terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tudo é Jazz 2009 - dia 18 (b)

Não havia grandes preocupações quanto ao segundo show da primeira noite do Tudo é Jazz. Avishai Cohen, o trompetista e membro da confraria Telaviv-Nova Iorque, já havia mostrado em momentos anteriores que entende do riscado. A única ressalva foi feita por Guzz, apreciador de guitarristas, que achava (e continua achando) a presença do africano Lionel Loueke totalmente dispensável. Opinião que seria respaldada por personagens como o Predador e pelos membros mais idosos do Clube das Terças, mas não por mim (nem por Gilberto) e nem pela massa que insistiu e foi agraciada por um sensacional bis. O baixista Omer Avital e o baterista Daniel Friedman, merecidamente reconhecidos como grandes instrumentistas, completaram o time que lavou a alma dos presentes.

O show After de big rain, que bem serviria para intitular o dia seguinte do festival, foi bastante consistente musicalmente. A sonoridade oriental que prevalecia nos temas não era algo que distoava do bom e velho jazz. Aliás, já disse isso antes, a confraria consegue utilizar os elementos de diversas culturas equilibradamente, sem tirar nem pôr, propiciando um amálgama sonoro envolvente, balançante, com clima jovem, que permite ao jazz dar uma boa e saudável respirada. A participação de Loueke tem tudo a ver com isso. Seu modo de tocar, harmonizando com um preciso contratempo ou inserindo frases curtas e cíclicas, propiciou um balanço especial à apresentação e mostrou que é possível fazer jazz de qualidade usando diversas dicções.

Esse equilíbrio musical, contudo, não é simplesmente tirado da cartola - é produto de muito trabalho, como disse Daniel Friedman ao meu amigo e baterista Dudu. Usar elementos rítmicos diversos com precisão requer conhecimento de causa. Friedman, em busca de novos sons, costuma passar temporadas em diversas partes do mundo para melhor absorver esses elementos e articulá-los à sua pegada. Proposta que parece ser dividida por todos os integrantes do grupo.

Avishai estava em uma noite inspirada. Seu sopro solar, sem surdina, invadiu o largo do Rosário e tomou de assalto o grande público presente. As frases límpidas ressoavam nas velhas paredes dos casarios, insuflando vida e alegria na histórica cidade de Ouro Preto. A sua desenvoltura no palco mostrou a crescente segurança do antes tímido jovem músico. Segurança talvez conquistada com o auxílio explosivo de algumas doses de pinga e outras tantas garrafas de cerveja, alegremente degustadas no palco. Preocupei-me quando Avishai iniciou uma performance utilizando um pedal de volume (pensei: "a cachaça pegou o cara de jeito"). Preocupação que logo se mostrou inócua. O jovem sabia o que estava fazendo, ele ainda tinha o controle da cena. O resultado foi mais que satisfatório. Um belo fim de noite.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Tudo é Jazz/2009 - Impressões do dia 18 (a)

Sete horas demoramos para chegar em Ouro Preto. Isso por estar no lombo de um carrinho 1.0, altamente poluente (de acordo com recentes pesquisas). A paisagem atual é de montanhas e mais montanhas sem vegetação outra que não capim. Mais devastadas do que a cabeça "desse que vos tecla" (como diz o bom e velho Acir). Dudu, baterista que me acompanhou na viagem, matutou sobre como seria a mesma viagem no lombo de uma velha mula carregada de minério e pedras preciosas furtadas do império. Povo maluco, aquele.

* * *

Na divisa do Espírito Santo com Minas tem uma cidade chamada Manhuaçu, a qual somos obrigados a atravessar. O arguto baterista logo observou: "se alguém abrir uma loja que venda reboco/argamassa ficará rico nesse lugar", e mostrou como 90% das casas estavam com os tijolos à flor da pele. Ponderei que poderia ser o padrão estético da região. Assim sendo, pode ter havido uma loja com material para reboco, mas foi à falência por total falta de clientes. Dudu, insatisfeito, conclui: "e ainda põem esse monte de quebra-molas para nos forçarem a apreciar o arrojo arquitetônico do pedaço..."

* * *

Chegamos, enfim. Após breve descanso, municiei-me com duas garrafas de vinho e parti para o largo do Rosário para o primeiro embate com a programação. No caminho, encontrei-me com Gilberto e Guzz (CJUB), Wilson (Clube de Jazz) e Olney (melobatera). Bla-bla-bla e coisa e tal e conversas outras sobre as expectativas para a primeira noite. Ninguém conhecia a jovenzinha canadense Kate Schutt, que se fez acompanhar por pelo menos uma pessoa conhecida: Terri Lyne Carrington (baterista). Imaginei que que o som seria a maior pedreira.


Não foi. A mocinha é pop. E, noves fora, nessa perspectiva, é até um alento. Fez um som leve com feeling jazzy ao fundo e ponto. Para quem gosta de Norah Jones, talvez soe até um pouco mais hard. Ponto. O saxofonista John Ellis, eu conheci ali. Nos seus breves solos, mostrou um fraseado moderno, explorando intervalos curiosos que produziam um bom efeito. Isso, no entanto, não foi suficiente para avaliar o trabalho do rapaz, mas permitia entrever uma boa promessa (no dia seguinte, ele teria outra oportunidade para mostrar sua competência musical). Difícil mesmo foi entender o que a foderosa Terri Lyne estava fazendo ali, tocando aquela coisa contida e limitada musicalmente. Graças aos bons deuses da música, foi-lhe concedido dois momentos para mostrar o que realmente pode fazer com as baquetas e tambores. No intervalo, meu amigo Dudu estava inconsolável, e Gilberto disse: "o que mais os músicos farão por dinheiro?"

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Blues suite

Amanhã, sexta-feira, dia 18 de setembro de 2009, anotem aí, o nosso amigo Lucas fará sua entrada triunfal no nosso mundinho. Para quem não sabe, Lucas é o esperado filho de nosso frater blogueiro Érico. Saudamos, pois, o jovem jazzista. Muita alegria e muita música é o que desejo em sua jornada mundana.

Amanhã também será o dia que partirei rumo a Ouro Preto para curtir o Tudo é Jazz. Antes, porém, deixarei um post sobre um camarada que eu não conhecia. E não poderia ser de outro modo, já que uma de suas façanhas era ser ghostwriter (arranjador fantasma, no caso) de uma leva de orquestras (ainda nos anos quarenta) - enfim, o cara ficava escondido nas partituras que escrevia. Segundo o Allmusic, ele escreveu até para Basie e Gillespie. O nome do jovem: Ahmad Kharab Salim ou simplesmente A. K. Salim.

O disco que eu por acaso encontrei chama-se Blues suite, gravado em 1958. O pessoal do Allmusic desceu o malho nesse trabalho de Salim. Consideraram os arranjos pobres e repetitivos. Salvar-se-iam as performances dos bons músicos convidados que participaram das gavações: Nat Adderley (corneta), Paul Cohn (trumpete), Buster Cooper (trombone), Phil Woods (alto), Seldon Powell (tenor & flauta), Sahib Shihab (barítono), Eddie Costa (vibes & Piano), George Duvivier (baixo), Wilbur Hogan (bateria). Sapecaram uma estrela e meia. Achei muito pouco. Mesmo eu não sendo chegado em furiosas, considero um disco merecedor de, no mínimo, mais uma estrela e meia. Ouçam quatro faixas (o lado B do lp - todas de Salim) ali no podcast Quintal do Jazz e dêem suas opiniões.

Link: here

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma sessão em Kansas City

Logo de cara, um dado curioso sobre o disco que lhes apresentarei: apesar de o título ser referente a uma sessão realizada em Kansas City, as gravações aconteceram em New York, em 1961. A idéia foi gravar alguns dos temas interpretados no clube daquela cidade chamado Blue Room (alguém aí sabe me dizer se o clube tem a ver com a música de mesmo nome?).


O nosso herói George Russell, falecido em julho deste ano espírito de porco de 2009, era dono de uma verve inventiva que já chamava a atenção de todos nos anos 50, e logo tornou-se uma referência entre os grandes jazzistas. No início dos anos sessenta, quando gravou esse disco, Russell estava com a pólvora toda. Vocês poderão observar no disco George Russell Sextet in K.C. como o pianista e compositor sintetizava em si os traços de dois outros grandes nomes: Mingus e Monk. De um, a ousadia nos arranjos; do outro, a maneira econômica de atacar o piano e impor uma sonoridade outside. Mais um dado curioso, pelo menos para mim: só hoje eu descobri que Russell foi professor de Carla Bley - ficou mais claro de onde a menina buscou aquele modo de compor e arranjar (principalmente nos primeiros discos) - era influência direta do mestre.

George conta com as participações do grande trompetista Don Ellis, de Dave Baker (trombone), Dave Young (tenor), Chuck Israels (baixo) e Joe Hunt (bateria). O resultado é muito bom. Confiram os temas War gewessen, que abre o disco, e a excelente versão de Tune up ali no podcast Quintal do Jazz.

O link: here

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Jazz canadense

Mais um talento com os pés atolados na tradição: o canadense Grant Stewart. Não o conhecia. Encontrei em minhas andanças pela rede (não existem mais lojas decentes em Vitória desde o fechamento da Digital, há alguns anos). Peguei por causa do título: Recado bossa nova. Eu quis conferir o que o gringo fez com o tema de Djalma Ferreira.

Pois bem, de acordo com as notas, o rapaz é filho de jazzista. Ouviu muito (especialmente a velha guarda) e se apaixonou pelo sax tenor. Desde a adolescência, Grant encarava sessões de jazz com os mais velhos sem amarelar. Aos 19, já estava em Nova Iorque tocando com músicos da estirpe de Clark Terry, Brad Mehldau e Curtis Fuller. Um cartão de apresentação e tanto, devemos admitir. O moço já tem uma boa discografia (iniciada em 92): contando o que agora ouço e vos apresento (Recado foi gravado de uma tacada no dia 9 de março de 2008) a sua produção já soma cinco discos.

O sopro de Grant Stewart é consistente, encorpado e límpido. Joga muito bem com o suíngue, com fraseado bem construído (ele sabe contar uma história envolvente com início, meio e fim). O time que o acompanha inclui Lewis Nash, um dos melhores bateristas da atualidade, mais os músicos, para mim desconhecidos, Joe Cohn (g), Tardo Hammer (p) e Peter Washington (b). Desconhecidos mas competentes em seus afazeres sonoros. Quase esqueci: o recado bossa nova ficou mais para um ritmo caribenho qualquer. A versão de Manhã de carnaval ficou melhorzinha, mas sem novidades. Mas quando o assunto é jazz, a conversa é outra - os meninos mandaram muito bem.

Confiram ali no podcast do Jazz Contemporâneo.

domingo, 6 de setembro de 2009

Devil may care

Quer saber de um teminha bom de tocar? Lá vai: Comin' home baby. Quando eu faço minhas brincadeiras semanais, na terças do Balacobaco Bar, na minha secreta ilha de Vitória, esse é um dos temas recorrentes. O compositor desse bom balanço é o muito bom pianista Bob Dorough.


Dorough iniciou sua carreira no finalzinho dos anos quarenta, em Nova Iorque. Passou uma temporada em Paris, tocando em clubes de jazz, e retornou para a boa e velha big apple em meados dos anos 50, quando assinou contrato com o selo Bethlehem (ele chegou a tocar com Miles). Em 56, enfim, saiu o disco Devil may care (tema composto por Dorough que tornou-se um clássico do jazz). É esse o lp que agora ouço. Aqui, o pianista não só mostra sua técnica ao manipular seu instrumento, mas também o seu curioso modo de cantar.


Não há como negar que seu modo de usar a voz (algo sussurrada, uma anti-voz se comparada com os cantores clássicos - acrescente aí o seu exótico padrão estético) exerceu influência sobre outro dos meus preferidos: Mose Allison. Vocês se divertirão bastante ao ouvi-lo brincar com a parkeriana Yardbird suite, para a qual Dorough escreveu uma daquelas letras que aproveitam nota por nota o solo original.


Deixarei duas ali no podcast Quintal do Jazz.


Link: Here!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nice to meet you, mr. Nelson

O tenorista adentrou o estúdio, em Englewood Cleefs, Nova Jérsei, naquela tarde do dia 3 de outubro de 1959, demonstrando a confiança de um veterano. Era sua estréia como líder de uma banda. Estréia tardia, pois já estava na estrada há muito arranjando para Louis Jordan e Louie Belson, entre outros. Mas é nesse momento que se anuncia o seu brilhante futuro como músico, compositor e arranjador. É aqui que ele começa a mostrar a sua face mais marcante - aquela marcada pela ousadia e que nos legaria um dos discos mais comentados e apreciados da história do jazz: The blues and abstract truth.

Sim, senhores, trata-se de Oliver Nelson. O disco que vos apresento, no caso, é outro: Meet Oliver Nelson. Aqui, o tenorista já mostra sua verve de completo músico. O arranjo (todos são de sua autoria) feito para o tema Passion flower (Strayhorn e Raskin) é de uma exótica delicadeza (pensei em usar o adjetivo sublime, mas o clima outside desenvolvido no tema levou-me ao exótica). O jogo de vozes entre o tenor e o trompete de Kenny Dorham é, agora sim, sublime. Os solos desenvolvido pelos dois comparsas são de primeira grandeza.

Observem como Oliver Nelson gosta, em seus solos, de passear por um território limítrofe, de se "arriscar" (entre aspas porque não é risco: ele sabe onde está pisando) em notas que soam algo estranho, mais como uma segunda ou terceira voz, ao desenvolver seus temas (quem baixar o disco poderá conferir isso também na versão de What's new?).
Creio que sua facilidade para desenvolver esse aspecto se deve ao fato de ter freqüentado os bancos das orquestras. Nelson fala sobre isso no encarte do disco. Foi com as orquestras que ele desenvolveu a necessária disciplina ritmica e, acrescento eu, a sua habilidade em "abrir vozes". Ele também destaca a restrição à liberdade imposta, mas essa impressão não reduzia a sua alegria de estar no meio de uma onda de sopros. Acrescentemos a dose de erudição que faz parte de sua formação (admirador confesso de Mozart e Bartok). Talvez daí, dessa mescla, também derive a sua tendência a fazer arranjos em que os limites dos temas são bastante forçados - ele joga bastante com as harmonias - propiciando espaço para o músico criar frases mais radicais em seus solos. Nelson parece estar sempre buscando a liberdade para inventar.

Destaquemos o cuidado de Ray Bryant com as teclas do seu piano. Esse também é músico para ninguém botar defeito. Dizem por aí que uma das peculiaridades do jazz é a harmonia alterada. Fato que vocês poderão comprovar ao ouvirem como Ray tecla suas teclas (obviamente, seguindo o arranjo de Oliver). O baixo é magistralmente pilotado por Wendell Marshall e a bateria, sempre firme e forte, está nas mãos mágicas de Arthur Taylor.

Obviamente, o disco conta com dois blues (são cinco faixas) maneiríssimos. Deixarei o que abre o disco - Jams and jellies (de sua autoria) - mais Passion Flower para vocês apreciarem. Tá ali no podcast Quintal do Jazz.

Link: Here!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mais jazz europeu

Retorno ao presente. O mundo ainda está meio fora de prumo após a jornada de anônimos festejos pelos butecos vitorianos. Muito vinho, muita música, muitos bons momentos com amigos e amigas que nem sabiam que era a semana do meu qüinqüagenário natalício.

Agora, rés do chão, ponho para rodar um disco vindo de um dos países frios da Europa. Pausa para pensar. O jazz, ao passar pelo velho continente, recebe mais uma "demão" da erudição musical que, antes, já havia se casado com o balanço afro. Essa retomada acontece, algumas vezes, de modo excessivo - ao ponto de enterrar o suíngue. Tem algumas coisas da ECM que eu acho indigestas. Mas esse "excesso" não acontece excessivamente com o trio sueco do muito bom pianista Martin Tingvall (o disco não é da ECM). O som traz elementos curiosos da erudição e do pop resultando em uma boa liga. O disco Skagerrak, gravado em 2007, é bom de se ouvir. Acompanham-no o baixista provavelmente cubano Omar Rodriguez Calvo e o baterista Juergen Spiegel.

Ouçam três ali no pdcast do Jazz Contemporâneo.

Link: Here!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bill Perkins on stage

O objetivo desse post é simplesmente poder contrastar a performance de um músico passado o intervalo de dez anos. Vocês perceberão com facilidade as alterações nas concepções das interpretações e arranjos. Trago-vos, para tal fim, o primeiro lp gravado por Bill Perkins como band leader. O ano foi 1956, dez anos antes do disco postado anteriormente. O disco: On stage: The Bill Perkins Octet.

Desde sua passagem pela orquestra de Herman, o jovem tenorista já era insensado como um dos melhores da cena jazzística. Para vocês sentirem como o camarada estava bem cotado, Stan Getz, em 54, já dizia (tá lá no encarte) que Bill estava tocando mais que todos juntos. Era de se esperar que o time que participaria do seu primeiro disco fosse estelar (muitos deles também trabalharam com Herman). A galerinha que compõe o octeto não é brinquedo não: Bud Shank (alto), Jack Nimitz (barítono e flauta), Stu Williamson (trompete e trombone de válvula), Carl Fontana (trombone de vara), Russ Freeman (piano), Red Mitchell (baixo) e Mel Lewis (bateria). Bill dividiu os arranjos com Niehaus, Mandel e Bill Holman.

Esse disco guarda aquela linguagem da costa oeste: o clima das bigbands (o monte de sopros bem arranjados e com bastante suíngue) temperado com a influência bop na construção dos solos. Uma sonoridade agradabilíssima perpassa o disco de norte a sul, de leste a oeste. Divertimento garantido.

Ouçam ali no podcast Quintal do Jazz.

Link: here!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Perkins plays Mandel

Retornemos à Califórnia. Foi lá, em 1966, que o multiinstrumentista Bill Perkins (flauta, clarinete baixo, saxes tenor e barítono) gravou um disco - Quietly there - dedicado integralmente ao compositor Johnny Mandel (se vocês não o conhecem, devem conhecer pelo menos uma de suas músicas: The shadow of your smile). Mandel, destaquemos, deu-se muito bem compondo temas para filmes hollywoodianos (Harper, The russians are coming, The americanization of Emily etc e tal).

Quietly there foi realizado com o apoio de Victor Feldman (piano, órgão e vibrafone), John Pisano (guitarras acústica e elétrica), Red Mitchell (baixo) e Larry Bunker (bateria). O resultado final é bastante curioso. A sonoridade, os arranjos, tudo guarda uma estranha peculiaridade. O próprio Perkins, ao utilizar todos os instrumentos citados acima, mostra uma face que eu não estava habituado. Sempre o tive como tenorista.

O seu modo de tocar está diferente aqui. Talvez em função, além da profusão de sopros, dos arranjos (rola algo funky, algo bossa, algo mainstream, algo levemente experimental) - não sei precisar de que modo, mas me soou diferente. Quanto aos sopros, achei o som do barítono, em Keester parade, tosco mas agradável. A versão da bela valsa Emily ficou bastante envolvente com Perkins encarando o clarinete baixo e Pisano dobrando o tema com seu violão de aço. Em Groover wailin', o barítono de Perkins parece estar mais solto, mais ousado, assim como Pisano com a guitarra elétrica (confesso que me agradei até do órgão tocado por Feldman). Something different permite Perkins brincar convincentemente com a flauta - o próprio tema tem um clima lúdico (que Mitchell, Pisano, Bunker e Feldman aproveitam para brincarem um pouco mais). Mando quatro estrelas e meia.

Deixarei três temas ali no podcast Quintal do Jazz.

Link: Here