sábado, 25 de junho de 2011

Rio das ostras 2011 - 3

Quinta à noite - Palco principal
Ricardo Silveira

Cheguei cedo ao palco principal para ver a passagem de som e curtir o vai e vem da produção. O bom de ser credenciado como membro ativo da imprensa é poder ir ao backstage ver os preparativos dos músicos. A rapaziada procurando camarins, encontrando amigos de outros festivais e, melhor, eu, com meu inglês "debukizondetêibou", entabulando longas conversas com os astros de plantão.

Quem chegou junto comigo foi o grande guitarrista Ricardo Silveira, que veio acompanhado com um time de primeira, incluindo o excelente naipe formado por Jessé Sadoc e Marcelo Martins, o baixista Rômulo Gomes e o grande astral e baterista André Tandeta (que também tem suas cicatrizes de tombos de moto - a coisa foi mais tensa pro lado dele do que para o meu).

O guitarrista falou-me um pouco sobre seu novo disco, Até amanhã, e sobre seu percurso desde Bom de tocar, o primeiro sucesso, lançado há 26 anos. O disco traz antigas canções com arranjos muito bons (eu tenho o cd) e novos temas em que se percebe aquilo que o guitarrista afirmou no nosso papo: seu vocabulário musical cresceu bastante com o passar do tempo, permitindo-lhe usar elementos especiais em cada tema executado.

A indubitável habilidade de Ricardo Silveira como instrumentista é corroborada pelos inúmero convites patra tocar com os grandes nomes do cenário internacional (Grusin, Toots, Metheny, Ernie watts e mais um monte de gente), reforçando o seu nome como uma referência para os apreciadores da guitarra. Modesto, perguntou-me se o seu som teria a ver com a cena da noite (ele abriria os shows). Respondi-lhe que os outros é que deveriam se preocupar em manter o nível. Palavras que se confirmaram com a excelente performance da banda.

O senão fica por conta dos técnicos de som que, mais uma vez, pisaram na bola (já havia acontecido no show de Mindelis). O naipe só passou a ser ouvido na metade do primeiro tema - o solo de Sadoc passou batido e o de Martins só foi possível ouvir quando estava no final. Lamentável. Segundo Martins, isso sempre acontece. Deve existir um complô contra os sopros.



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Rio das Ostras 2011 - 2

Nuno Mindelis


Após o desencanto causado pelo mau encontro com o olímpico Hermes, resolvi afogar a fúria com algumas doses de puro malte e cerveja e curtir o som das duas da tarde: o bluesman Nuno Mindelis.

Para mim, a Lagoa de Iriry é o melhor local para assistir os shows. A proximidade entre músicos e platéia propicia um astral sensacional. Dá para perceber a satisfação chapada na cara dos músicos, que até esquecem as dificuldades que vez e outra pipocam com a sonorização.

Mindelis tocou clássicos do estilo e composições de sua lavra. Nota-se com facilidade que é um blueseiro com linguagem mais moderna. As suas composições e performances sempre têm passagens mais
dissonantes e estrutura harmônica que fogem um pouco à tradição. Mas o que importa mesmo é que a galera curtiu, pediu bis e foi prontamente atendida.

Rio das ostras 2011 - 1

PAGUEI E NÃO LEVEI

Como de hábito, alguma coisa tinha que dar errado. Isso faz parte da minha estória (assim mesmo, com e). Cheguei ao hotel e constatei a presença do (in)esperado, que já penso tratá-lo com mais intimidade - FDP, por exemplo.

Pois bem, a minha reserva não estava reservada. Conferido estratos (depositei em cash), nada havia que lembrasse a suada quantia depositada. Pior, não trouxe o recibo. Hermes, o deus dos ladrões, deu um jeito de ficar com meus 325 contos.

É provável que eu tenha depositado na conta de algum seguidor do citado deus olímpico, que já deve ter detonado até o último centavo. Prevalece o ditado do sul dos EUA: Don't worry about the thing, 'cause anything gonna be allright.



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Going to jazz & blues festival


Amanhã, às 6:00 a.m., partirei para Rio das Ostras para mais uma jornada lúdico-etílico-musical. A programação do festival deste ano, seguindo a tendência dos anteriores, privilegia os sons mais contemporâneos.

A principal atração, Medeski, Martin & Wood mais o saxofonista Bill Evans, é promessa da alta octanagem que deverá permear todo o evento. Outra figurinha carimbada é o grupo Yellowjackets, também conhecido por sua levada fusion.

Nicholas Payton pode ser o que mais se aproximará do mainstream jazzístico (obviamente, isso dependerá do seu humor). Jane Monheit, a bela musa responsável pelo lirismo da parada, nem precisava cantar: a sua
presença já satisfaria esse solitário coração. A curiosidade fica por conta da trompetista Saskia Laroo que, dizem, bate um bolão.

O lado blues está repleto de opções: Mendelis, Tommy Castro, José James, Bryan Lee e mais uma porrada de gente. Momento em que o velho jack sairá do alforje.

O kit sobrevivência, já organizado, inclui quatro garrafas de vinho, meia garrafa de uísque, meia garrafa de conhaque, dois coronas, dois envelopes de dipirona e uma caixa de omeprazol.

domingo, 19 de junho de 2011

FECHADO PARA REFORMAS


O quintal manter-se-á sem postagens durante um tempo.
Razão singela: passará por necessárias reformas. A repaginada será geral.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Jazz, Whisky & Something Else


Prezados navegantes,
No próximo dia 17, às 20:00h, estarei no Ponto de Encontro (anexo etílico-cultural da ADUFES) para uma noitada de jazz com meus amigos Caco Dineli (baixo acústico), Bruno Venturin (teclados) e João Augusto (bateria).
Aguardo-vos.

domingo, 29 de maio de 2011

Bons encontros


Fim do domingão.

Penso numa das verdades do seu Acácio: quando a sorte lhe sorrir, abrace-a. Não uma sorte qualquer, mas aquela que, quando sorri, ecoa no seu corpo como um leve terremoto. Abrace-a, mesmo que o chão abra aos seus pés. A queda valerá a pena.

Com essa idéia na cabeça, abro uma garrafa de syrah (uva que regou um desses momentos de vôo livre) e coloco na vitrola um disco que muito aprecio, gravado no bom ano de 1959: Herb Ellis meets Jimmy Giuffre. Dupla que dispensa apresentações. Cenário completo.

A encantadora simplicidade com que a música flui desse velho lp é apropriadíssima para embalar as boas (e levemente melancólicas) lembranças que me envolvem. Vocês entenderão o que estou falando quando, por exemplo, ouvirem Patrícia, o solo defendido por Ellis. Citar uma faixa do lp, no entanto, é injustiça com todas as outras sete, também deliciosas, que compõem essa preciosidade.

A tribo westcoast é aqui representada por Art Pepper, Bud Shank, Richie Kamuka, Jim Hall, Lou Levy, Joe Mondragon, Stan Levey. Querem mais? Ouçam ali na radiola.

Link: Avax


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Rugolo


Camarada, a dor dói mais quando está sarando. Lógica infernal. O tecido novo, cicatrizante, está mais sensível. Trocar o curativo, hoje, foi uma experiência vertiginosa. Lembrei-me de um poema que escrevi por outras dores há alguns anos. Parece que mandou uma irmãzinha para se vingar:
Sim,

não tive pena da Dor

e a sufoquei sem piedade.

Deixei-a gemer e espernear

– criança sem palavras –

e ela uivou pra lua

como uma loba no cio.

Sem dó arranquei suas unhas e presas

e a deixei sangrando, indefesa,

à mercê de outras, famintas,

da sua espécie.

Sim,

e quando a fúria, impotente,

brotou em seus olhos

eu os furei com ferro quente.

Ó Dor, cega e muda,

por mim esquartejada

e abandonada aos cães:

não sei do seu sepulcro,

não li sua lápide

e não te ofereço nenhuma prece.

Agora, chuva chovendo na minha janela, busco algum bálsamo para a dolorosa mordida do destino. Arrisco-me com um maluco que tinha entre seus ídolos Stravinsky e Bartok. O nome do camarada é Pete Rugolo, compositor e arranjador californiano, maluco e querido por todos os jazzistas da costa oeste.

Rugolo gravou alguns discos com formações pouco ortodoxas: dez trombones e dois pianos, dez trumpetes e duas guitarras, dez saxofones e dois baixos; gravou também um disco dedicado à percussão. O cd que estou escutando reúne os quatro discos citados: Exploring new sounds. Aqui você poderá ouvir quase todos os grandes músicos de jazz daquelas plagas. Viagens mil. Deixarei quatro faixas na radiola.

Link: Avax


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Joanne

Minha Shadow 600 foi internada hoje. Escoriações diversas a deixarão longo tempo em repouso (peças importadas e coisa e tal), mas ela ficará melhor que antes - estou decidido quanto a isso. Eu, cá, retorno da troca dos curativos...

Recosto-me na velha poltrona e ligo a eletrola ídem. Quero ouvir um vinil há muito por mim esquecido: um disco da bela pianista Joanne Grauer. A menina de formação erudita não resistiu ao apelo do jazz e se lançou de corpo e alma nos seus braços. A relação foi boa e rendeu bons frutos. Um deles - ...Trio - nasceu em 1957, tendo com auxiliares Buddy Clark e Mel Lewis.

Observem como a bela balança quando passeia pelas teclas de seu piano interpretando Mood for mode, de sua autoria. Mãos firmes, ela sabe como usar força e suavidade para embalar esse coração arranhado. Ouçam também a passionalidade que cerca a sua versão solo de Invitation, intensidade a toda prova. Sim, Joanne é intensa como um bom cabernet. Experimentem um pouco ali na radiola.

Link: Avast

Parlan

Estou no estaleiro. Um caminhão derrubou-me na br 101 norte, quando ia para o trabalho. Mãos raladas, apenas (estava sem luvas). O capacete e a jaqueta nova seguraram a onda.

Um bom remédio para a incômoda dor que me guarda é ouvir um pouco de boa música. E isso, ainda bem,
eu tenho em boa quantidade nos hds e estantes do meu quarto.

Agora, duas da manhã, ouço Horace Parlan, pianista não muito cotado na bolsa mas que me agrada pelo balanço de suas
composições e interpretações. O disco em questão é Speakin' my piece, no qual se fez acompanhar pelos irmãos Stanley e Tommy Turrentine, mais George Tucker e Al Harewood.

Deixo-vos com os acordes de Rastus

Link: Avast