sábado, 19 de abril de 2008

Manne ís free


No post sobre o trio Manne, Previn e Vinnegar, eu citei o disco The three and the two, também liderado pelo baterista Shelly Manne. Falaremos dele para apontar (interesse maior desse post) o lado experimentalista que invadia a seara jazzística nos anos cinqüenta, e como Manne não se furtou a essa experiência. Gravado em 1954, em dois dias, o cd reúne 12 faixas divididas eqüanimemente entre trio e duo.

O trio, de formação incomum, reunia Manne, Jimmy Giuffre (clarinete, sax tenor e sax barítono) e Shorty Rogers (trompete). As composições de Rogers (Three on a row), Giuffre (Pas de trois) e Manne (Flip) exploram os limites da música tonal, se deixam levar pelo espírito da invenção e constróem estruturas inusitadas para o período. Casas sem paredes, sustentadas pelas ousadas técnicas desses que se arriscam no habitat do imponderável. Ao interpretarem o standard Autumn in New York e a parkeriana Steeplechase, o trio vira a casa pelo avesso sem perder de vista suas peculiaridades. O último tema, Abstract nº 1 é pura invenção coletiva, free a toda prova. Observem como Manne, além de manter o ritmo, se posiciona como mais uma voz no "triálogo" musical.

No duo com Russ Freeman, o som pode soar menos ousado mas, de fato, entramos num ambiente de improvisação também impressionante. Na entrevista que consta do encarte, Manne diz que o modo como Freeman inverte os andamentos, o tempo da música, é algo que o instiga a se arriscar mais e mais na condução de sua bateria. Como ambos destacam - daí talvez o ar menos ousado - a melodia está sempre no horizonte, mas se abrindo em possibilidades para as brincadeiras dos dois excelentes músicos. Deixarei a última faixa: Speak easy.

5 comentários:

John Lester disse...

Um dos melhores bateristas do jazz. Se fosse negro, Manne certamente estaria entre os Art Blakey e os Elvin Jones do jazz.

Grande abraço, JL.

João Luiz disse...

Bom saber que o sr.John Lester está novamente na área. Quanto ao "The three & the two", apesar de experimental e ousado é um bom disco. Um free sem aquela desestruturação melódica, utilizada posteriormente por vários outros músicos de jazz(Ornette Coleman, Archie Shepp, Cecil Taylor...)

Salsa disse...

Bem observado o lance da melodia, joão. Mas ela também recebe alguns bons impactos. Eu fiquei impressionado quando ouvi pela primeira vez. A gente não pode esquecer, nesse contexto, os trabalhos de Jimmy Giuffre com Tristano.
Mas alegria mesmo é receber a visita de John Lester e ver o Jazzseen de velas içadas.

Anônimo disse...

Jimmy Giuffre morreu no dia 24 de abril dois dias antes de seus 88 anos.Foi um musico que deixou o legado da renovação.Edú

Morris disse...

Enjoy your site. Please consider posting the full album of "The Three" & "The Two". This is interesting music and I have not been able to find it elsewhere.

Thanks for your site and your consideration.