No dia sete de maio estarei no Wunderbar Kaffe (Esquina da Av. Rio Branco com a R. Chapot Presvot, Praia do Canto, Vitória) tocando um monte de standards com meus amigos Kako Dinellis (baixo acústico), Bruno Venturin (teclados) e João Augusto (bateria).
O lance começará às 20:00h e terminará às 23:00h.
Na mesma noite farei uma exposição relâmpago de alguns desenhos que arrisquei fazer -Musas e Música.
Acompanhar a Paulinha é muito complicado. Ela gosta de passeios, caminhadas, escaladas e coisa e tal. Para minha sorte, da última (e distante) vez ela só quis pedalar pela orla. Vinte quilômetros depois, tentando disfarçar com altivez a língua que insistia em despencar pelo meu queixo, chegamos em sua casa. Queria apresentar-me sua nova receita de salada, um espumante levíssimo como o cristal e um disco que, disse-me ela, combinaria com o dominical fim de tarde.
Bem, a companhia da Paula torna tudo muito agradável. O disco está, pois, contaminado por reminiscências do nosso encontro. O meu juízo crítico, no caso, não é nem juízo, nem crítico. Por isso deixo ao vosso encargo avaliar o exemplar da terceira via do jazz.
O disco em questão era Bud Shank plays..., no qual interpreta Concerto for jazz alto saxophone and orchestra, de Manny Albam. Ah, sim, a cozinha fica por conta da Royal Philarmonic Orchestra. Além da peça de Albam, ouve-se também os standards Here's that rainy day e Body and soul.
Partilho, pois, com vocês, a erudita viagem de Albam.
Longo tempo sem cuidar do meu quintal. Dias árduos passados - centenas de provas! - retorno ao meu terreiro para depositar mais uma oferenda aos meus amigos viajantes.
Ouço um trio que jamais se repetiu em gravação outra. Ao piano fulgura Hasaan Ibn Ali, de quem não tenho maiores notícias (meus amigos Lester e Érico poderiam auxiliar-me nesse momento). A contracapa do lp informa que Hasaan tocou com deus e com o mundo (menos com Parker), mas parou nesse único trabalho, gravado em 1966. O que é uma pena, pois o seu som é daquele tipo que sempre se manterá na vanguarda, devido à profusão de variações rítmicas e harmônicas, e pelo fraseado muito louco que ele extrai das teclas do piano. Os amigos, com certeza, sentirão no ar a presença de Monk, fato que em nada desmerece o trabalho do camarada. Mas, diz-nos Hasaan, sua maior influência seria Elmo Hope, a quem dedicou uma intensa balada - Hope so Elmo.
Antes que me esqueça, o trio é liderado por Max Roach - que só pelo fato de ter gravado esse disco já merece nossas congratulações. Uma presença também impressionante é o excelente baixista Art Davis, que também mostra uma força expressiva pouco comum.
Divulgando: Show com a sensualíssima Nnenna Freelom e Rio Jazz Orchestra
Show beneficente para a Fundação do Câncer
O show beneficente Com você, pela vida será no dia 18 de abril (segunda-feira), no Vivo Rio, Rio de Janeiro. A terceira edição do evento será também comemorativa dos 20 anos da Fundação do Câncer. A cantora americana de jazz Nnenna Freelon, Ivan Lins e Milton Nascimento, as cantoras e atrizes Alessandra Maestrini e Mariana Rios e o diretor de novelas Fred Mayrink são alguns dos artistas que se apresentarão cantando músicas do compositor e maestro Tom Jobim, acompanhados pela Rio Jazz Orchestra, regida por Marcos Szpilman.
Os recursos obtidos com a venda de ingressos do show - assim como todas doações recebidas pela Fundação do Câncer - serão destinados a projetos em pesquisa científica e tecnologia, assistência médico-hospitalar, educação e mobilização social. A entidade, criada em 1991, é a principal parceira privada do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Roteiro do show – Idealizado pelo ator e diretor de novelas Fred Mayrink, o evento - que já teve como tema sucessos de Frank Sinatra, em 2009, e grandes sucessos da música internacional, em 2010 - contará este ano com algumas das mais belas músicas de Tom Jobim. No total, serão 18 canções, entre as quais Luiza, Dindi, Garota de Ipanema, Samba do Avião e Se todos fossem iguais a você.
Serviço
Dia: 18/4/2011 - segunda-feira
Horário: 20h
Preço: R$ 120, inteira; R$ 60, estudantes e pessoas a partir de 60 anos.
Endereço: Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo – RJ
Como comprar os ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Vivo Rio - atendimento de segunda a sábado, das 12h às 21h, e domingo e feriado, das 12h às 20h - ou pelo site http://www.ingressorapido.com.br/
Domingão de pleno sol, resolvi sair para um passeio de moto. Foram quase 400 km de belas paisagens e de boas músicas. Um dos discos que estavam rodando no mp3 player reunia dois dos maiores tenoristas do jazz: Coleman Hawkins e Ben Webster.
Encounters foi gravado em 16 de outubro de 1957, tendo como companhia o trio de Oscar Peterson (Ellis & Brown) mais o baterista Alvin Stoller. Meus amigos, eu estava tão envolvido com o clima da viagem que cheguei a gostar da versão de Rosita, bolerão interpretado pela galera. Estava chegando na Lagoa Nova quando começou a tocar o tema. Parei alguns minutos e fiquei curtindo as águas claras e os poucos privilegiados que lá estavam. Fiquei só o tempo de ouvir You'd be so nice to come home to, o tema seguinte e que eu muito gosto.
Segui em velocidade cruzeiro preguiçoso na estrada semi deserta, embalado pela gentileza com que os heróis saxofonistas pilotavam seus intrumentos. Indico-vos sem titubeio.
Existem mulheres que afetam a percepção do artista. Algumas delas mereceram pinturas, poemas, canções, esculturas e loucuras diversas. Elisa, por exemplo, além desse post, mereceu aquela bela peça da dupla Be & Thoven, como dizem os engraçados gaúchos; Luiza foi cantada por Jobim: Beatriz, por Chico, e por aí segue um sem fim de musas. Dizem que a obra de arte é uma retribuição à beleza que os artistas nelas viram.
Em re-retribuição, há aquelas que homenageiam os autores das peças interpretando-as com a alma. Apropriam-se dos temas e, mergulhando em suas nuances, nas sutilezas das melodias e das letras, em suas histórias, revelam detalhes que antes passavam despercebidos pelos ouvintes. Algumas cantoras, especiais cantoras, conseguem fazer isso. Uma delas, que pouco conheço da obra, mas, mesmo com essa restrição, conseguiu me impressionar, chama-se Jeri Southern. O pouco que conheço justifica meu sentimento.
A menina tem uma voz mais que expressiva, contralto, límpida que, acrescida da segurança com que a utiliza, torna-se uma experiência agradabilíssima ouvi-la. Como bem destaca o encarte, Jeri não se está preocupada mostrar virtuosismo, em fazer peripécias com o seu instrumento, a sua voz. Longe di.sso, miss Jeri Southern mostra-se preocupada com o que canta - parece não querer que a sua potência vocal obscureça a história que a canção embala.
O disco que vos trago é Southern breeze, no qual se faz acompanhar pela orquestra do, para mim desconhecido (recordo-vos que não sou chegado em ouvir big bands), Marty Paich. Se não conheço o arranjador e condutor, para compensar, conheço boa parte dos membros da orquestra: Georgie Auld (tenor), Don Fagerquist (trompete), Bob Enevoldsen (trombone de válvula), Bill Pittman (guitarra) e Mel Lewis (bateria). Um timaço, vocês têm que concordar. Destaque-se uma curiosidade: a tuba, aos cuidados de John Kitzmiller com direito a solos.
Vocês se lembram do seriado de tv chamado A gata e o rato? Creio que foi um dos primeiros trabalhos de Bruce Willis. Ele contracenava com Cybill Shepherd, a gata do título e dona de uma empresa de investigação onde o rato Bruce trabalhava. Rolava um clima entre os dois, mas nunca acontecia o rala e rola. Eu, lá, encantado com a sedutora e sensual figura da gata, não perdia um capítulo.
Pois bem, Cybill deve ter ganhado muita grana e se entediado com o palco televisivo. Na busca por um novo sentido para a vida (ou um novo desafio), resolveu que sua praia era outra: a música. A sensual moçoila enfiou a mão no bolso e contratou uma equipe e tanto para gravar um disco - Mad about the boy (1976). Entre os mais conhecidos estão Stan Getz, Frank Rosolino, Monty Budwig, Paulinho da Costa e, cuidando dos arranjos, Oscar Neves. O tema selecionado para abrir o disco foi Triste, creio que pelo belo solo de Stan. Na seqüência, pode-se ouvir baladas como I can't get started, This masquerade e Speak low.
O resultado, fora a performance dos músicos, foi meia-bomba. Cybill (que vocês curtem peladinha - foto de The Last Picture Show, de Peter Bogdanovich [1971]) não é desafinada, mas sua voz não sai do lugar comum. Vale como mais uma curiosidade para os fãs e saudosistas. Ouçam na radiola cor de rosa.
Reservei para o dia de hoje uma curiosidade da seara jazzística.
Passeava eu pelas tramas da rede quando, de repente, deparei-me com inesperado disco: The Dudley Moore Trio, de 1969. Pois não é que o baixinho comediante também era um bom pianista de jazz? Eu, cá, em minha galopante ignorância biográfica, jamais imaginaria que o inglesinho, falecido em 2002, famoso por sua performance em Arthur, o milionário sedutor (1981) e que ficou à sombra da gostosuda Bo Derek em Mulher nota 10, também dava suas marteladas nas teclas do nobre instrumento.
Recorri à wikipedia e lá estava: o camarada estudou música em Oxford e se enveredou pelo universo jazzístico. O disco encontrado está recheado com temas de sua autoria (alguns interessantes, outros nem tanto). Acompanham-no os, para mim, desconhecidos músicos Jeff Clyne (b) e Chris Karan (d). Vale conferir.