandeta. Tudo em nome do jornalismo verdade.
Abraços,
PS - Estou providenciando aquele lance. Em breve, espero poder pensar em datas.

Ulisses Adirt disse...

Fiquei um tempão lendo (o q vc escreve) e ouvindo (o q vc indica). Adorei. Obrigado pela ótimas horas.

Salsa disse...

Valeu, Ulisses. Vamos ficar ligados.
Abraços,

coimbra disse...

Quero registrar minha admiração pelo Jimmy Smith, um pastor dos teclados,música nas alturas, aleluia, blues, blues & blues.
E que história é essa de música esporrenta?