Mesmo que não perguntem, eu direi. Estou ouvindo o, creio, mais recente disco (2009) do trompetista italiano Enrico Rava, editado pelo selo... adivinhem. Não adivinharam? ECM, obviamente. O nome: New York days. Acompanham-no Stefano Bollani (piano), Mark Turner (tenor), Larry Grenadier (double-bass) e Paul Motian (drums). quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Rava - Dias cinzentos em Nova Iorque
Mesmo que não perguntem, eu direi. Estou ouvindo o, creio, mais recente disco (2009) do trompetista italiano Enrico Rava, editado pelo selo... adivinhem. Não adivinharam? ECM, obviamente. O nome: New York days. Acompanham-no Stefano Bollani (piano), Mark Turner (tenor), Larry Grenadier (double-bass) e Paul Motian (drums). sábado, 17 de outubro de 2009
Alice in wonderland
Bom, ainda existem muitos músicos envolvidos de corpo e alma na tarefa de não deixar a beleza morrer. Agora mesmo, nesse exato momento, ouço um pianista muito bom, admirador confesso de Bill Evans, que gravou seu primeiro disco em 1995. Trata-se de David Hazeltine. O disco que ouço foi gravado em 2003: Alice in wonderland. Os acompanhantes de Hazeltine são George Mraz (bass) e Billy Drummond (drums). O disco é uma homenagem direta ao seu ídolo. Oito dos nove temas foram gravados por Bill Evans. A nona canção é For Bill - dizer o quê? - composta por David. Link: Avax
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Aviso aos navegantes
I
Amar é moto
II
Do naufrágio
só sobras
bóiam, mortas.
Frágil obra
à deriva
inventa histórias e
assombra olhares navegantes de plácidas enseadas.
III
Da frágil nau
só sobram restos
que assombram a insólita placidez
espraiada no olhar detido na orla.
Mais um naufrágio
na ânsia argonauta:
o risco do oceânico horizonte
é calmaria/tempestade
escrita nos hieroglíficos fragmentos
despejados nas praias.
Ó, alma opressa pela fragrância de abismos!
IV
Os poetas,
desde que o mundo é mundo,
navegam em seus barquinhos de papiro
sobre abismos índigos;
recolhem almas náufragas
e aquecem-nas com mortalhas;
para os corpos esquecidos
constroem piras...
e, enigmático anseio,
erigem com seus versos faróis
que guiam aventureiros
às rochas e arrecifes.
V
O calado suporta
a solitária travessia e
o silêncio condiz com as oceânicas profundezas
enquanto a corrente – terna – conduz.
VI
Singrar mares e
colher tempestades
nos cantos das sereias
– sem âncoras, bússolas, astrolábios...
no incontinente
perder-se é preciso.
VII
A rota a seguir nunca foi segura
apesar dos luminosos faróis,
dos astrolábios ofertados
e do macio catre em que sonhei
ter conquistado todos os mares,
todas ilhotas perdidas,
todos os recantos ermos,
sacrossantos e pagãos...
foi lá nas macias e cálidas profundezas
onde sussurrei meus delírios de posse
que me vi prisioneiro.
VIII
Derivo.
Alma náufraga,
não agonizo mais,
não me apago no luto
das terras idas,
nem rumino outros dias
ocultos pela Esperança.
Sim, derivo
entre atóis de afiados arrecifes e,
seguro nas crinas dos maremotos,
arremesso-me contra rochedos
para vê-los sangrar o meu sangue e,
rubricado meu nome em seus poros,
retorno à implacável quietude do mar.
IX
Resto de uma equação
mal sucedida
só,
sobro.
Equívoco de uma operação
híbrida,
naufrago.
E, daqui do fundo do abismo,
creiam-me,
o mundo é plano.
X
Esses são meus espinhos.
E eu, cacto,
quis chorar todas as lágrimas
e virar deserto...
(Decerto o mar em mim não deixou).
Ouçam, ali no pdcast Quintal do Jazz, três temas interpretados por Art Farmer, retirados de um excelente disco gravado em homenagem a Duke Ellington (1975). Acompanham-no Cedar Walton (p), Sam Jones (b) e Billy Higgins (d).segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Art Tatum - o poeta e os labirintos
Enquanto penso em Miguel, poeta capixaba que nos deixou no sábado, ouço Art Tatum, vertiginoso, desfilar seus ágeis dedos nas teclas do velho piano. Às vezes, parece querer percorrer todos os caminhos. Exauri-los. Não, não, não se trata de exaustão. Art é o poeta dos labirintos, aquele que constrói com incrível rapidez uma profusão de possibilidades, de caminhos para se explorar, no limitado espaço harmônico. O acorde é apenas um ponto de partida. Dali, o mundo da música se abre como um sol, mostrando cores e sombras sem fim. sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Spread a little joy
Eis a cena egoísta dos meus sonhos: eu, na varanda, ouvindo um bom disco - pode ser Jack Montrose & Pete Jolly Quartet (que se completa com o baixista Chuck Berghofer e com o baterista Nick Martinis) atacando belamente A thing of beauty, enquanto beberico uma taça de um bom shiraz. Arriscaria até umas tapas num bom charuto cubano, daqueles que sabem às coxas de uma também bela seguidora de Fidel. Lá fora, lá embaixo, a turba insandecida tentando evitar a inevitável morte. A musa azul, quiçá, lá estaria, em meus braços, plácida, em contraponto ao caos que nos cerca. É assim que você me deixa: sinto-me tranqüilo. Curtimos mais um pouco de The sunset hour com o céu vermelho e os prédios alaranjados. É uma pena que isso acabe.segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Vocês conhecem Maini?
Os sidemen vivem à sombra dos grandes nomes do jazz. Isso, no entanto, está longe de significar que os sidemen, obscurecidos pela presença dos brilhantes astros, não tenham luz própria. Há pouco tempo, lá no jazzseen, em post sobre o baritonista Bob Gordon, foi citado o altoísta Joe Maini. Conhecem-no? Se não, não tem problema, você não está sozinho. O engraçado dessa estória é que provavelmente todos os apreciadores de jazz (que, como eu, esquecem de ler as notas) podem tê-lo ouvido vez ou outra sem se darem conta.
Link: here
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Lundgren - mais um europeu
Retornemos à seara européia. À Suécia, para ser mais exato. Foi lá que nasceu o pianista Jan Lundgren, atualmente com 46 anos. Ele começou a estudar piano clássico com cinco anos e, no início dos oitenta, cruzou com o tal do jazz. Daí em diante a sua vida mudou. O menino só queria saber de tocar jazz - e continua assim.
encontrarão temas como Un homme et une femme e Here, there and everywhere). O som é agradável, com dicção moderna mas sem perder o balanço. Os rapazes que o acompanham mostram gentileza no trato com os seus instrumentos, mantendo o clima suave do pianista. O resultado nos remete aos tabalhos de Bill Evans. O cara é bom e merece ser ouvido.segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O décimo primeiro mandamento

Assim são as pernas das musas: belas. Daquele tipo sem "junteiras", torneadas, coxas longas e batatas da perna "ao dente", apoiadas sobre tornozelo finos e pés de bailarina - como outrora revelou-me a musa. Aquelas pernas que dançam nas nossas cabeças e, com seus passos fátuos flutuam sobre as pedras do caminho. Ou deixam-nas macias sob seus pés, fazendo-nos esquecer - nós que observamos - que as pedras existem. Enciumadas as pedras, pelo olhar pagão dos reles mortais, arrancam nossas distraídas unhas para mostrar o legado terreno.
Um walkin bass aveludado, bem executado, bem pode nos aproximar do efeito dos passos de alguma musa em seus descompromissados passeios diários sobre o coração dos mortais. Uivamos para a lua, como uiva o sax de Eric Dolphy quando toca seus blues. Talvez não precise mais do que três segundos para o mortal cair no abismo, no turbilhão que o caminhar da musa provoca. Dolphy, aliás, tentou traçar alguns retratos sobre as musas e os efeitos por elas provocados: Miss Ann, Dianna e Serene são algumas delas. Alegres, vivazes, sedutoras, delicadas e... cuidem-se, amigos, pode haver pedras no caminho. Os uivos do Eric são prova dissoquinta-feira, 24 de setembro de 2009
Tudo é Jazz - A homenagem a Lady Day
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Tudo é Jazz -19/09 (a)
Para minha sorte, a chuva atrasou o início dos shows. Conseguimos chegar a tempo de curtir a excelente apresentação do grupo liderado pelo baixista mineiro Leonardo Cioglia. Ainda não conhecia o trabalho do camarada, mas a boa companhia com quem partilharia a cena era uma boa promessa. O quinteto se completou com Aaron Goldberg (pianista quase brasileiro, já participou de festivais anteriores), Mike Moreno (jovem guitarrista com fraseado bem articulado), John Ellis (tenorista que, agora sim, depois da apresentação restrita com Kate
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