domingo, 6 de setembro de 2009

Devil may care

Quer saber de um teminha bom de tocar? Lá vai: Comin' home baby. Quando eu faço minhas brincadeiras semanais, na terças do Balacobaco Bar, na minha secreta ilha de Vitória, esse é um dos temas recorrentes. O compositor desse bom balanço é o muito bom pianista Bob Dorough.


Dorough iniciou sua carreira no finalzinho dos anos quarenta, em Nova Iorque. Passou uma temporada em Paris, tocando em clubes de jazz, e retornou para a boa e velha big apple em meados dos anos 50, quando assinou contrato com o selo Bethlehem (ele chegou a tocar com Miles). Em 56, enfim, saiu o disco Devil may care (tema composto por Dorough que tornou-se um clássico do jazz). É esse o lp que agora ouço. Aqui, o pianista não só mostra sua técnica ao manipular seu instrumento, mas também o seu curioso modo de cantar.


Não há como negar que seu modo de usar a voz (algo sussurrada, uma anti-voz se comparada com os cantores clássicos - acrescente aí o seu exótico padrão estético) exerceu influência sobre outro dos meus preferidos: Mose Allison. Vocês se divertirão bastante ao ouvi-lo brincar com a parkeriana Yardbird suite, para a qual Dorough escreveu uma daquelas letras que aproveitam nota por nota o solo original.


Deixarei duas ali no podcast Quintal do Jazz.


Link: Here!

7 comentários:

Érico Cordeiro disse...

Caro Salsa,
Bem legal o estilo sussurante do pianista/cantor. Há um quezinho de Fred Astaire em seu modo de cantar - e as faixas postadas são de primeira (gostei muito da "letra" de Yardbird Suite).
Um nome para conhecer melhor, já que nada tenho dele (pelo menos como líder).
Valeu!
Abração!!!!

pituco disse...

salsa san,
tô ouvindo no quintal do jazz...bacanudo mesmo...

o timbre do bob dorough é muito personal...sem dizer que ele canta pacas...em yardbird suite,piramidal.

curioso,
os destaques jovens no mesmo perfil,pianista e cantor de jazz... (jamiecullum/harryconnickjr...não tão jovem)...nunca terem citado esse veterano, não é verdade?

valeô a dica
abraçsons

Salsa disse...

Érico e Pituco,
Acho que esses caras (Harry, Jamie, Bublé) tentam se aproximar de Frank Sinatra. O pessoal mais outside - Dorough e Allison - parece não merecer a atenção da moçada. Uma pena, pois esses, para mim, soam muito mais ousados.

figbatera disse...

Interessante!

Sergio disse...

Ah, permita-me discordar da maioria. Sei, inclusive que Salsa já andou elogiando jamie cullum - dos mudernos citados, o q gosto mais, até pq é o que conheço melhor... Consegui ouvir 4, 5 faixas do Bob aqui e na 5ª não deu mais pra mim não. Ele tem uma vozsinha q soa, a princípio inusitada, mas... cansa.

Sou fan do Cullum e acho que, além de muito bom gosto nos arranjos clara e propositadamente pop q dá a sua interpretação dos standards jazz, ele conseguiu abrir uma avenida, para a apreciação dos luminares do gênero. Só pelo fato, quem vai discordar que já é um tremendo holofote no fim do túnel?

Salsa disse...

Dos contemporâneos citados, eu prefiro o cullum.

John Lester disse...

A bonita foto da capa já prenuncia o canto.

Grande abraço, JL.